Eu não tenho certeza de quanto tempo se passou desde o último dia que comecei a decidir meu plano, talvez alguns dias considerando às vezes que eu e o Doug tivemos uma conversa, hoje a sua voz não parecia tão animada. Talvez tenha acontecido alguma coisa, por mais que seja o homem que está me mantendo preso aqui, ele parece ser o tipo fácil de simpatizar.
Ele não perde seu horário e sempre aparece durante a noite para me ver e fazer suas perguntas, mas eu também posso fazer as minhas se eu for cooperativo, ao menos desta forma não me sinto tão solitário nesta sala.
Agora eu deveria me concentrar em esperar a funcionária que virá trazer o de sempre para mim, mas é tão sufocante e angustiante esperar por cada minuto que parece uma eternidade.
***
A porta se abre! Finalmente!
Ela parecia suspeitar de meu ânimo momentâneo, dava para perceber em como ela colocava hesitante a gaiola no chão sem tirar os olhos de mim esperando algum movimento brusco, mas apenas me levantei e fui em sua direção olhando para o coelho, apenas quando eu sabia que estava perto dela a encarei.
Eu me sentia confiante de que conseguiria sair daquele lugar tranquilamente se eu fosse paciente, primeiro teste, sair sem machucar alguém.
— A minha coleira está mais apertada que o normal... Poderia...- Puxei um pouco a coleira demonstrando desconforto.
— Ahn...- Ela olhou para os lados como se procurasse alguém e então focou em mim que estava perto demais e recuou deixando a gaiola sem abrir com o coelho ainda lá dentro.- Desculpe, mas só sigo regras, Doug vai resolver isso quando ele chegar, vou falar com ele.
Droga, é, não funcionou, teria que ser de outro jeito para conseguir minha passagem de saída. Minha motivação para continuar tentando é simples, se eu ficar toda a minha vida aqui provavelmente chegaria um momento que me descartariam, mas como garantir que por minha causa outros da minha espécie não sintam as consequências? Não quero ser aquele que trouxe problemas do início ao fim para os outros. Talvez seja até uma maneira de me sentir bem comigo mesmo.
Dei um impulso para frente, apenas um movimento rápido empurrando ela com força contra a parede do corredor, a funcionária parece bater a cabeça na parede, talvez fosse o motivo de cair inconsciente, sai de dentro daquela sala finalmente, olhei para o final do corredor e dei alguns passos para longe dali, eu estava apressado, me desculpe moça.
Logo na primeira entrada à direita do corredor, havia outra porta que estava fechada, poderia ser outra sala como a do espelho, por mais que estivesse curioso para saber não era o momento para isso.
— Vamos lá pegar a encomenda dele.- A porta se abre e um homem usando preto sai de lá, ele me encara sem saber reagir e o de trás, um loiro com roupa vermelha é o segundo a me notar.
Eu poderia fechar a porta, mas as mãos já estavam em suas armas, o de preto puxou a arma antes e iria atirar, eu reagi empurrando a mão dele para o alto tirando a arma da minha direção desferindo um golpe que o derrubou, eu tinha que sair de lá rápido. Sem pensar muito, apenas sai em disparada as escadas que haviam no final do corredor, a porta já estava aberta, procurei onde ficava a saída daquela casa, mas não lembrava com detalhes o caminho que tomamos naquele dia e me sinto arrependido de não ter prestado atenção.
Isso não tem mais volta, passos calmos vinha da escada branca mais a frente, era outro guarda? Eu precisava me esconder.
— Ernest?...- Olhei de novo, era o Doug.- Olha, não precisa disso tudo, nós podemos conversar sobre isso.
Ele estava com medo, não entendia se ele sentia medo de mim ou por não estar mais naquela sala, eu conseguia sentir em seu tom de voz a preocupação, Doug não desviava os olhos de mim dando um passo de cada vez degrau abaixo.
— Certo?.- Continuou, e pisou em falso, eu via o seu corpo despencar escada abaixo.
Aquele cenário passou lentamente em minha cabeça como um filme, repetindo de novo e de novo, quando Doug atingiu o chão, ele não se movia, sua cabeça havia inclinado de uma forma estranha, ele estava bem? Ele estava respirando? É como se tudo tivesse ficado vermelho.
— Aguardando o sinal para entrar, câmbio.- Ouvi ao longe o som de um rádio.
Eu não podia ficar ali, mas também não poderia mais sair, o que estivesse me esperando do lado de fora, provavelmente era um número grande de pessoas, conseguia facilmente visualizar vários caçadores armados apenas esperando que eu saísse. Logo viriam verificar se o Doug estava bem e se eu o havia machucado, tenho que voltar.
Não ousei sair daquela casa, por alguns motivos, se eu saísse, provavelmente seria morto sem antes poder avisar aos outros o que houve, e também por apenas provar algo que eles acreditam ser verdade, vampiros são perigosos e esse caos dentro da casa era só evidências dos "atos". Eu deveria ser cuidadoso com meus passos, e no fim... Apenas voltei para aquela mesma sala, fiquei encostado na parede distante da porta enquanto encarava o espelho, meus olhos não pareciam nada como antes, estavam de volta aquela cor vermelha, vibrante, eu me sentia transtornado, e até nervoso com tudo o que estava acontecendo, deveria me acalmar.
***
Não demorou muito para que vários daqueles homens entrassem na casa, eu conseguia ouvir a porta de cima ser derrubada, a garota na entrada da sala que eu estava ainda estava desacordada. Já me sinto um pouco melhor, meus olhos voltaram a cor anterior, ainda me sinto um pouco tenso, preocupado, e quanto ao Doug, talvez eu devesse ter ajudado ele naquele momento.
Mesmo com esse desejo, ter voltado foi a melhor opção, a menos arriscada, se eu tivesse ficado, pensariam que eu o ataquei e se eu fugisse e deixasse esse caos eu seria apenas uma prova da ideia deles sobre os vampiros.
— Daisy! .- Um homem acompanhado de dois outros se aproximam da mulher desacordada e parecem checar se ela estava bem.
Sendo movida naquele chão ela solta um gemido baixo de desconforto, talvez estivesse prestes a acordar, mas não abriu seus olhos.
— Você matou o Doug?.- Um dos homens que parecia mais irritado entrou na sala.
— Ei! Tenha cuidado! .- Seu colega alertou, o coelho ainda estava em sua gaiola, eu não havia tocado um dedo nele, talvez tenha sido isso que chamou sua atenção. Eu poderia muito bem estar sedento.
— Responda! Vampiro. - Se aproximou mais ignorando o aviso do seu companheiro, sua mão estava sobre a arma e o coldre, pronto para puxar se precisasse.
— Não o matei.- Soltei em um tom baixo quase como um sussurro.
Não consegui encará-lo, eu sabia só pela queimação em meus ombros que se o olhar pudesse matar, eu já estaria morto, a testosterona dele deveria estar em altos níveis, eu poderia dizer que ele gostava do Doug, não sei bem em que nível mas era o suficiente para ele querer responsabilizar alguém por sua dor.
— Mentira!.- Exclamou bem irritado.
— Não é mentira! .- Indignado pela afirmação o encarei e então alguém se aproximou, era o outro homem, assim que estava perto o suficiente, puxou aquela pessoa para trás.
— Temos instruções de não nos aproximarmos tanto do vampiro sem ele estar devidamente contido, vem.- Ele foi levado à força para longe de mim, e então a porta se fechou, ficando apenas o coelho na gaiola que agora estava assustado com todo aquele barulho e eu.
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A Noite do Sacrifício
रोमांसErnest é um vampiro em busca da sua liberdade, achando que alcançaria seu final feliz se acabasse com sua vida, procurou um caçador que pudesse fazer o serviço. No entanto ele se vê preso novamente e lá conhece uma garota, a filha de um caçador, po...
