Ceren, agora rainha, tinha todo um reino para comandar, e estando rodeada de pessoas não tão confiáveis. Uma semana após sua coroação Ceren revela ao povo de Meiátre que seu reino não vai mais se envolver na guerra de forma direta, poucos foram os cidadãos que se opuseram a decisão da nova rainha.
Algumas semanas passaram-se e a neve do inverno já era quase inexistente, Ceren já sabia o que estava por vir e começou os preparativos para uma grande visita, logo em alguns dias todo o reino pode ouvir os sinos que soavam longe nas montanhas cinco badaladas dizendo a todos a que se aproximava de Meiátre uma comitiva, todo o palácio então começou a se mobilizar para organizar tudo para a chegada de alguém muito importante, o governante e representante de Darta, que viria ao encontro de Ceren para discutir a saída de Meiátre da guerra, todos os empregados limpavam ou cuidavam de alguma coisa, Ceren estava em seu quarto arrumando-se, quando foi abordada por um mensageiro que trazia uma mensagem da fronteira com Kosân, a comitiva não era do governante representante e sim do rei supremo que viera muito de muito longe do sul, da capital central para vê-la.
Ceren desceu ansiosa e receosa aos portões do palácio após receber tal noticia, um tempo depois os grandes portões da muralha do palácio se abriram revelando uma comitiva com mais de 200 pessoas entre guardas e empregados todos montados em animais à frente uma carruagem puxada por enormes gouguelotts brancos com chifres cobertos com cristais e ouro, logo atras outra carruagem dourada um pouco menor coberta com um tecido violeta bordado com flores e coroas, ambas pararam aos degraus da escadaria que dava ao palácio, então duas pessoas carregando um enorme tapete roxo com fios dourados subiram correndo os degraus os revestindo com o tapete, logo depois abriram-se as portas das carruagens de onde saíram um homem da maior que estava a frente e uma mulher da menor, ambos tinham pele clara, cabelos escuros e olhos verdes, eles usavam roupas nobres do mais fino tecido, logo ouviu-se trombetas e tambores anunciando o rei supremo de Iziláy e a sua filha mais velha, princesa Istéll, eles começaram a subir a escadaria ate Ceren que estava curvada com a mão no peito assim como todos que estavam lá, eles entraram ignorando Ceren que deixou de se curvar enquanto o portão se fechava atrás dela depois de algumas pessoas seguirem eles, Ceren vai atras deles passando de quase 50 pessoas para pôr-se a frente do rei.
— Vossa graça, é um prazer imensurável estar em sua presença — disse Ceren com a cabeça baixa.
— Vejam se não é a rainha, da ultima vez que a vi era apenas uma criança... eu, lamento a morte de seu pai e de sua mãe — o rei disse com um olhar acolhedor.
— Agradeço vossa graça, eu irei lhes mostrar o palácio.
— Não há necessidade — disse a princesa — leve-nos a sala de reuniões, nós temos
assuntos a tratar.
— A, sim, claro, por aqui — Ceren falou apontando o caminho.
Ceren os levou a uma grande sala com uma mesa circular, lá o rei apresentou seu receio quanto a saída de Meiátre da guerra pois era um dos poucos reinos que faziam fronteira com o pais dos elfos mágicos e discordou da decisão imprudente de Ceren que era apenas uma criança e não sabia o que fazia, ela por sua vez o mostrou o quanto a guerra era prejudicial para Meiátre, mesmo que com a vinda de tropas o reino tenha se reestruturado após a guerra sombria, Meiátre não se mostrava capaz de manter tantos soldados, as pessoas estavam passando fome e frio enquanto as tropas tinham fartura e conforto. Ceren e o rei passaram horas em uma discussão inacabável, acabou que nenhum dos lados cedeu em sua decisão porem o rei não desistiria tão fácil.
Na manhã seguinte enquanto Ceren comia no jardim observando os guardas do rei andando pelo palácio a princesa Istéll a abordou.
— Bom dia vossa alteza — disse Ceren — porque não se junta a mim.
— Claro, por que não.
— Posso perguntar o porquê de tantos guardas.
— Você percebeu, é em caso de outro ataque.
— Ataque?
— Sim, como o em que você foi...
— Eu lhe garanto que meus guardas são mais que suficien — Ceren dizia se exaltando.
— Se fossem você não teria sido levada. Rainha eu gostaria de saber porque você desperdiça essa oportunidade.
— O que você quer dizer.
— Você tem a oportunidade de exigir o que queira ao meu pai, porém não o faz, porque.
— Porque o que eu quero, é a paz, e nada que seu pai faça vai traze-la ao meu povo.
— Se vencermos esta batalha a paz chegara a todos os povos — a princesa dizia com brilho no olhar e uma voz esperançosa.
— Esta batalha, nunca terá fim, você não vê? É inevitável que esta guerra será algo que marcara Plakay para sempre, e o que qualquer um ganhará com isso — Ceren dizia antes de sair de lá.
Mais tarde naquele dia durante o almoço onde Ceren, o rei, a princesa e algumas outras pessoas importantes estavam.
— Senhor Meiloy, traga — o rei disse quebrando o silencio e es sussurros.
Um homem logo entrou no salão com um caixote cheio de feno e o pôs no centro da mesa tomando o lugar de um vaso com flores.
— Vossa graça o que significa isso — questionava Ceren indignada.
— Ê uma coisa nova que minhas equipes vêm desenvolvendo, senhor Meiloy, por favor explique-os.
— Sim, os Téreiros a descobriram, eles chamam de pó cabum, eles usam na construção de suas cidades em cavernas, nos então temos desenvolvido para ser usado como arma — Meiloy um homem de uns 40 anos som olhos e cabelos castanho claro dizia enquanto abria o caixote e de dentro tirava um cilindro de ferro com uma corda saindo para fora, algumas bolas de metal e uma caixa com um pó cinza escuro dentro.
— E o que isso faz exatamente — disse um dos generais de Meiátre.
— Atira! Mais forte que uma clava, e mais rápido que uma flecha, ele atira. eu vou demonstrar-lhes — disse o homem pondo um pouco do pó dentro do cilindro e logo depois uma bola.
— Espere! já basta, aqui, vossa graça, aqui no Norte, não é de bom tom trazer armas a mesa, não sei bem como é lá no Sul, mas aqui essa é uma regra importante, e eu não tolerarei suas ameaças contra mim e contra meu rei...
Ceren foi interrompida por uma forte explosão e um estrondo tão forte que sequer alguém ouviu o som da janela ser estilhaçada, enquanto a mesa de mais de três metros em um palanque virou derrubando tudo, todos estavam tapando as orelhas e ouvindo um zumbido agudo, enquanto a princesa e mais alguns estavam caídos no chão por baixo da mesa, Ceren encarava aquela coisa fixamente com medo do que aquilo significaria no decorrer da guerra.
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O Lado Oposto
Fantasyno meio de uma guerra entre espadas e magia uma princesa entra em uma aventura no lado inimigo e isso abre os seus olhos.