☆ Lovers Rock ☆
- TV Girl
O sol se põe lá fora, deixando o céu com uma cor rosada e leve. O sol se põe, mas a cidade não escurece totalmente.
Não me atrevo a acender a luz do meu quarto, quando Andrew chegar ela irá ser apagada de qualquer forma.
Abro a grande janela que dá para a sacada e sinto o vento bater leve em meu rosto, trazendo os inquietantes sons da rua para dentro do meu escuro quarto.
Me sento na cama suspirando e me pego querendo que fosse diferente, que nossas circunstâncias fossem diferentes. Vejo a cortina balançar com o vento calmo e estremeço, já sentindo falta do cheiro ocre do cigarro ardendo minhas narinas.
"Andrew..." deixo um sussurro escapar da minha boca assim que me lembro de seus beijos. Me lembro dos seus quase inexistentes toques, das mordidas que ele dá na parte inferior dos meus lábios carnudos.
Andrew, o que será que estaria fazendo agora? O que o loiro estaria pensando? O que sua mente sussurrava para si quando o mesmo ia para a sacada?
Ele era um imenso quebra-cabeça para mim. Não sou uma pessoa muito boa com enigmas, e o jeito que Andrew age quando está comigo não me ajuda muito para resolvê-lo.
Na faculdade somos completos estranhos, mas toda noite ele me procura e me faz gemer seu nome, me faz clamar com nada mais que alguns beijos.
Andrew não me toca muito, até sinto que ele me evita ou se enoja.
Andrew não fala muito, mas sua respiração pesada e descompassada me mantém preso em todos os seus movimentos.
Sinto que se Andrew estiver bêbado demais, ele ficaria. Ele passaria a noite ao meu lado, ele trocaria palavras comigo e não só olhares vazios e culpados. Ele me convidaria para ir à sacada e apreciar o cheiro do cigarro ao seu lado.
Se Andrew estivesse bêbado demais ele me deixaria entrar, me deixaria ficar e ajudar, mesmo que fosse apenas por uma noite.
Talvez ele até me desse mais de dois beijos sem precisar fumar um maço de cigarro no intervalo entre eles.
Se Andrew estivesse bêbado... nada mudaria. Ele nunca conversaria, afinal Andrew sempre está bêbado.
Suspiro pesado caindo de costas na cama, tentando espantar esses pensamentos antes que ele chegue.
Esperar Andrew vir a noite virou uma rotina. Uma rotina que acontecia a mais de um mês, com sua frequência intacta.
Andrew viria. Não sabia o motivo, mas sabia que ele viria.
Andrew sempre vem, sempre fuma, nunca toca, nunca fala, sempre sai.
Andrew sempre beija.
Me pergunto como seria segurar sua mão.
Apesar de ser uns sete centímetros menor que eu, a mão de Andrew parecia maior que a minha e mais atraente também. Tinha algumas cicatrizes pequenas e imperceptíveis nas laterais, visíveis e fáceis de encontrar apenas se você prestasse muita atenção.
Me pergunto como ele segura seu cigarro, a forma que o leva até sua boca, o jeito que deixa a fumaça sair.
Lembro de sua boca um pouco fina, a pequena cicatriz em seu lábio superior, também quase imperceptível.
Andrew tem pequenas sardas em seu rosto, e algumas em seu pescoço que se espalham e logo somem para dentro de sua camisa.
Gostaria de contar todas elas, de beijar cada uma e ligá-las como se fossem constelações em sua pele. Queria saber até onde elas iam, queria ver e sentir Andrew.
Suspiro virando para a cômoda ao lado da minha cama, as horas do relógio passavam e as esperanças de que Andrew viria ficavam mais distantes.
Algo estava errado.
Por mais patético que fosse Andrew viria, tudo bem que ele fumava cigarros a mais quando acontecia algo, mas ele sempre vinha.
Sinto que estou em abstinência.
Me sinto Andrew toda vez que seu maço de cigarros acaba, ou melhor, seu maço reserva de cigarros acaba.
Estou inquieto, vazio, opaco.
Me levanto e pego meu celular, vou até a sacada e cogito a ideia de mandar uma mensagem perguntando sobre ele.
Me vi na dúvida se ligava, ele atenderia? Ele falaria? Se ligasse não poderia ver seus olhos falando por ele, não poderia sentir as desculpas que Andrew exalava.
Me apoio na grade de proteção com meu celular em mãos e solto mais um suspiro, Andrew me esgota.
No quinto toque ele atende.
Eu seguro a respiração.
Ele está cantarolando alguma merda do rádio, e ouço seus dedos se movimentarem perto do celular, provavelmente o segurando mas não conseguindo deixá-los quietos.
"Andrew" deixo escapar em um sussurro, quase me engasgando por ter soltado o ar que prendi tão subitamente.
Ele não responde.
Mas sinto um tom de surpresa na linha.
Fico nervoso e me arrependo instantaneamente de ter ligado para o mesmo.
Ele apenas não veio, não era como se a gente tivesse marcado algo.
Não era eu que queria sair da rotina? O que estava fazendo agora? Imploraria para que Andrew arrombasse a porta do meu apartamento e me beijasse ferozmente?
"V-você não veio ainda..." falo gaguejando pelo nervosismo, apoio minha cabeça sobre meu braço e me debruço sobre a grade de contenção da minha varanda. "Só queria garantir sabe, se você ainda vem ou sei lá, saber o que aconteceu caso não venha".
Me sinto um inútil. Não consigo controlar a minha boca fazendo com que palavras e frases sem sentido jorrem para fora dela, não deixando brecha para o outro lado da linha dar respostas. Se Andrew não sabia que eu tinha verbomania, ele descobriu agora.
Me sinto péssimo, falando e falando e nem mesmo me entendo. Sinto Andrew respirar do outro lado da linha.
Me pergunto se ele estaria fumando agora, me pergunto se ele fumava em outro lugar que não fosse a minha sacada.
"Cale a boca, Josten." Ouço Andrew falar ríspido e respiro fundo tendo esperança de que ele acrescentaria algo a mais.
Mas ouço apenas um bip finalizando a ligação.
Andrew não fala muito.
Andrew não fala muito comigo.
Me sinto idiota.
Desligo o celular e suspiro apoiando minha cabeça na grade mais uma vez.
Me disseram antes, que suspirar tirava a felicidade do corpo.
Acho que ando suspirando muito ultimamente.
Levanto meu olhar para os outdoors do outro lado da rua e me pergunto o por quê de ainda aturar isso, de ainda levar isso para frente.
Me questiono sobre o por quê de querer tanto desvendar Andrew Minyard, o cara que não gostava nem mesmo de me tocar. Que nitidamente sentia nojo disso.
Olho para um vaso de planta que havia em minha sacada, estava meio seco apesar de me lembrar avidamente de estar regando e cuidando dela atentamente.
Até que noto, em uma pequena parte de seu vaso, um montinho de guimbas de cigarros mal acabados.
Andrew as descartava ali.
Me sinto subitamente triste e apenas suspiro mais uma vez.
Sinto algo queimar dentro de mim.
Como um cigarro.
E isso tira tudo de mim, não me deixando com nada.
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Cigarettes Out the Window
Fiksi PenggemarOnde Andrew sempre vai até Neil e fuma cigarros. Onde Neil respeita os limites de Andrew, ou pelo menos os aguenta. _ (fãs de aftg, onde estão vocês?)
