☆ Delírios ☆
- FBC & VHOO
Respiro fundo.
O ar entra em meus pulmões e sinto falta do ardor azedo de um cigarro.
É apenas por um milésimo de segundo, mas está lá.
Ouço o tilintar do meu molho de chaves ecoar pelo corredor vazio.
Mais um suspiro.
Abro a porta do meu apartamento, e por semanas tem sido apenas eu.
O costume e a rotina me atingem em cheio toda vez que adentro meu quarto, sempre me deixando mais cansado do que realmente estou.
Mas me forço a esquecer.
Passo noites em claro fazendo pesquisas e vendo curiosidades, noites de insônia que preencho com coisas inúteis. Nunca me sinto bem de verdade, o cansaço e a ingratidão me consomem e sinto que já não vivo em meu próprio corpo.
Engraçado como posso sentir tudo isso apenas por uma coisa casual que acabou por acontecer.
Dois corpos se esbarraram em um passado distante gerando toda essa angústia em meu presente.
Como um simples bater de asas de uma borboleta, seus olhos amendoados causaram furacões em meu ser.
E não tenho ideia do que posso fazer para esquecer o olhar de culpa que me encara da porta.
Lindo.
Suspiro pesado dessa vez, acendendo a luz do pequeno cômodo que chamo de sala. Me encaminho até meu quarto em passos pesados e arrastados.
Assim que abro a porta do mesmo sinto uma presença estranha e antes que consiga acender a luz sinto algo se entrelaçar em minha nuca e um gosto amargo em meus lábios.
"Drew..." Sussurro baixo e sua boca corta qualquer linha de raciocínio lógico que eu possa ter.
Sua língua invade minha boca deixando nela um rastro de seu gosto acre, seu beijo apressado e urgente me deixa flutuando às margens de memórias que pensei ter esquecido.
De forma necessitada Andrew não me toca mais do que o necessário, e a iluminação que vem da sacada me ajuda apenas a distinguir seus fios loiros.
É como um déjà vu do nosso primeiro encontro. É agitado, borrado, confuso e com excitação.
Não, não é isso, não é como um déjà vu, minto, é como um delírio.
Como se a gente pudesse tudo agora. Poderíamos tanto.
Ele me beija com tanto fervor que não me deixa espaço para pensar em odiá-lo, tudo o que se passa pela minha cabeça é que eu quero mais e meu peito explode em saudades.
É tudo tão confuso, me sinto tão pequeno com suas mãos em minha nuca e seus lábios em minha boca. Adoro como o seu gosto me invade se impregnando na minha língua e como o cheiro de cigarro de suas roupas me faz pensar longe.
Odiá-lo? Como poderia?
Não sei o que fazer ou o que pensar, tamanha a surpresa que tive ao sentir ele aqui. Minha mente está nublada e minhas mãos, que antes estavam colocadas do lado do meu corpo, vão em direção ao cabelo do loiro sem que eu possa pensar sobre.
Estou perdido.
Completamente perdido por esse beijo.
O que você fez comigo?
Mas então, tudo para de repente.
Tudo acaba antes mesmo que meus dedos cheguem em seus cabelos, sua respiração está pesada e sua mão rapidamente se afasta da minha nuca. Me sinto confuso.
"Preciso fumar um cigarro." Andrew diz como se não fosse nada demais. Mas o estopim para tudo foi a manga de seu casaco ir de encontro aos lábios rosados, limpando-os.
O que você faz comigo?
Odiá-lo? Como não?
"Você é um babaca," minha voz saiu trêmula da raiva. Andrew nem se atreve a virar, continua se dirigindo até a sacada. "Sabia? Você é um grandíssimo filho da puta."
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Cigarettes Out the Window
FanfictionOnde Andrew sempre vai até Neil e fuma cigarros. Onde Neil respeita os limites de Andrew, ou pelo menos os aguenta. _ (fãs de aftg, onde estão vocês?)
