Capítulo 6

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CAPÍTULO SEIS

—O QUE?A voz de Iris soou estridente, subindo algumas oitavas a mais.

Não. Não. Não.

Só podia ser mentira!

— Você está famosa, Iris Agnes Parker.— Sebastian falou seu nome completo, e Iris soube imediatamente que ele havia ouvido toda a história da formatura.

As notícias corriam rápido na Capital.

Iris percebeu que estavam entrando em uma região habitada mais por Dominators. As ruas eram mais limpas e cheias de árvores, os prédios e as casas mais modernas.

— Foi minha bochecha inchada ou meu vestido sujo que o levou a concluir que eu era a garota humana Aquadis?

— Um pouco dos dois. Estar sozinha sem rumo no meio da noite e sua Stamp ajudaram um pouco também.

— Aliás...— Iris começou cautelosamente, com medo de estar indo longe de mais.— Vi que você possui duas Stamps, então deve ser muito forte. Como as conseguiu? O que você consegue...

— Chegamos!— Sebastian a cortou bruscamente, fingindo não ter ouvido as últimas palavras dela.

Eles pararam em frente a um prédio grande que mais parecia um alojamento.

— Aonde estamos?

Iris analisou a construção em um amarelo desbotado devido ao tempo. Eram vários andares, com janelas e grades embutidas. Era possível ver uma escada de incêndio na lateral esquerda. Outra escada com poucos degraus conduzia á entrada de portas duplas de madeira escura, e em cima da porta, havia uma placa de metal escrito "Casa Aurora" em letra cursiva. Um pequeno jardim bem cuidado na frente do prédio os levava até a escada.

— Hospedaria para órfãos.

Sebastian começou a caminhar em direção a entrada, mas Iris permaneceu no lugar.

Órfã.

Era isso que ela era agora?!

— Você não vem?— Sebastian perguntou enquanto apertava a campainha, observando a garota atentamente. Ele notou o olhar conturbado de Iris, as bochechas coradas de vergonha, e pensou que talvez tudo aquilo estivesse sendo demais para ela.

Sebastian havia a encontrado nas ruas escuras da Capital, sozinha e sem rumo. Ele entendia que Iris havia sido expulsa de casa, e que provavelmente havia sido um dos pais a deixar a garota com uma das faces inchada.

Iris forçou as pernas a subirem os degraus da frente, desejando apenas tomar um banho e descansar. Ela não tinha forças para discutir ou pensar em algo melhor.

A quem eu quero enganar...

Não é como se ela tivesse lugar melhor para ir!

— Como você conhece esse lugar?— Iris passou o peso de um pé para o outro, impaciente pela demora de alguém vir abrir a porta.

— Você costuma ser sempre assim?

Iris franziu a testa.

— Assim como?

— Curiosa e cheia de perguntas?

Antes que pudesse responde-lo, a porta foi aberta por uma senhora miúda na casa dos sessenta. Seus cabelos eram grisalhos e estavam muito bem presos em um coque atrás da cabeça. Os olhos castanhos se iluminaram ao ver Sebastian, e um sorriso surgiu nos lábios finos dela. A senhora usava um vestido azul devidamente passado e segurava em uma das mãos uma bengala de madeira.

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