Filadélfia, Pensilvânia, dias atuais.
Nos últimos dias, ele tinha pesadelos. Sobre capas esvoaçantes e sangue nos olhos, além de gritos de dor de pessoas que ele não conhecia, e sempre acordava bastante atordoado, com a irmã gritando perto dele, avisando que iria para a escola, como de costume. Os dois moravam sozinhos, mas tinham uma tutora, Valerie Martin. Os pais deles eram um caso perdido; o pai preso por ter matado cinco pessoas perto do Parque Fairmount e a mãe estava em um manicômio fora da cidade por ter tentado matar os filhos.
—Até logo, Isadora! Tenha uma boa aula. E eu vou procurar o que fazer.
—Eduardo, você devia procurar uma faculdade. Já mandou sua ficha escolar para alguma?
—Mandei. Dartmouth, Stanford e Harvard, além de algumas locais.
Ela afirmou com a cabeça, satisfeita com a resposta do jovem, que se dirigiu para a cozinha fazer café, enquanto Valerie tirava os pães da torradeira. Ele sentiu uma leve tontura, que o fez derramar um pouco do café, e ela o olhou preocupada.
—O que você tem?
Ele meneou a cabeça e foi para a sala assistir televisão, que para ele era incrivelmente relaxante. Valerie se despediu, bagunçando os cabelos do garoto, e minutos depois que o carro dela saiu, uma explosão foi ouvida e ele deixou o café em cima da mesa de centro e correu para ver o que era. Um carro na frente do de Val havia explodido, mas ainda assim era preocupante.
Um homem saiu do carro e caminhou até ela, os dois conversaram por um tempo, e no último segundo, os dois olharam na direção dele, dentro de casa, que sentiu mais uma dor de cabeça e notou o estranho vindo em sua direção. E aí veio. Uma voz mais séria, firme e poderosa.
E o pescoço do homem veio de forma magnética em sua direção. Mas não estava respondendo por si no momento, então estava sufocando-o. Os cabelos castanhos escuros sacudiram com a pequena ventania e os olhos azuis brilharam de um ódio vindo de algum lugar. Ao afrouxara mão, o homem o empurrou, e ele cambaleou para trás, por pouco não batendo no poste, e levantou o olhar, furioso, limpando o filete de sangue que escorreu perto da orelha.
Aproveitou o poste e se impulsionou para onde o homem estava, quase de forma desumana, acertando o estranho com dois socos no rosto, e logo depois, uma rasteira e ao ver o adversário no chão, pisou no tórax do mesmo.
—Quem é você?
—Você não falou para ele, Valerie? Afeiçoou-se a ele só porque ele tem o jeito do último que você cuidou?
—Não meta os mortos na história, Raphael. Não tem nada com os Roberts.
Ela suspirou pesadamente ao notar que o garoto a encarava com olhos furiosos e a questionando sobre algo que ele não sabia.
—Eduardo, eu vou explicar tudo quando sua irmã chegar. Não quero ter que repetir a mesma historia para cada um de vocês.
Raphael, ainda no chão, fez uma cara de riso, quase que zombando dela.
—Ora, Val. A historia dos dois são muito diferentes, como água e vinho, não tem motivo de você contar historias separadas. Garoto me deixe levantar aqui, que eu explico a historia bem melhor do que ela.
—Por que eu deveria acreditar em você?
—Porque eu sei mais detalhes, justamente os que ela não sabe.
Eduardo apenas ignorou, e tirou o pé de cima do tórax de Raphael, que parecia intacto e que apenas limpou a camisa e sorriu. Não havia gostado de apanhar para um garoto, mas tinha que admitir que era bom de luta. ''Se ele lutar assim vai ter até sorte lá. ''
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A lenda da capa negra
FantasyUma antiga lenda nunca antes contada. Dois lobos e dois capuzes. Preto e vermelho. Diferentes histórias que se cruzam no caminho, um loop infinito, uma maldição para ser quebrada, uma caçada sem fim para o culpado. Um rei ganancioso que quer sangue...