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Luto


End of Beginning

And when I'm back in Chicago, I feel it
Another version of me, I was in it
I wave goodbye to the end of beginning




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            Hermione acordou naquela manhã com uma sensação estranha no peito. Havia uma inquietação que não conseguia explicar, um vazio que parecia pulsar dentro dela. Ela tentou ignorar, tentando se concentrar nos estudos, nos pergaminhos e nos feitiços que estavam espalhados pela mesa. Mas então, no canto da sala, encontrou algo que não esperava: uma carta cuidadosamente dobrada, com a caligrafia delicada e familiar... mas ao mesmo tempo carregada de uma estranheza que a fez engolir seco antes mesmo de tocar o papel.

Ela respirou fundo, sentindo o coração acelerar. Pegou a carta com mãos trêmulas e abriu.

Hermione,

Sei que isso será difícil de entender. Sei que a dor será grande e que as lágrimas virão sem parar. Eu tentei... tentei voltar, tentei permanecer entre vocês, mas não posso. Não por falta de amor, não por desleixo, mas porque não há mais um "Harry" para retornar.

Aquele mundo... aquele em que você, Ron e todos os outros me conheciam, não é mais o meu lar. Eu encontrei meu lugar aqui, neste mundo que agora pulsa comigo. E para que isso funcione, alguém precisa ser a âncora. Alguém precisa permanecer no meu lugar, segurando tudo o que poderia se perder, mantendo o equilíbrio entre os mundos, e eu não posso ser essa pessoa... eu não quero ser essa pessoa.

Eu fiz a escolha de ficar. E fiz isso para que vocês tivessem uma chance de reconstruir, de seguir em frente, sem o peso do que poderia ter sido destruído. Sei que parece egoísmo, sei que parece abandono, mas é exatamente o oposto. Eu sacrifico o que poderia ser para que vocês tenham segurança, esperança, um futuro.

Nunca esqueçam: eu nunca deixei de amar vocês. Nunca deixei de me importar. Mas, às vezes, amar significa permitir que aqueles que amamos sigam sem nós.

Com todo o amor que ainda posso carregar,
Harry.

Hermione sentiu o papel escorregar de suas mãos enquanto um nó se formava em sua garganta. Cada palavra queimava como ferro em sua alma, e ela mal podia respirar. As lágrimas vieram antes mesmo que pudesse pensar em segurar.

— Não... não pode ser verdade... — sussurrou, enquanto as lágrimas escorriam, quente e amargas. — Ele não... ele não pode simplesmente... partir!

Ron, que estava no outro cômodo, ouviu seu soluço e correu até ela.

— Hermione! O que foi? — disse, o rosto pálido, os olhos arregalados.

— É... é Harry — ela conseguiu murmurar entre soluços — Ele... ele não vai voltar. Ele... ele... escolheu... ficar em outro mundo.

Ron sentiu o choque tomar seu corpo. Ele não esperava ouvir essas palavras. Tudo parecia desmoronar ao redor dele, e ele a puxou para si, envolvendo-a em um abraço firme, tentando passar algum conforto.

— Ei... calma, Hermione... — ele murmurou, mas a própria voz dele tremia. — Não podemos fazer nada agora, mas vamos superar isso. Eu estou aqui. Nós... nós vamos dar um jeito.

— Eu sei... eu sei... — ela chorava, enterrando o rosto em seu ombro. — Mas não entende, Ron... é Harry! Ele sempre esteve lá, ele sempre foi a âncora... e agora... agora ele se foi! Eu sinto... sinto que perdi uma parte de mim mesma!

Ron apertou ainda mais, sentindo sua própria dor misturar-se à dela.

— Eu sei, eu sei... — disse ele baixinho, tentando manter a voz firme. — Eu sinto também, Hermione... sinto também... Mas ele nos deixou um caminho. Ele fez isso para nós, para que não destruíssemos o que temos... Para que possamos seguir.

Hermione soluçava, se afastando ligeiramente para encará-lo. Seus olhos vermelhos e inchados refletiam desespero e tristeza.

— Como eu sigo sem ele? — perguntou, a voz trêmula, quase quebrando. — Como eu continuo sabendo que ele está em algum outro lugar, feliz, e que nunca mais vai voltar para mim, para nós...?

— Herm... — Ron começou, sentindo a própria garganta apertar — Eu não sei... Eu realmente não sei. Mas eu sei que ele nos amou o suficiente para fazer isso. Ele nos deu uma escolha... mesmo que doa demais.

Ela deixou que as lágrimas caíssem livremente, soluçando contra o peito dele. Ele acariciou seus cabelos, tentando transmitir a segurança que sentia ser impossível de transmitir naquele momento.

— Vamos... vamos chorar o que precisamos chorar, — ele disse suavemente — E depois vamos juntar os pedaços. Nós não podemos mudar o que ele decidiu, mas podemos honrar isso, Hermione. Podemos viver por ele, por nós... e por tudo que ainda podemos fazer.

Ela assentiu, engolindo o soluço, e se abraçou mais a ele. O vazio dentro dela era imenso, mas, de alguma forma, sentir o calor do Ron ao seu lado trouxe um pequeno alívio. Não apagava a dor, mas a tornava suportável.

— Eu sinto falta dele tanto... — disse Hermione, a voz quase um sussurro. — Eu queria tanto poder gritar pra ele que ainda o amamos, que ainda precisamos dele...

— Ele sabe, Hermione — disse Ron, apertando a mão dela. — Ele sempre soube. E agora é nossa vez de viver com isso. Com a escolha que ele fez, mesmo que doa.

O silêncio caiu sobre os dois por um tempo, pesado e sufocante, até que Hermione finalmente ergueu o rosto, os olhos vermelhos e brilhantes.

— Vamos... — disse, com a voz firme pela primeira vez desde que leu a carta — Vamos viver. Por ele... por nós... e pelo que ele acreditava que seria melhor.

Ron assentiu, segurando sua mão.

— Isso. Juntos. Nós vamos seguir em frente. E Harry... ele estará sempre conosco, de alguma forma. Sempre.

Enquanto as lágrimas ainda caíam, Hermione sentiu que a primeira fagulha de aceitação começava a surgir. Não apagava a dor, não diminuía o luto, mas era um passo. Um passo para continuar, para honrar a escolha de Harry e seguir vivendo, mesmo que ele nunca mais estivesse ali.

E no coração deles, a promessa silenciosa permaneceu: eles viveriam, lutariam e amariam, mesmo com a ausência do amigo que mudou tudo.

𝕯𝖆𝖗𝖐 𝕸𝖆𝖗𝖆𝖚𝖉𝖊𝖗𝖘Onde histórias criam vida. Descubra agora