☆ Salad Days ☆
- Mac DeMarco
Rotina.
O hábito de fazer algo sempre do mesmo modo, mecanicamente; rotineiro.
Estava fazendo de novo.
Peguei o hábito de pesquisar os significados das palavras no dicionário. Não sabia quando isso havia virado um hábito, ou melhor, uma rotina. Mas agora sempre que eu podia procurava por palavras novas.
Esdrúxulo. Efêmero. Metanoia. Rotina.
Palavras e mais palavras rondavam minha mente, estranhei com o fato de serem palavras novas. Nunca gostei do novo, mas agora tudo o que tenho são palavras novas.
Rotina.
Itinerário habitual, rotineira, costume.
Detesto mudanças.
Tudo o que é novo me assusta.
Mas agora nesse exato momento, minha rotina me assusta.
Andrew vem todas as noites. Nós ficamos todas as noites, nos abraçamos todas as noites, nos beijamos todas as noites, fazemos sexo todas as noites.
Mas me sinto incompleto. Um vácuo amargo se faz presente em meu peito todas as noites. Como se meu coração estivesse trancafiado no porão sujo da minha infância.
Minha mente repete para si mesma que está tudo bem, mas eu sei que os meus dias de inocência acabaram e que agora eu apenas estou lembrando das coisas só para lhes dar um adeus definitivo.
É como se eu estivesse sempre cansado e mesmo assim eu tento esconder tudo com um simples sorriso, como se meus amigos não notassem minha angústia.
Ultimamente tenho pensado muito sobre o passado, os pesadelos ficaram mais constantes e o que mais me assusta é a minha rotina.
Me surpreende o medo que tenho em relação a rotina, algo pelo qual eu tanto prezo. Ela me sufoca.
Sinto o ar faltar em meus pulmões, como a fumaça de um cigarro esse hábito invade minhas narinas e fecha minha garganta. Me deixando tonto.
E está cada vez mais frequente.
A primeira vez que aconteceu eu estava em sala, apresentando um trabalho.
As palavras por mim proferidas saíam de minha boca e se enroscavam em torno do meu pescoço, impedindo qualquer saída ou entrada de ar.
Sentia o ar entrar pelo meu nariz e sair do mesmo, mas minhas respirações curtas e rápidas não surtiam efeitos.
Estava ficando sem ar.
A falta de oxigênio criava um vácuo em meu cérebro me impedindo de pensar, fazendo o mesmo pulsar em meu crânio desejando profundamente quebrar toda a barreira óssea de meu corpo.
Minha mente havia virado geleia.
Quando dei por mim, estava na enfermaria respondendo algumas perguntas para um rápido check-up de rotina. Ainda me lembro das palavras do meu professor.
"Uma hora você estava ali e de repente suas palavras começaram a ficar fracas e você já não estava presente."
A segunda vez que aconteceu eu estava no apartamento de Kevin, ele e Nicky reclamaram que eu não estava mais tão próximos deles e resolveram fazer uma noite de filmes. Chamaram os nossos colegas de time para participarem também.
Estávamos todos na sala em frente a enorme televisão de Kevin quando algo em meu cérebro se deu conta da quebra de rotina daquele dia. Repentinamente me senti sufocado com tantas pessoas em minha volta, me senti deslocado com a sala que não era minha, me senti desconfortável com os barulhos que vinham do filme e com as conversas paralelas do time.
Fiquei subitamente tonto, andei cambaleando até o banheiro não me importando se havia chamado a atenção das pessoas ou não.
Não me lembro de muita coisa daquele dia, lembro da água gelada entrando em contato com a minha pele, lembro das minhas roupas grudadas em meu corpo e do frio repentino que senti após o chuveiro ser desligado. E me lembro da voz de Kevin me chamando.
Essa havia sido a segunda vez que me senti sufocar pela rotina.
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Cigarettes Out the Window
FanficOnde Andrew sempre vai até Neil e fuma cigarros. Onde Neil respeita os limites de Andrew, ou pelo menos os aguenta. _ (fãs de aftg, onde estão vocês?)
