0.9

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Me olho no espelho.

Ok... preciso admitir: estou bonito. O tipo de bonito que faz meu estômago revirar só de imaginar Vegas me olhando assim.

Porsche tem bom gosto — e como sempre, ele me ajudou a escolher a roupa. Uma blusa preta ajustada no peito, calça jeans moldando minhas pernas, e um sapato discreto, mas elegante. Simples, mas tudo no lugar certo. Minhas unhas pintadas de branco, com carinhas pretas desenhadas em algumas. Um detalhe meu. Só meu.

Começo a organizar minha bolsa com as mãos trêmulas. A ansiedade tá me consumindo. Eu quero acreditar que ele vem. Ele prometeu. Mas... e se não?

“Hm. Parece interessante, mas... eu tenho algo importante pra fazer nesse dia. Não faça essa carinha. Se tudo der certo, eu prometo que vou até você.”

Repasso a frase dele na cabeça.
Ele prometeu.
Mas promessas, às vezes, doem mais do que mentiras.

— Você tá com uma cara péssima — Porsche chega devagar, encostando a cabeça no meu ombro, me abraçando de lado. — Tá tudo bem?

— Acho que ele não vem... — murmuro, engolindo em seco. Isso me arrebenta. Parte de mim ainda quer acreditar. Mas tem outra parte... cansada de se decepcionar. Cansada de esperar.

— Não pensa assim. Ele pode estar vindo. Você sabe que Vegas é... complicado. Mas ele gosta de você.

— Só queria poder sair com ele como um casal normal. Sem peso, sem medo, sem esconderijo.

— Relaxa... Não seja pessimista — ele diz, tentando me acalmar. Mas até ele parece desanimado hoje. Ninguém ali parecia empolgado. Nem Chay. Ou talvez seja só... tensão no ar.

— Não seja otimista — retruco, ajeitando meu cabelo.

— Não sejam consumistas — Chay sai da cabine já vestido. Eu e Porsche olhamos pra ele, confusos.

— Ué, achei que ia rimar... — ele dá de ombros, rindo.

— Você tá lindo, Chay — digo, sorrindo e indo pra frente do espelho pegar a maquiagem.

Hoje, mais do que nunca, preciso da minha armadura. Passo uma sombra branca com brilho. Um gloss de melancia. Sim, melancia. O meu preferido.

— E eu? — Porsche pergunta, se olhando no espelho. Como se ele não soubesse que tá sempre bonito...

— Você é bonito até dormindo babando, Che — digo com um sorriso torto.

— Verdade — Chay apoia.

— Eu quero usar também — Porsche aponta pra paleta.

— Sério? — olho surpreso. Ele nunca curtiu muito maquiagem.

— Azul brilhante. Capricha.

— Certo... E você, Chay?

— Preta. Sem brilho, P’. Quero parecer um vilão gostoso hoje.

× × ×

Maquiagem feita. Saímos do banheiro prontos — e bonitos pra caralho. Yok nos esperava, arrumada e com aquele brilho nos olhos.

Teacher - VegasPeteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora