Quando conheceu o Ramez Tebet, Fairte tinha trinta e sete anos, mas parecia não ternem trinta.
Continuava linda, bem cuidada, parecendo mais uma irmã do que mãe de Carlos, com quase vinte anos na época.
Ela era secretária do pai de Simone e não demorou muito para que o homem de mais de quarenta anos de idade ficasse louco por ela. Não sei bem os detalhes, só de que ele cortejou-a um bom tempo, mimando-a até conseguir conquistá-la. Casaram-se em pouco tempo. Ele era completamente fascinado por ela.
Depois que minha mãe morreu, eu fiquei sozinha aos dezessete anos e sob a guarda de Fairte. Havia perdido meu pai quando criança. Fui morar com ela, seu marido, Carlos e Simone na mansão do empresário. O que me lembro é de Simone sempre com raiva e do ódio que eu tinha dela por nos maltratar e por fazer acusações contra a mãe de Carlos. Eu nunca soube que Fairte pudesse tentar seduzir Simone.
Na época Simone tinha vinte e dois anos e já era gostosa. Eu, apesar da raiva que sentia, não podia negar que ficava atraída por ela. Mas sempre vi essa atração como algo negativo. Ela era fria, agressiva e má. Carlos era o meu amor de adolescência, limpo, lindo, alegre, sempre me fazendo sorrir e esquecer a tristeza e a saudade dos meus pais.
Indaguei-me se eu não me enganara por todo aquele tempo. Sabia que Carlos adorou a herança que o deixou rico com a mãe. E que era irresponsável e egoísta. Ele não era bem o príncipe que eu pensava.
E se Simone também não fosse tão ruim como eu imaginaria? E se na época ela sentisse raiva por ninguém acreditar nela, de que minha tia Fairte era interesseira e de que queria seduzi-la sob as barbas do pai?
E agora, depois de dez anos, eu a procurava por dinheiro. Deitava-me com ela como uma cadela no cio, sendo ainda casada. Ela devia estar confirmando o que sempre pensava de mim: Que eu também era interesseira e aproveitadora. Talvez por isso fosse tão fria fora da cama.
Terminei de passar a roupa, cansada. Um estranho desânimo me dominava e minha cabeça estava cheia de dúvidas.
A noite chegou e Simone não ligou. Fiquei com raiva por não ter conseguindo me desgrudar do celular o dia inteiro, esperando que ela me ligasse a qualquer momento.
Eu devia estar feliz por dormir em casa. Por que não me sentia assim?
***
No sábado Carlos continuou inconsciente. Almocei com Cecile, Mary e Maiara, que eu convidei porque ela adorava. Foi um almoço agradável e eu me diverti com o bom humor de Mary e de Maiara, que se davam bem, como se já se conhecessem há anos.
Cecília também ria à toa, embora não entendesse metade do que elas diziam.
Eu estava terminando de comer quando o celular começou a tocar na sala. Troquei um olhar ansioso com Maiara que estava dando macarrão para a Cecile e levantei-me rapidamente. Meu coração batia desesperadamente. Era ela. Atendi o celular na
sala.
- Oi. - Uma voz fina e manhosa de mulher ronronou.
- Desculpa, não aguentei esperar você me ligar... Estou com saudades...
- Ah... Não é a Simone. - Expliquei desnecessariamente sentindo um estranho desconforto. Quem seria aquela mulher? Com certeza uma das amantes dela.
- Quem está falando? - O ronronar de garota manhosa sumiu da voz dela.
- Eu... É... - Fiquei sem saber como explicar. - Sou cunhada dela. A Simone me emprestou esse celular por um tempo.
-Cunhada? - A mulher parecia desconfiada. - Mas eu preciso falar com ela! Sabe o número que ela está usando?
- Não.
- E da casa dela?
- Não. Lamento.
- Você é da família e não sabem nem o número dela?
Lembrei de que Simone me ligou antes e que o número que ela usava devia estar gravado no celular e que eu tinha o telefone do escritório dela, mas nem sabia quem era aquela mulher. Assim, repeti:
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CHANTAGEM - SIMORAYA
FanfictionAté onde a necessidade é capaz de ir? O dinheiro realmente compra tudo? E o amor? O amor existe? Até onde a luxúria e o poder são capazes de ir?
