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Se alguém me dissesse, há um mês, que eu estaria vivendo isso, eu teria rido. Não sei se é sorte, carma positivo ou algum presente que o universo decidiu me dar… Mas seja o que for, eu sou grato.

De uns tempos pra cá, tenho me sentido mais leve. Mais feliz. Com vontade de acordar, levantar da cama, estudar.
Claro, estudar sempre foi prioridade. Não apenas por querer um futuro financeiro estável, mas como uma forma de retribuir tudo o que meus avós fizeram por mim.
Mas agora… é diferente.
Agora, tenho algo - ou alguém - que faz meus dias comuns parecerem especiais. Ver aquela pessoa todos os dias, durante cinco dias da semana, e às vezes até em três horinhas de sábado… isso faz tudo valer a pena.

É muito mais do que eu ousei pedir ao mundo.

— Pete, vem logo! –  a voz de Porsche me chamou de volta à realidade, enquanto ele me puxava para fora da lojinha.

— Eu estava trabalhando! – reclamei, tentando não sorrir. Ainda estava no meu turno de meio período, ajudando a mãe dele com as roupas.

— Minha mãe não vai se importar. E, de qualquer forma, já está quase na hora de você sair – disse ele, apontando para o celular. – Vai dar 12h30. Temos que ir pra escola.

— Ok, ok… Mas deixa eu pegar minha mochila primeiro.

— Já peguei – respondeu com um sorriso vitorioso, estendendo-a para mim. – Anda logo!

Ele me puxou de novo, apressado. Havia algo diferente na energia dele.

— Tá… o que aconteceu? Por que essa empolgação toda pra ir pra escola?

— É que… Bom… Pete?

— Hm?

— Como você soube que era… gay?

Parei de andar por um segundo.

— Oi?

— Como soube? Tipo… que gostava de caras?

— Por que a pergunta? – o encarei com uma sobrancelha arqueada. – Tu não era o Porsche, o hétero?

— Ah, para com isso! – resmungou, rindo. – Acho que me ferrei.

— Se ferrou como? Se apaixonou? Ou tá só curioso?

— Eu tô confuso, cara. Já gostei de meninas antes, namorei algumas… você sabe disso.

Sim, eu sabia.
Porsche tinha um histórico amoroso invejável. Bonito, moreno, alto, com um físico bem definido… Era quase impossível não notar.

— Mas agora… acho que me apaixonei por um homem.

— Bom, o “B” de bissexualidade tá aí pra isso, né?

— Eu pensei nisso. Só que… até agora, só senti isso por um cara. É estranho.

— Olha, amor não vem com manual, Porsche. Nem com rótulo. Se você tá apaixonado – seja por homem ou mulher – tá tudo bem. Não precisa definir nada.

Ele parou de andar. Eu também.

— Você não vai perguntar por quem?

Teacher - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora