8. Máscaras ao chão

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Ali, sentada em meu sofá, começo a relembrar de tudo que este homem pronunciou em minha presença. De tudo que ele fez pra mim, do buraco corrosivo que deixou em minha mente. E foi assim, me perdendo em meus próprios pensamentos, que deixei um barulho vindo lá de cima passar despercebido. Dominik estava lá em cima, meu inconsciente deve ter associado a isso enquanto eu desembrulhava memórias.

Mas foi apenas 1 único barulho que deixei passar. O segundo foi produzido logo nas escadas atrás de mim. Eu paralisei, meu coração começou a disparar freneticamente, que merda estava acontecendo pelas minhas costas? Eu não quero me virar, eu sei que vou me arrepender e provavelmente desmaiar, minha saúde está péssima.

Com o mínimo de coragem restante no meu organismo, eu me viro lentamente para ver o que foi o barulho nas escadas. Não saio do sofá, apenas giro meu tronco e minha cabeça.

Não havia nada na escadaria. Até que me inclino um pouco mais para cima, para ter visão do piso. 

Que. MERDA.

Lá estavam as duas, Amanda e Karen, ensanguentadas no primeiro degrau, colidindo com o chão. 

Me levanto num movimento brusco e desesperado, ficando de frente à cena de terror. Que merda aconteceu? O que vai acontecer? Elas estão mortas? Ligo pra polícia? [...]? [...]? Várias perguntas se embaralham em minha mente e não sei organizá-las mais. Apenas entro em estado natural de alerta, olhando tudo em volta, ainda parada no mesmo lugar. A adrenalina tomou uma porcentagem tão alta de meu corpo, que nem percebi o quanto estava chorando há MINUTOS. Tremendo toda a minha carcaça, eu me desloco lentamente às duas amigas, e a cada passo que dou, os detalhes vão surgindo e piorando o cena que vejo. Me agacho bem devagar perto das duas, minha respiração já não sai mais pelas narinas e minhas mãos parecem eletrocutadas. Eu testo o pulso de Amanda e nada, as duas estavam completamente sem vida. Eu poderia facilmente deduzir isso apenas olhando para seus corpos, totalmente perfurados, com um corte enorme e profundo no pescoço de cada uma. O sangue já havia sujado todo o perímetro próximo às duas, formando uma poça. 

Bem lentamente, vou seguindo com o olhar o rastro de sangue pelos degraus, elas foram jogadas lá de cima, rolando escada abaixo. PENSE EM ALGO SOYFER APENAS PENSE, PORRA, VOCÊ TA COMPLETAMENTE FODIDA. PENSA, CARALHO!! Corro até meu celular pra chamar a polícia o quanto antes, mas porra onde eu deixei isso???? Começo a revirar as almofadas, olhar nos cantinhos, reviro a cozinha, o rack da sala, tudo. Não é possível, eu não o levei lá pra cima, ele ficou comigo o tempo todo aqui no sofá, como?????

Em um milésimo de segundo, toda a energia da minha casa cai, tudo ficou um breu. Eu não consigo ver uma fresta de luz externa sequer, meu bairro é horroroso e carente de postes. Vou me guiar pelo senso, eu conheço minha casa mais do que ninguém. Ok, se eu for reto vou dar de cara com a porta de saída. É isso, vou nela. Vou caminhando cautelosamente pra não tropeçar em nada, muito menos quebrar algo. Estendo minha mão e sinto a maçaneta, um sorriso involuntário surgiu em meu rosto, abro a porta e num movimento rápido e desesperado de sair, bato a cara no peitoral de alguém, e instantaneamente ando para trás, eu não tive tempo nem de gritar. A grande figura de capuz na minha frente me cala brutalmente pressionando uma mão contra minha boca e a outra segurando minha nuca.

-- Hmmmmmmmmmmm HHHHHHHMMMMMMMMM - eu começo a tentar gritar com a boca fechada, mas chega a ser inaudível, enquanto isso as lágrimas vão escorrendo pela mão no meu rosto.

-- Shh, sou eu. 

A voz... a mesma voz rouca e mórbida de antes. Isso me desperta impulsos nervosos incontroláveis e eu começo a transpirar muito pelas mãos, além de começar uma tremedeira bizarra, como se eu estivesse pelada no Ártico. Eu nunca tive um efeito colateral assim, nem com todos os remédios que tomo e todas as crises que já tive.

Endless Abyss / ghostface x reader (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora