𝟐𝟏 - sacrifício

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A tarde caiu, e faltavam poucas horas para a execução. O palácio estava muito calmo, e eu me questionava se já haviam notado que os pais de Eloise não estavam mais onde deveriam estar, mas minhas dúvidas cessaram quando vejo a rainha passar rápido como um raio pelo salão das competidoras totalmente desesperada.

Todas estavam no salão, e para não levantar qualquer tipo de suspeita, também fui até lá ler um livro como fazia sempre. Mais normal que isso impossível.

— Senhorita Talita! — a rainha chamou preocupada dando meia volta e parando na porta do salão.

Todas olham curiosas enquanto Talita vai até ela, e fui obrigada a tirar a atenção do meu livro para olhar também.

— Posso ajudar, Vossa Majestade?

— Preciso que vá ver Christopher em seu quarto. — pediu. — As coisas estão meio complicadas e ele precisa de seu consolo.

Franzi a testa involuntariamente. Ela ainda está nessa?

Se tem uma pessoa que poderia consolar o filho dela, essa pessoa sou eu. Mas ela está tão cega tentando encontrar a perfeição que nem se dá conta do que está bem em sua frente.

Talita sai, e eu aperto o livro em minhas mãos tentando conter a raiva.

Os guardas começam a se movimentar por toda a parte e a rainha pede para que fôssemos para nossos quartos e só saíssemos de lá quando recebermos uma ordem para tal. O desespero tomou conta de mim. 

O que aconteceria se eles descobrissem que eu também estava envolvida? E se eu fosse obrigada a sair da vida de Christopher para sempre?

Comecei a chorar. E soluçar. E abafar gritos de dor entre os travesseiros.

Depois de um tempo ouvi batidas na porta. Era Lúcia.

— Senhorita, algum problema? — ela pergunta ao ver meu estado quando eu abro a porta.

— Ai, Lúcia... — respirei fundo sentindo mais lágrimas querendo vir. — Eu não sei o que fazer.

Ela entra no cômodo e me senta na cama para tentar me acalmar.

— Precisa se acalmar. — ela passou a mão pelos meus cabelos preocupada.

Fiquei abraçada com ela durante vários minutos, chorando sem parar. Ela não disse uma única palavra até que eu tivesse terminado.

— Não vai conversar com ele? — perguntou.

A essa altura nós duas já sabíamos quem era "ele."

— Ele deve estar ocupado agora.

Ela respondeu com um olhar desapontado.

— Sinto muito, mas eu preciso ir. — se levantou. — Eu não deveria estar aqui agora e se me pegarem posso ter problemas.

— Tudo bem. — me levantei também para guiá-la até a porta.

Eu estava prestes a fechá-la quando ela saiu, mas então mudo de ideia.

— Lúcia! — chamei e ela olhou. — Muito obrigada.

Lúcia se contentou em sorrir para mim com ternura, antes de se virar novamente e ir embora.

Já era noite, e durante todo o dia dava para ouvir barulhos de passos para lá e para cá do lado de fora. Em um certo momento, me dei o luxo de espiar pela janela, e vi no jardim a rainha e o rei discutindo sobre alguma coisa.

Depois disso,  continuei espiando pela janela durante vários minutos, mas não vi nada além de guardas e funcionários do palácio andando de um lado para o outro.

𝐂𝐎𝐋𝐋𝐈𝐒𝐈𝐎𝐍 𝐎𝐅 𝐒𝐎𝐔𝐋𝐒 - 𝘊𝘩𝘳𝘪𝘴𝘵𝘰𝘱𝘩𝘦𝘳 𝘉𝘢𝘯𝘨Onde histórias criam vida. Descubra agora