Capítulo 2

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Acordei na manhã seguinte com o toque do meu despertador, desliguei o mesmo e puxei minha coberta me cobrindo até a cabeça. Eu não queria levantar e enfrentar mais um dia naquele escritório, mas eu precisava daquele emprego mais do que nunca agora, não consegui enrolar muito tempo na cama e logo levantei. Escolhi minha roupa e fui direto para o banheiro, passei uma maquiagem só para disfarçar minha cara de zumbi pois não dormia bem há dias.

Desci e meus pais ainda estavam na mesa tomando café.

– Bom dia, filha. – meus pais disseram em uníssono.

– Bom dia! – respondi me sentando à mesa e pegando uma torrada.

– Como você está? – perguntou minha mãe.

– Bom, fora os vômitos e as noites mal dormidas. – mordi um pedaço da torrada e apontei para a jarra de suco de melancia – Estou bem, mãe. – respondi

Terminei de tomar meu café e olhei no relógio que estava no meu pulso percebendo que se demorasse mais 5 minutos me atrasaria e a última coisa que eu desejo é ouvir aquele ogro do meu chefe me chamando atenção. Levantei, dando beijo na cabeça dos meus pais que ficariam um pouco mais na mesa, peguei minha bolsa e a chave do meu carro e segui para o meu trabalho.

Entrei no escritório indo direto para minha mesa pois eu ficava num setor só com meu chefe, sim, eu era secretária do ogro, me sentei e não demorou muito para me subir um enjoou junto com ânsia, corri para o banheiro e lá eu fiquei por alguns minutos. Ninguém do escritório sabia da minha gravidez, nem mesmo meu chefe e era nesse único momento que eu agradecia por ficar sozinha naquele setor do escritório.

Logo depois do almoço Nicholas, meu chefe, resolveu que faria uma reunião, todos seguiram para sala de reunião, e eu fiz todas as anotações possíveis, quando terminou todos saíram e a lerdona aqui nem percebeu e continuou lá fazendo anotações.

– Katherine? – disse a voz rouca do meu chefe.

– Oi. – respondi dando conta que só estava eu e ele na sala.

– A reunião já terminou. Me encontre na minha sala o mais rápido possível – disse saindo da sala sem me deixar responder.

Ok, senhor mal educado, estarei lá a sua disposição. Revirei os olhos, catei minhas coisas da mesa e fui até a sala dele. Bati na porta e pediu para que eu entrasse.

– Pois não, senhor Benson. – disse me aproximando de sua mesa e não pude deixar de sentir o cheiro forte de seu perfume.

– Para começar preciso dizer sobre sua falta de atenção, tive que ir atrás de você na sala de reuniões porque não atendia o telefone da sua mesa, precisa ser mais atenta. E avisar que temos uma viagem na próxima semana para conhecer alguns novos investidores e dessa vez, eu vou precisar da sua presença pois eles são franceses e somente você fala francês. Preciso que compre as passagens e reserve um bom hotel o mais rápido possível. Está dispensada. – murmurou e eu assenti saindo de sua sala.

Viagem? Com ele? Só pode ser um pesadelo e eu já quero acordar.

Meu estômago embrulhou não só por cada dia esse homem ficar mais arrogante e insuportável, mas também pelo cheiro forte de perfume que estava naquela sala. Sai correndo mais uma vez até o banheiro, apoiei minhas mãos na pia e pensei: não sei nem se vou poder viajar, a médica pediu para repousar bastante (coisa que eu não tenho feito muito), não tenho nem 3 meses ainda. Se eu não puder ir, qual desculpa vou inventar?

Nicholas é um ogro babaca.

Se eu contar pra ele que estou grávida posso perder meu emprego, mas se continuar aqui nessa rotina louca eu coloco minha gravidez em risco.

Fiz tudo que ele me pediu e pedi para ser liberada mais cedo inventando que tinha que levar alguns documentos ao cartório, na verdade estava indo até minha médica para saber se poderia ou não viajar. Saí do meu trabalho e fui direto para o consultório. Chegando lá fui logo atendida porque era a última do dia, expliquei tudo para ela, fez alguns exames em mim e estava tudo bem comigo e com o bebê. 

– Kate, como vocês estão bem, não vejo problema algum em você viajar, porém tem que me prometer que vai tomar as vitaminas na hora certa e que vai repousar o máximo que puder, pois a viagem em si será cansativa para vocês. – comunicou.

– Doutora, você não sabe o tanto que eu estou aliviada em saber que poderei viajar mesmo não querendo, só vou mesmo porque é trabalho e meu chefe - dei uma pausa na fala. – Prefiro nem comentar, mas muito obrigada.

– De nada. Se precisar de alguma coisa, tiver alguma emergência ou sentir algo diferente pode me ligar. Aqui está meu número. – disse me entregando um cartão.

– Obrigada mais uma vez e desculpa marcar em cima da hora. – agradeci e fui embora.

Cheguei em casa e meus pais não haviam chegado ainda do trabalho, subi direto para o meu quarto, eu precisava de um banho e ainda tinha que ir pra faculdade. Eu só queria ter disposição para enfrentar esse restante do dia. Peguei uma roupa qualquer, minha mochila e fui para a faculdade. Encontrei Sofi na porta como de costume e contei tudo que tinha acontecido, óbvio que contei chorando porque eu já estava exausta de tudo aquilo mas eu precisava daquele emprego. Seguimos para nossas salas e até que a hora não demorou tanto a passar, logo saímos, levei Sofi para casa e enquanto dirigia ela não tirava a mão da minha barriga e me enchia de perguntas.

– Kate, essa criança não mexe? – perguntou me fazendo rir.

– Pelo amor, Sofi não tenho nem 3 meses ainda e acho que só mexe lá para os 5 meses. – disse rindo da cara triste que ela fazia.

– Poxa! Mas sei que ela vai mexer primeiro pra titia Sofi, não é bebezinha? – falou com voz boba olhando para minha barriga.

– Bebezinha? – murmurei rindo – Da nem pra saber o que é ainda, doida.

 – Você é uma estraga prazer, né bebê? Sua mãe é uma chata. – disse com a voz boba me fazendo rir.

– Pronto, tia bebezinha já está entregue. – murmurei estacionando. – Um beijo e até amanhã.

– Tchau pra você e beijo pra bebezinha. – disse saindo do carro e me jogando um beijo depois me fazendo rir.

Assim que cheguei em casa fui direto para minha cama, peguei meu notebook entrando no e-mail e já tinha chegado a confirmação do hotel e das passagens. Enviei para o Nicholas que me respondeu na hora com um "ótimo." Revirei os olhos – eu tenho que parar de ficar revirando os olhos – pensei para mim mesma. Desliguei o notebook e fui tentar dormir, mas estava sendo impossível dormir com tantos pensamentos. 

Não conseguia parar de pensar nessa viagem. Era tudo que eu menos queria e precisava nesse momento, uma viagem. Se eu contasse para alguém iam falar: "Paris, para de ser boba." Mas eu nunca imaginei ir a Paris a trabalho, mas sim, estar passeando de mãos dadas pelas ruas parisienses com meu verdadeiro amor ou até mesmo sozinha, não com o babaca do meu chefe. 

Coincidências do AmorOnde histórias criam vida. Descubra agora