De volta ao meu cativeiro, mas naquele momento, eu estava feliz por estar ali e não naquele chiqueiro perdido no meio do tempo. Eu vim chorando no colo de Jong Ho por todo o trajeto e o mesmo tentando me assegurar que estava tudo bem e que iria me proteger. O pânico não me deixou pensar sobre o beijo concedido, então ignorei. Choi confessou estar um tanto quanto farto de ter as suas coisas roubadas de si. Depois desse episódio traumatico, até resolvi não ser um traquina. Fui tomar banho e Min Gi se encarregou de jogar a roupa podre fora. Me deram uma escova de dentes. Eu estava cheiroso e arrumado e assim pude contar quantas horas fui torturado por Seong Joong --- umas 7hrs longe de Choi. Ele estava no sofá ainda segurando o braço quando me percebeu.
ㅡ Ah, terminou? Pode ir comer. Eu comprei bastante frango frito e sorvete de sobremesa. Só não sabia de qual sabor você gosta, então trouxe de napolitano. ㅡ Falou com um sorriso quase morto. Suspirei e me aproximei de si.
ㅡ O que aconteceu com eles, você os matou? ㅡ Questionei curioso. Ele deu uma risada soprada.
ㅡ Ficaram sem munição e resolveram fugir. Sempre estão fazendo isso mesmo. Somos rivais de contrabando, mas eu sou mais esperto e mais rico. Também estavam de olho no meu diamante. Mas você sabe... ㅡ Ele respirou fundo. ㅡ Eu saí pra comprar mais comida e mais roupa pra você, mas cheguei e encontrei tudo revirado. Quando não te vi aqui eu entrei em desespero. Eles roubaram algumas coisas de mim, mas nada disso me vale, eu só queria que você estivesse bem. Prometi que não ia machucar você, e não posso deixar que ninguém faça isso. Se você morrer, eu nunca irei me perdoar, Yeosang. ㅡ Encarei seus olhos tristes e ao mesmo tempo sinceros. Minhas bochechas ficaram coradas e eu suspirei.
ㅡ Obrigado por me salvar. ㅡ Dei a volta no sofá e sentei ao seu lado. ㅡ Deixa eu cuidar desse seu ferimento antes que infeccione. ㅡ Examinei com cautela recebendo seu olhar supreso. Ele tinha sido atingido por uma bala, mas por sorte foi de raspão. ㅡ Onde está a caixa de primeiros socorros? ㅡ Olhei para os lados vendo se conseguia a achar por telepatia.
ㅡ Você está mesmo querendo tratar a pessoa que te sequestrou? ㅡ Me fez olhar para si imediatamente.
ㅡ Claro, eu dependo de você pra comer. ㅡ Apontei seu peito. ㅡ E a pessoa que me sequestrou de alguma forma é a única que pode me levar de volta pra casa. Você morre e eu morro. ㅡ Apontei de novo e ele deu uma risada soprada.
ㅡ Seu peste. ㅡ Fez carinho no meu cabelo. ㅡ Está na cozinha, a caixa. ㅡ Concordei. Prestei atenção no caminho, eu estava livre, meus pés e mãos soltos, eu podia passar pela porta da cozinha adoidado e encontrar a liberdade. Engoli a seco, com a caixa na mão. Eu ainda podia me armar com uma faquinha e tentar algo contra Choi, mas eu estava muito debilitado. Meu interior sofria com o dilema. Ele tomou um tiro para me salvar, quando simplesmente poderia me abandonar lá para morrer. Meu pai me deu como garantia, não foi...
ㅡ Vai ser bem rapido e não vai arder. ㅡ Sorri, esperando ele se livrar da blusa social. Resolvi confiar no que eu mesmo disse, acreditar que Jong Ho vai sim me devolver a minha família cedo ou tarde.
ㅡ Yeosang, na hora lá... Você me chamou de 'Jongie'. Descobriu meu nome? ㅡ Congelei, engoli a seco, assim como Yun Ho que acabou ouvindo a pergunta crucial.
ㅡ E-eu... É, no seu quarto... Tinha alguns papéis com esse nome escrito. Me desculpa. Eu vou continuar te chamando de Gummy Bear. ㅡ Yun Ho soltou o ar que não viu ter prendido e voltei a limpar seu braço injuriado.
ㅡ Tudo bem, você pode me chamar de Jong Ho. ㅡ Sorriu simpático e minhas bochechas flamejaram ainda mais.
Depois de tratar sua ferida e fazer um curativo de responsa, fomos a caminho da mesa comer frango frito e em seguida esperar o tempo passar.
( ... )
O fim do dia 5 foi marcado por isso. Eu não podia dormir no quarto trancado porque a porta foi arrombada e Jong Ho ficou um tanto quanto sensitivo com as cordas --- não queria vê-las tão cedo. Vi Yun Gi se tratando com carinho no sofá, talvez fossem amantes ou coisa assim. Eles não estavam feridos, o que era uma coisa boa. Fui para meu canto por ter me acostumado com ele quando vi Jong Ho recarregando as armas com bastante habilidade. Eu podia dizer que era até um pouco excitante. Fiquei bobo apenas o observando, era melhor do que ficar olhando as paredes.
ㅡ Você gosta? ㅡ Questionou me subtraindo dos devaneios. Engoli a seco e ele deu uma risadinha de canto. ㅡ Vem aqui. Quer segurar? ㅡ Meu corpo tremelicou ainda mais, mas como eu estava sendo obediente, atendi seu pedido. Ele ficou atrás de mim, senti a respiração quente na nuca.
ㅡ Jong Ho! Não se machuque. ㅡ Entortei as sobrancelhas por vê-lo se esforçar. Ele apenas deu uma risada fraca depois de um gemido e colocou o revólver na minha mão direita. Meu corpo se domou de adrenalina, um fervor que repentinamente subiu. Aquele pequeno aparato que podia acabar com uma vida num piscar de olhos. Ao mesmo tempo que me encantei com seu tom metálico, fiquei cheio de medo. Uma coisa tão poderosa assim... Não deveria estar em mãos erradas. Enfim, Jong Ho se aproximou mais e mais, praticamente colou o corpo no meu e levantou meu braço, que tremia um pouco.
ㅡ Seja confiante, Yeo. Pra usar uma arma você precisa, primeiramente, de calma. Daí é só por o dedo no gatilho. ㅡ Ri soprado e me virei para ele, apontando o revólver para ele. Diferente de mim que via a foice da morte toda vez que fazia isso, ele não tremeu nenhum pingo, sequer piscou com os olhos. Droga.
ㅡ Eu sei, Jong Ho. Eu era profissional naquele jogo do Polystation, de atirar em passarinhos. Estou tremendo de fome. ㅡ Falei com a cara enfezada. Ele sorriu com as bochechas coradas. ㅡ Mas você não tem medo, que eu te mate assim se me ensinar a atirar? ㅡ Coloquei o dedo no gatilho, mesmo sem pretender soltar.
ㅡ Você é malditamente fofo. Mesmo se você me matasse eu morreria feliz. ㅡ Meu coração deu um leve palpitar. Ele tocou minha mão estendida em sua direção de novo e apontou outra arma para mim. ㅡ Atira, Yeosang. Acha que eu sou bobo de te dar uma arma carregada? ㅡ Atirei, mas não saiu bala alguma, nem houve papoco de nada. Mesmo assim, ainda era uma euforia sem tamanho segurar um revólver.
ㅡ Droga. ㅡ O diabo é articulado. ㅡ Mas nem que se tivesse carregada eu iria conseguir. Sou muito pacífico e bonzinho, é por isso que eu fui sequestrado. Seria bom poder me defender sozinho algumas vezes, só pra variar, daí eu não seria levado por Seonghwa e Hongjoong.
ㅡ Quanto a isso, não precisa se preocupar, Yeosang. Eu vou te proteger. Sempre. ㅡ Acabei dando uma risada debochada devolvendo a arma pra ele.
ㅡ 'Tá, e quem me protege de você, Choi Jong Ho? ㅡ Ele respirou fundo, parecia estar pensando em algo. ㅡ E só pra constar, eu te beijei de nervoso. ㅡ Ele riu alto outra vez e eu fui pro canto outra vez.
ㅡ Bom, Yeosang... Vou reparar isso. Posso ir na cidade comprar algo pra matar seu tédio. O que gosta de jogar? PS5? X-Box? ㅡ Meus olhos brilharam como cometa e praticamente listei vários jogos de console para Jong Ho.
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THE OUTLAW | ATEEZ
Fanfictionjongsang Kang Yeosang era apenas um jovem adulto comum, prestes a terminar a faculdade, praticando esportes e saindo com seus amigos nos fim de semana. Isso até sua vida mudar totalmente da noite para o dia: Kang havia sido sequestrado por uma gangu...
