Norin Milner: O Lobo Mau. Difícil de ela acreditar que um vilão poderia ser tão bonito como ele era. Ela diria o mesmo para a arrogância, mas vilões eram naturalmente assim. Desde o momento em que pisou no castelo de Carminle e viu o rosto dele pensou que tinha visto a face da maldade em pessoa. Assim como o rei e o príncipe. Mais tarde, estranhou o sumiço do irmão e de outro que ela não lembrava o nome.
—O estranho é que ele não me falou nada. Ele nunca sai sem me avisar.
—Talvez meu irmão tenha convencido o seu com uma mentira. De que ele já havia falado para você sobre a saída. E seu irmão, provavelmente desesperado para sair desse castelo, acreditou.
—Como sabe dis...? Ah, seu irmão. Só podia ser de família mesmo. Acho que seu irmão é um pouco doente.
—Ele é assim desde a primeira pessoa que morreu. Desde o segundo. Vive dizendo que melhora, mas nunca faz isso. Não é a toa que os que vieram antes de vocês morreram quando iam embora de Asteria. A garota foi torturada e o garoto caiu em uma armadilha plantada. E meu irmão estava lá, então pode concluir um pouco da loucura de proteger dele vem de muito antes. E eu nem sou assim. Os que ficam sob minha guarda são sempre os mais racionais, que procuram respostas em lugares mais seguros, mas não significa que eles não lutavam. Os dele são sempre os mais impulsivos.
Ela suspirou, passando a entender um pouco mais daquilo. De fato, era mais racional que o irmão. Procuraria na biblioteca do castelo sobre a maldição. ''Tenho certeza de que deve ter uma resposta aqui dentro também, já que foi aqui que começou tudo. Só espero que Eduardo tenha cuidado. ''
E assim se passou um mês, e Norin lhe falava a possível localização de Ian e Eduardo, que se dirigiam a cidade portuária de Fairbrough, de onde pegariam um navio para algum outro continente, e que pararam na pequena vila de Lonnec.
—Mas o que eles vão fazer lá? É tudo completamente abandonado. Mas eles não devem saber disso. Estão famintos. Deve ser coisa do rei Romulus, pregando a primeira peça, já que ficamos a maioria do tempo na biblioteca, ele poderia planejar em voz alta sobre o que fazer com seu querido irmão.
—Ah, já não vou com a cara dele, e ele ainda quer matar meu irmão. Norin me passa aquela espada pregada na parede que eu vou enfia-la na cabeça dele. Que rei sem miolos.
E como resposta, ele riu, mostrando as pequenas presas que tinha nos dentes. A única coisa que ela achava charmosa nele. Com raiva, lançou um livro pesado na cabeça dele, que protestou baixo.
—Seu idiota!
—Desculpe, é que eu nunca vi ninguém com tanta coragem para falar que vai matar o rei. O ultimo foi parar na guilhotina.
—Parente de Hitler, esse rei. Ah, coisa da história do meu mundo sabe. A Alemanha Nazista, Adolf Hitler, o Fuher. Causou uma guerra mundial e tudo mais.
—Ah, entendi. O mundo de vocês certamente deve ter uma história bastante interessante, Isadora.
Aqueles olhos que emanavam perigo constante estavam a encarando, a analisando completamente. Olhos prateados e perigosos e tinham um perfeito contraste com a pele queimada. ''A combinação perfeita de perigo. Por que tinha de ficar logo comigo? Já tenho problemas de concentração e com isso aí... eu nunca mais me foco em alguma coisa.''
Largou o outro livro grosso da mão, ajeitou a capa e a roupa de caçadora que passou a usare colocou a espada no cinto, e saiu da biblioteca, com um lobo preto no seu encalço, farejando qualquer coisa anormal. ''Isadora, o rei e o príncipe estão discutindo no grande salão. Tenha cuidado ao passar por lá. Lembre-se do que eu lhe ensinei sobre se manterinvisível. ''
Atravessou calmamente, com os pés mal fazendo barulho e se escondeu atrás de uma coluna de mármore para ouvir a conversa.
—Fiquei sabendo que a tia voltou pai. Ela vai caça-los, não vai?
—A Clarissa? Leon, meu filho, se ela não ataca-los, o que ela faria com o trabalho dela? Só basta descobrir para onde eles estão indo. Ainda não saíram de Lonnec, e acho que partem mais ou menos no meio do dia de amanhã. E vai levar algo em torno de uma semana ou duas para chegarem a Fairbrough, então podemos assumir que ela terá muito trabalho de segui-los sem ser vista.
—Ainda bem. Diga pra ela que eu quero aquele plebeu vivo, para eu mesmo mata-lo, e se ela quiser pode torturar um pouco. Não vai fazer mal.
Para Isadora, ela já tinha ouvido o suficiente e resolveu sair, e por descuido, o sapato fez um leve barulho e quase foi vista. Quando saiu e ficou no imenso corredor para os quartos, suspirou pesadamente e socou a porta de um quarto. E ao socar pela segunda vez, Norin segurou seu pulso e a olhou.
—Não vá agir por impulso, Isadora. Se acalme.
—Com você por perto não adianta nada. Eu estou ficando muito confusa sobre agarrar você nesse corredor ou te arrastar para meu quarto e te colocar uma coleira.
''Ah nossa, eu não falei isso. ''
—Que bom ouvir isso de você. Já estava estranhando suas atitudes durante o treinamento. Se assustando sempre que eu tocava em você, e acabava derrubando a espada e os ataques saiam pela culatra. Sinceramente, espero que você acate a segunda opção.
—Nossa Norin, não sabia que você gostava de ser dominado.
—Que se dane meu bom senso, Isadora.
Antes que ela emitisse um som, ele a havia beijado. Assustada, começou a chutar, mas as pernas estavam presas entre as dele e então ela raciocinou que precisaria chuta-lo e no esforço, machucou o calcanhar dele.
—O que você esta fazendo? Isso não vai ajudar em nada.
''Tudo vindo do Norin é mais intenso, apesar dele ficar com os racionais. É como se ele impedisse que você se tornasse como ele e seja o cérebro da dupla. Não o culpe. E antes que você pergunte, sou uma das que vieram antes de você. Agora se foque em sentir algo vindo do seu irmão, ele está em apuros. Sérios apuros. ''
E ao sentir uma dor excruciante, correu para fora do castelo, passou pelos portões e pela ponte levadiça, por Twillingate e parou no meio da trilha.
—Droga, Eduardo, por que não se aquieta por um tempo? Você deveria ir... espera. Isso está estranho! Supostamente eram para eles irem amanhã! Por que foram hoje? Ai que droga!
—Preocupada com seu irmãozinho, Chapeuzinho? Não se preocupe, ele vai ficar ótimo depois que eu arrancar cada osso dele.
—Mas quem é você?
—Não é obvio? Eu sou a sombra.
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A lenda da capa negra
FantasyUma antiga lenda nunca antes contada. Dois lobos e dois capuzes. Preto e vermelho. Diferentes histórias que se cruzam no caminho, um loop infinito, uma maldição para ser quebrada, uma caçada sem fim para o culpado. Um rei ganancioso que quer sangue...
