7. Encostar o solo

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''O crime aconteceu agora há pouco, neste domingo, após as 18:20

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''O crime aconteceu agora há pouco, neste domingo, após as 18:20... ... ... ... ..'.'

Meus tímpanos começaram a bloquear todo o som ao meu redor, eu não conseguia escutar mais 1 palavra daquele jornal, eu estava no início de uma crise de pânico, eu não consigo... entender. Eu devo estar sonhando, deve ser o álcool de ontem, isso não está acontecendo. Não. 

Eu sinto uma pré-sensação de desmaio, começo a ficar pálida, mas me controlo e me seguro pra que não aconteça, me levanto pra tomar um refrigerante e repor o açúcar no meu sangue, não havia nada em meu estômago. Após 30 minutos tentando aliviar as coisas, volto para o jornal. Me recompondo no sofá, sentada e prestando o máximo de atenção que consegui. Ainda estavam falando sobre o crime. Pelo que entendi da notícia, o mesmo indivíduo que me assediou ontem, no sábado, acabara de morrer na mercearia. 2 tiros de escopeta. UM dia depois do ocorrido. Um-----Dia. Minutos atrás...

E ele estava lá, congelado na imagem da câmera de segurança. Era ele, não poderia haver outro assassino assim... ERA ELE PORRA! ERA ELE.

ELE SUMIU POR 4 ANOS

EU NÃO PASSEI POR NADA - ATÉ ONTEM À NOITE.

Eu vi meu chão desabar como uma casinha de biscoitos. Estava tudo girando em minha volta, como se eu acabasse de entrar numa máquina do tempo. Meus instintos começam a aparecer e o choro derrama por todo meu rosto. Me encontro paralisada olhando pro vazio, esperando que alguma força sobrenatural me puxe dali, me acorde daquele pesadelo.

* Ding Dong *

Eu rapidamente acordo pra realidade, dou até um mini tapinha no rosto. 

Deve ser o Ifood, finalmente

Abro a porta e pego minha encomenda, desembrulho e como rapidamente frente à tv, tentando absorver o máximo de informações possíveis. Mostraram as gravações da câmera desde o momento que ele entrou, até o momento que saiu. Ele estava em frente à mercearia desde as 18:30, mas só entrou lá 18:43. Entrou com máscara e tudo, mostrando sua verdadeira identidade assassina. Parou de frente à câmera, dando um aceno e depois inclinando a cabeça pro lado... tentando parecer... meigo? 

Após os gestos, foi direto ao caixa e baleou o assediador 2 vezes na cabeça, usando uma escopeta. É como dizer que o crânio do homem deixou de existir... 

As pessoas que estavam próximas e viram tudo, saíram correndo

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As pessoas que estavam próximas e viram tudo, saíram correndo. Ele não tentou matar ninguém além do caixa. E fugiu pra algum lugar. Após os jornalistas comentarem tudo sobre a recente notícia, começaram a falar do passado de ghostface aqui na cidade, revivendo todos os crimes dele e alertando a população. 

Eu desliguei a TV e reservei um tempo pra respirar e pensar sobre tudo. 

Ele fugiu pra algum lugar...

Ele fugiu pra algum lugar........

Como acontece em novelas e filmes, meu celular começa a tocar no meio dos meus pensamentos. Era um facetime de Amanda, provavelmente querendo me alertar sobre o que acabaram de noticiar, mal sabe ela que já estou mais do que ciente.

-- Oi Amanda.

-- AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH SOOOOYFERRR POR FAVOORRR AAAAAAAAAAAAAH HAAA HAAAAAA

Amanda e Karen estavam uma do lado da outra, juntinhas, em algum canto com pouca claridade. Elas viviam dormindo na casa de uma delas, todas as calls eram sempre as 2 falando pelo mesmo aparelho.

-- AMANDA? O-O QU...? KAREN?

Tudo que escuto são gritos e choros extremamente altos, desesperados. Quase como uma mãe em trabalho de parto. Elas choravam, soluçavam, gritavam, me passando a gravidade do problema.

-- AMANDA ONDE VOCE TÁ? O QUE FOI???

-- [...] - soluços e respirações são ouvidos, elas estavam tentando recuperar o fôlego pra falar - Tem... tem alguém na minha casa [...] - Amanda fala bem baixinho, parecendo que estava escondida.

-- ME ESCUTA. VOCÊS CONSEGUEM SAIR DAI? VEM PRA MINHA CASA AGORA!

-- acho que tem como, vem vam-

A chamada é encerrada, Amanda perdeu a conexão com a Internet.

PORRA, QUE MERDA TÁ ACONTECENDO?

Permaneço em casa apreensiva tentando compreender o que estava rolando, e ouço um carro estacionar aqui na porta. Abro a janela e vejo as duas saírem do veículo, correndo pra minha porta. Abri e elas não paravam de chorar. 

-- O QUE FOI PORRA? O QUE TÁ ROLANDO? - eu estava com a respiração ofegante e preocupada até demais.

-- TEM UM CARA NA MINHA CASA E VOCÊ FOI A ÚNICA QUE ATENDEU, ELE IA MATAR A GENTE SOYFER, POR FAVOR DEIXA A GENTE AQUI.

-- Tudo bem, tá tudo bem, se acalmem agora. O que esse cara fez pra vocês? Como descobriram que ele estava lá?

-- Olha: 

Amanda vira seu celular pra mim e me mostra uma foto que me deu choques internos, era ele.

-- É a sua casa?? Puta que pariu... - eu não conseguia pensar em nada, estava segurando o celular de Amanda analisando a tela, paralisada.

Era uma conversa no Facebook:

-- Ele mandou isso e logo quando visualizamos, a gente ouviu um vidro se quebrar na cozinha, e certamente é uma dessas garrafas

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-- Ele mandou isso e logo quando visualizamos, a gente ouviu um vidro se quebrar na cozinha, e certamente é uma dessas garrafas. Esse é o canto da sala da Amanda, são as bebidas dela, ELE ESTÁ LÁ SOYFER!

-- Ok, muita calma agora... Vão pro meu quarto, lá é seguro e chamem a polícia pra casa da Amanda imediatamente. Vamos se trancar aqui até acharem o suspeito, ok?

As duas concordaram com um Okay uníssono.

Eu permaneci na sala, eu não sei o que estou fazendo aqui, é como se uma força maior, algo sobrenatural, estivesse me prendendo a aguardar um evento breve. Eu sinto meu coração falar comigo, de que eu deva permanecer aqui, na sala, esperando por algo acontecer. Que sensação horrenda, tudo aquilo que senti anos atrás parece estar reacendendo. O abismo voltou, mas dessa vez é diferente. Eu não sinto como se fosse cair pra sempre... tem um final agora. Minha intuição sempre me alertou em diversos momentos que vivenciei, e agora não está diferente. Algo vai acontecer, alguma coisa bem ruim, ou bem boa.

Sinto meu peito apertar a cada segundo que o relógio conta, a reaparição do ghostface afetou toda a minha química cerebral, minha mente não consegue se desgrudar de algo... eu só não sei o quê. As meninas estão em completo silêncio lá em cima, me sinto aliviada por ajudar. Mas com certeza me meti onde não devia. E a televisão permanece ligada nos noticiários. Como ele consegue se esconder tão bem nas sombras? Ele é procurado há anos e consegue agir como uma verdadeira assombração nessa cidade.

Meus pés estão tão próximos... tão próximos de tocar o solo do abismo, eu finalmente vou me livrar dessa angústia que me assombra há anos?

Endless Abyss / ghostface x reader (+18)Onde histórias criam vida. Descubra agora