Capítulo 20

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CAPÍTULO VINTE

SEBASTIAN olhou para o relógio no punho, constatando que estava cinco minutos adiantado.

Seria tempo suficiente para reformular os pensamentos e se acalmar!

Apoiado em uma pedra, de baixo de uma grande árvore entre tantas outras da floresta, o Guereiro podia sentir a brisa da tarde que batia em seu rosto, e inspirou profundamente, preenchendo os pulmões com ar puro. Sebastian fechou os olhos por alguns segundos.

Ele precisava retomar o equilíbrio.

O Dominator tinha acabado de sair da Casa Aurora, vindo da visita que havia feito a Iris. Ela não havia aparecido para correr, e quando também não deu as caras no treinamento, ele começou a ficar preocupado. Não era do feitio de Iris se atrasar, muito menos faltar no compromisso que tinha com ele. Então, logo dispensou Gabriel e Lissa, e foi até a casa dos órfãos para ver sua outra pupila.

Quando Iris abriu a porta, Sebastian a analisou de cima a baixo, a procura de machucados ou de indícios de doença, como resfriado. Ele admitia que seus olhos se demoraram um pouco mais nos lábios carnudos e rosados de Iris, mas logo descartou esse pensamento. Eles ficaram por alguns segundos se encarando olho no olho, e Sebastian pode ler nos olhos azuis de Iris que ele mexia com ela. Por sorte, Sebastian havia sido bem treinado para esconder as emoções e pensamentos dos inimigos. 
Iris não era uma inimiga, mas Sebastian fucou feliz que ela não poderia saber que o sentimento dela era recíproco.

Era difícil tirar os olhos dela quando estavam juntos. Mesmo negando, tentando se afastar, os olhos de Sebastian sempre a procuravam quando iam correr ou no treinamento.

Sebastian via como o treino estava a deixando esgotada e frustrada, e ele usava todas as forças para não ir até ela e tentar a reconfortar. Ele precisava ser profissional, precisava deixá-la tentar sozinha após dar a ela uma direção. Era uma trajetória de Iris, que dependia exclusivamente dela e do tamanho de seu esforço.

Sebastian vinha sendo grosso e seco com Iris nos últimos dias, mas sabia que aquilo era necessário. Iris mexia muito com ele, de formas inexplicáveis, mas havia muitas razões que não os permitiria dar voz aos sentimentos:

Uma lei, as idades e uma vingança os distanciava.

Sebastian entendia que as palavras que havia dito a ela mais cedo haviam sido duras, mas foram necessárias. Iris não estava progredindo muito bem, e necessitava deixar a auto piedade de lado e se dedicar mais a fundo, acreditar mais em si mesma.

O Guerreiro jogou todos os pensamentos relacionados a Iris para um lugar profundo da cabeça, ignorando toda a atração e os sentimentos que aqueles olhos azuis causavam quando encontravam os dele.

Sebastian não tinha tempo para isso, ele precisava estar focado.

Como se pudesse adivinhar seus pensamentos, Sebastian ouviu o barulho de galhos quebrando e alguém aproximando-se. Ele viu Frank surgir entre as árvores.

— Sebastian.— Frank acenou para ele assim que se aproximou.

— Frank.

— Aqui estão os documentos que você me pediu.— Frank lhe entregou uma pasta preta, e Sebastian a abriu, conferindo todos os papéis milimetricamente em segundos.

— Tudo está perfeito, como sempre.— Sebastian disse fechando a pasta e a deixando de lado. Ele analisou o homem de trinta e poucos anos, os olhos castanhos sempre atentos, a barba por fazer, a pequena barriga de cerveja de Frank.

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