Depois que partiram de Capel Curig, passaram algum tempo em uma cidade pequena e partiram para Cadelivia a pé e acabaram por ter mais tempo para conversar sobre o que havia acontecido na cela naquela noite. Ian dizia que nunca se sentiu tão ameaçado naquele momento.
—Ah, desculpe. Eu não... quis assustar ninguém, só tentar te trazer de volta ao mundo normal. Você estava uma fera incontrolável que eu tive que executar uma magia para prender você. E seus olhos pareciam perdidos.
—E como meus olhos parecem pra você agora?
—Parecem mentirosos. Você está escondendo alguma coisa de mim, algo que me faria ficar muito irritado e perder o pouco de confiança que tenho em você.
Ian se retesou e olhou para o lado, como se Eduardo tivesse acertado em cheio e disse que era melhor pararem, já eram cinco horas de viagem, mesmo que fosse na floresta já que era melhor para se esconder do que em uma hospedaria barata onde o dono os entregaria de volta para Asteria.
Mas não notou que o olhar do jovem estava preocupado com outras coisas, a floresta era o de menos, já que tinha pesadelos constantemente. Era confuso, ele era rei de Asteria e Ian estava em uma jaula na masmorra, completamente fora de si, uma fera descontrolada. E ele sempre o visitava e acabavam tendo sexo. E sempre nessa parte, ele acordava sobressaltado com uma frase na cabeça: ''Não posso te deixar partir, você ficará comigo mesmo que não possa mais me ouvir. ''
E tinha certeza que sonharia com aquilo novamente. E que choraria silenciosamente enquanto dormia com medo daquilo acontecer. E de que Ian estaria descansando enquanto ele tinha pesadelos de dar agonia, já que no sonho, ele próprio enquanto sonhador, não era capaz de sentir nada e tinha um constante peso no coração, como se o seu eu verdadeiro estivesse preso na própria mente, com uma culpa constante.
No meio da noite, acordou mais uma vez, sobressaltado e notou Ian do lado dele, sentado com uma expressão preocupada e quase debruçado em cima.
—Está tudo bem?
—É meio óbvio que não estou bem. Eu tive a merda de um pesadelo pela quinta vez seguida no dia, e você ainda me faz responder se estou bem.
—Eu não vou adivinhar. Bem, o que tinha esse pesadelo?
—Bem, como vou explicar. Eu estava em algum lugar do castelo de Carminle, reclamando sobre como deveria me preparar para a guerra, até um dos meus soldados falar que a fera dentro das masmorras estava ameaçando quebrar as barras de metal da cela e ninguém tinha coragem de entrar lá. Lembro-me de ter resmungado um ''covardes'', e caminhei até a masmorra em passos lentos, se bem que pareceu um caminho bastante comprido então fui devagar propositalmente. Quando cheguei à masmorra, sorri ao olhar para a cela toda destruída da fera e caminhei até ela, passando a mão em seu rosto. E falei um nome que eu não conhecia. Gabriel. E beijei a fera, que com garras começava a me arranhar e as presas a me machucar, mas eu não me importava, e um pouco depois eu estava... fazendo sexo com a fera. E eu sempre acordo nessa parte, então não pergunte detalhes.
Mas Ian não falou nada, apenas abraçou Eduardo, que confuso, começou a soluçar nos ombros reconfortantes e quando se deu por si, estava chorando desconsolado. Até se sentiu um pouco carregado, e quando olhou para o céu notou-o cheio de nuvens pesadas com gotas grossas e tudo que uma nuvem de tempestade poderia oferecer.
—Ai. Acho que bati minha cabeça em um galho de arvore agora. É... Ian, por que você esta me olhando desse jeito? Como se fosse me encher de carinho só porque chorei. Não preciso de tudo isso.
E quando se deu por si, havia batido a cabeça em um tronco de um carvalho e ficou cara a cara com um Ian de expressão nublada e que logo passou a mão em seu rosto, contornando cada traço: as orelhas, o nariz, o canto dos olhos e a boca. E sem querer, nervoso, mordeu o dedo que estava sobre os lábios dele.
Arrependera-se amargamente daquilo. Os dedos eram forçados na boca, que continuava fechada. Os dedos pararam, e então vieram os lábios, urgentes e clamando por atenção, com os dedos procurando algo para se apoiar, enquanto a língua pedia passagem. A capa foi a primeira a cair no solo lamacento da floresta, enquanto a boca de Ian mordia e lambia o pescoço de Eduardo, que não tendo onde se agarrar tinha as mãos ao redor do pescoço do outro.
Como um verdadeiro animal com sentimentos, os mesmos locais onde ele havia mordido ele começara a encher de beijos cálidos e desesperados, enquanto o outro se debatia no chão, ameaçando sujar os dois de lama e barro.
—Você podia ao menos ficar quieto.
—Ficar quieto? Você nem sabe os efeitos colaterais disso em mim e está fazendo coisas que eu não tenho certeza se quero.
—Como você pode ter tanta certeza? Sabe que seu corpo não mente, não sabe?
—Claro que sei. Eu...
—Então se observe. Você está confundindo excitação com nervosismo. Não acredito que vou ter que ser seu professor até nisso.
Eduardo resmungou enquanto ficava levemente corado, não era acostumado com assuntos como esse, e não tinha nenhum adulto para falar na época da puberdade, então sendo um jovem adulto era meio complicado não saber como fazer sexo. Enquanto ficava nas lembranças da adolescênciainfame, Ian o provocava com toques por cima da camisa e por cima da calça. Estava tão distante que a sensação veio de uma vez, e ele gemeu. Enquanto ele queria se enfiar em um buraco de vergonha, o outro parou repentinamente e riu.
—Pare de rir de mim! Isso não tem graça!
—Não é por isso. Só foi a cara que você fez. Lembra-se do seu pesadelo? Ele não vai acontecer. Se acontecer do rei te amaldiçoar antes de morrer e você for condenado a não amar, eu destruo essa maldição, sem virar fera ou coisa alguma. Pode parecer estranho, mas você seria um rei melhor do que ele, já que de alguma forma, sente empatia pelos outros ou não teria salvado a filha daquela senhora ou me dado uma bronca quando me viu todo sujo de sangue e completamente assassino. Só um ser humano que sente que é seu dever ajudar, já é bem melhor do que um que faz jogos mortais com eles.
—Complicado você. Malditas fases lunares, acho que vou atrás de um calendário desses até chegar a Cadelivia. Ei Ian, posso perguntar uma coisa? Se você voltasse para Asteria antes de chegarmos a Rhuld, por que você faria isso? Medo ou sei lá... é... covardia?
— Se eu chegar a fazer isso pode ter certeza de que vai ser por um bom motivo. Posso parecer que estou traindo sua confiança, justamente para te motivar a fazer uma coisa que já queria fazer a tempos. Imagine a situação: Eu fugiria para Asteria, mas talvez você não soubesse. Se sentiria tão motivado a matar o rei só de pensar que fui coibido a ir ou ele mandaria a caçadora atrás de você.
—Bem... isso está certo. Mas posso te pedir um favor? Não me deixe excitado e depois pare de repente, pelo menos termine o serviço.
—Se você diz majestade.
''Mas você não quer isso. Eduardo pare com isso. Você não quer se sentir usado pela pessoa que você está começando a confiar quer?''
—Eu não sei. Eu não sei.
Enquanto repetia aquelas palavras para si, Ian o encarava espantado. O que ele não sabia? O que ele estava sentindo, seria influência de Black ou eram as próprias inseguranças vindas à tona? Ele apenas viu Eduardo pegar a capa, colocar ela de volta no lugar e caminhar para onde estavam antes, onde a chuva caía mais e ficou lá em pé, com a capa cobrindo o rosto, provavelmente para esconder as lágrimas.
''Você sabe que matará o rei, Eduardo. Não tem como evitar o que vai acontecer. Quando você terminar de falar com a rainha de Rhuld no baile, vai sentir tanta raiva da família Hawklight de Asteria que você vai direto mata-los e tomar Ian para si. Você quer que a maldição seja quebrada e não quer ser amaldiçoado. Difícil. Sempre tem uma consequência. Mas agora, se você acha que é melhor ir a Cadelivia andando na tempestade, vá e pegue um resfriado. Ninguém faz uma viagemdoente. ''
Quando Eduardo olhou para onde Ian estava, o olhar se tornou sério e brilhou juntamente a um raio.Quase um predador natural. Caminhou até onde estava sentado com o lobo, sentou e caiu no sono e daquela vez não sonhou com nada. Mas deu uma vantagem a Ian, que agora sabia o que o fazia fraco: o excesso de confiança nas pessoas erradas, o medo de ser abandonado e trocado e de perder alguém que ama.
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A lenda da capa negra
FantasiUma antiga lenda nunca antes contada. Dois lobos e dois capuzes. Preto e vermelho. Diferentes histórias que se cruzam no caminho, um loop infinito, uma maldição para ser quebrada, uma caçada sem fim para o culpado. Um rei ganancioso que quer sangue...
