Continuação de Sábado, 21 de julho de 1860.
Após a saída do Sr. dos Santos, fiquei sozinho em meu escritório, ansioso para discutir assuntos mais sensíveis com o Sr. Lucas da Silva. Ele chegou logo em seguida, e a atmosfera no escritório ficou tranquila, com a luz suave da manhã iluminando o ambiente.
— Lucas, meu amigo, há questões importantes que precisamos abordar. — Comecei a falar, escolhendo minhas palavras com cuidado.
Lucas assentiu com respeito, demonstrando que estava pronto para ouvir.
— Primeiramente, quero falar sobre o Jornal Notícias da Alvorada. Como estão indo às vendas e a receita do jornal? — Perguntei, ansioso para ouvir boas notícias.
Lucas sorriu, demonstrando satisfação.
— Senhor, fico feliz em informar que nosso jornal tornou-se o mais vendido em todo o Brasil. Grande parte desse sucesso se deve à nossa abordagem positiva sobre o país e à criação de rumores sobre um programa futuro de imigração. Pois sabia da importância disso, especialmente considerando a ideologia do branqueamento que permeia nossa sociedade há quase uma década.
— Isso é ótimo! — Exclamei, animado. — É importante que o jornal esteja ajudando a promover o Brasil e influenciar a opinião pública.
Ele parou por um momento, soltando um grande sorriso.
— Além disso, vendemos uma parte significativa do jornal para outros países, o que aumentou ainda mais nossos lucros — continuou o Sr. Lucas. — Empresas e comerciantes estão ansiosos para anunciar em nossas páginas, alcançando nosso vasto público, principalmente estrangeiro.
— É uma ótima notícia — disse eu. — A publicidade é uma fonte importante de receita para o jornal.
Enquanto a conversa avançava, Lucas compartilhou suas preocupações.
— No entanto, é importante mencionar que, para manter nossa independência editorial e evitar a censura, tenho usado métodos criativos para equilibrar os interesses de nossos anunciantes com nossa integridade jornalística.
— Entendo — respondi. — Sei que isso não é fácil.
— Embora tenhamos conseguido contornar esses desafios até agora, temo que não possamos mantê-los sob controle por muito mais tempo — continuou o Sr. Lucas. — A pressão da censura e influência externa está aumentando.
— Isso é preocupante — disse eu. — Precisamos encontrar uma maneira de manter o jornal independente e livre de interferências externas.
— Estamos trabalhando nisso — garantiu o Sr. Lucas.
— Agora, gostaria de discutir nossos planos para o Notícias da Alvorada — disse eu.
— Com o crescimento do jornal, decidimos que é hora de expandir nossa influência no interior do país — explicou o Sr. Lucas. — Queremos garantir que as pessoas em todas as regiões tenham acesso ao Notícias da Alvorada. Além disso, planejamos contratar jornalistas independentes em toda a América Latina para ampliar nossa cobertura internacional.
O príncipe Henrique olhou para o futuro com determinação.
— Isso exigirá um investimento substancial dos nossos recursos, mas é crucial para nosso sucesso contínuo. Precisamos manter nossa posição como um dos principais meios de comunicação do Brasil e continuar a influenciar positivamente a opinião pública e as políticas do país.
— Concordo — disse o Sr. Lucas. — Estamos preparados para o desafio.
— Ótimo — disse eu. — Vamos trabalhar juntos para fazer do Notícias da Alvorada um jornal ainda mais influente e relevante.
O Sr. Lucas assentiu com entusiasmo.
— Eu também estou animado com o futuro do jornal — disse ele.
Aproveitei o momento de privacidade e mudando de assunto, perguntei a ele sobre a viagem de dele pela América Latina.
— Lucas, compartilhe comigo detalhes de sua viagem pela América Latina. Quais foram os países que você teve a oportunidade de conhecer e quais impressões trouxe dessas nações?
Lucas refletiu por um momento antes de responder à pergunta do príncipe.
— Vossa Alteza, minha viagem pela América Latina foi relativamente breve, o que limitou minha exploração mais aprofundada de cada país. No entanto, passei por algumas nações interessantes. Visitei a República da Bolívia, o Chile, a Confederação Argentina, os Estados Unidos da Colômbia e o Paraguai.
As palavras de Lucas instigaram ainda mais a minha curiosidade, levando-o a indagar especificamente sobre a região de Antofagasta, na Bolívia.
— Lucas, você mencionou a Bolívia. Você teve a oportunidade de explorar a região de Antofagasta como eu havia lhe pedido antes de sua viagem? Como estava a situação por lá? Tenho um interesse particular nessa área, especialmente em Tocopilla.
Lucas, embora não fosse um especialista em questões técnicas, respondeu com sinceridade.
— Sim, passei por Antofagasta e Tocopilla. Embora eu não seja versado em detalhes técnicos, parece que a instalação de um porto em Tocopilla não enfrentaria grandes obstáculos, se essa for uma possibilidade que o interessa. A localização geográfica é favorável, e a região demonstra potencial para o desenvolvimento portuário.
Assenti agradecendo pelas informações e já planeando mentalmente para explorar futuras oportunidades naquela área específica.
— Suas observações são valiosas, Lucas. Elas poderão contribuir significativamente para nossos planos. Continuaremos acompanhando de perto o desenvolvimento da América Latina e as oportunidades que podem surgir em diferentes regiões.
A conversa continuou adentrando em mais detalhes sobre a viagem e os projetos futuros relacionados ao jornal e a outros empreendimentos.
À medida que a reunião chegava ao seu término, eu expressei meus sinceros agradecimentos pela presença de Lucas e pelas informações valiosas compartilhadas durante o encontro.
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Eu sou o Filho do Imperador do Brasil
Fiction HistoriqueATUALIZAÇÃO: Provisoriamente pausado. Eu sou o filho do imperador do Brasil, Henrique, nascido em 1848. Em um mundo quase igual ao seu. Minha busca por riqueza e poder é registrada neste diário, revelando uma jornada repleta de intrigas, reviravolta...