Capítulo 15

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🌿🥀🌿

CAPÍTULO QUINZE

ELES avistaram a Clifford quando viraram a esquina.

A hora estava chegando.

— Você está bem?— Sebastian perguntou.

Ele se quer estava ofegante. Enquanto a barriga de Iris doía, e a respiração dela ficado irregular a umas boas quadras atrás.

Sim.

— Mesmo?

Eles pararam na frente da escola, ficando de frente um para o outro. Sebastian a analisou preocupado.

— Raramente você não tem o que falar, e desde que te vi hoje, a única coisa que falou foi "Sim".

Iris não conseguiu segurar o sorriso bobo que se formou nos lábios. Ela não sabia que Sebastian reparava tanto assim nela e no seu jeito de ser. Ou que se importava.

— No início foi porque estava com raiva de você. Mas agora é porque estou nervosa com o início do meu treinamento.

— Por que está nervosa?— Sebastian ignorou propositalmente a parte em que Iris dizia que estava brava com ele.

A irritação dela era sem fundamento, claro, e os dois sabiam disso, Iris só não queria encarar. Sebastian era seu Mestre e devia mesmo a por em forma e a obrigar a fazer exercícios.

— Eu se quer sei nadar. Nunca tive contato com piscinas ou com os lagos...

— Você colocou mesmo nessa sua cabecinha que ser uma Aquadis tem a ver com saber nadar, não é mesmo?- Sebastian cruzou os braços na frente do corpo, balançando a cabeça em negação.— Nem todos Tellures gostam de terra ou de mato, nem todos Ignis gostam de calor. Ser uma Aquadis não dita que você tem que ser uma nadadora profissional.

— Eu sei, é só que...— Iris perdeu a voz no caminho. Ela refletiu sobre as palavras do Mestre.

A garota já tinha ouvido falar de alguns Aquadis controlando o tempo, conseguindo fazer chover ou parar tempestades, e sabia que não tinha muito a ver saber nadar.

Eu sou uma tola.

— Vamos. Vamos continuar.

Sebastian passou por ela, e os dois seguiram para a floresta atrás da escola, indo em direção a uma trilha diferente. Andaram por alguns minutos, e Iris conseguiu ver o sol nascendo entre as enormes árvores. Eles adentraram em uma clareira com um lago no meio.

Iris ficou encantada com o lugar.

Era incrível.

Além das árvores que os cercavam, em volta do lago escuro haviam inúmeras flores brancas e azuis.

Iris ficou parada no lugar por um momento, admirando a vista. Ela sentiu-se sob o olhar observador de Sebastian, mas não se importou, continuando a olhar para a frente, absorvendo cada pedacinho do lugar.

Ao perceber que Sebastian também não estava caminhando, Iris se virou para ele.

Seus olhares se encontraram.

Olhos azuis nos olhos verdes.

Iris se tornou consciente da própria respiração, que acelerava, assim como os batimentos cardíacos. As bochechas dela foram corando aos poucos. Iris tentou desesperadamente pensar em algo para dizer, mas nada lhe veio a mente. Sebastian continua a encarando, e Iris se pegou questionando o que ele estaria pensando ao olhar tão intensamente para ela.

Eles se encararam por não mais que quatro segundos, mas que mais pareceram quatro dias.

Foi Sebastian quem quebrou o contato visual, começando a caminhar até ao lago com as mãos no bolso da calça moletom, despreocupado. Pelo menos era o que ele queria passar.

Iris olhou para as mãos que tremiam e engoliu em seco, começando a se martirizar por ter o encarado daquela forma.

O que ela estava fazendo?

Entre tropeços, começou a caminhar atrás dele, mantendo alguns passos de distância.

Novamente, a mente de Iris voltou a ficar um turbilhão de pensamentos, agora sobre Sebastian e a forma como o corpo reagia ao dele.

Tudo começou quando Iris ouviu a voz de Sebastian pela primeira vez, quando ainda nem o tinha visto. Apenas a voz dele a fez estremecer dos pés a cabeça, tão baixa e ameaçadora. Então, os olhos de Iris foram de encontro aos dele pela primeira vez, e a garota se lembrava de ter pensado como Sebastian parecia jovem e em como seus cabelos eram como fios de ouro derretidos. Os dedos dela coçavam com a vontade de passar por entre aqueles fios, descobrir se eram mesmo tão sedosos quanto pareciam.

A sensação, a eletricidade, que subiu pelo braço de Iris quando a pele de Sebastian encostou na dela ainda era viva em suas memórias, mesmo já fazendo alguns dias.

Sebastian nunca mais havia encostado nela, e uma parte de Iris lamentava por isso.

A garota foi tirada do devaneio quando pararam na borda do lago e o encararam.

— Eu preciso que você me ousa com atenção, ok?- Sebastian olhou nos olhos de Iris mais uma vez, agora sem a intensidade de poucos minutos atrás. Ele já havia conseguido se recompor dos sentimentos que a garota lhe causava.

Iris confirmou com a cabeça, tentando focar nas palavras do Mestre, não nos lábios dele.

Controle-se, Iris.

Seu treinamento irá começar. Foco!

Ela sentiu o coração perder uma batida com esse último pensamento.

— Respire fundo, tente limpar a mente e relaxe.— Sebastian falou, e Iris tentou fazer o que ele mandava, mas era impossível quando o objeto das suas distrações era ele.— Como você disse que nunca fez nada diferente do normal, as possibilidades do que você pode fazer com a água são inúmeras, então começaremos com o básico e o óbvio.

Ele parou de falar e a encarou, esperando que o respondesse caso estivesse entendo.

— Ok.

— Vire-se para a água, limpe a mente e tente a mover de alguma forma.

Iris o obedeceu, se colocando de frente para o lago. Ela espirou fundo e tentou em vão esvaziar a mente como ele ordenou. O olhar dela recaiu sobre a água sombria e serena, e Iris ergueu as mãos na frente do corpo como havia visto algumas vezes Gabriel fazer quando lançava as bolas de fogo.

Se mexa. Se mexa. Se mexa!

A garota forçou a mente ao ponto da cabeça começar a doer. Chegou até a implorar silenciosamente para aquela maldita água fazer algum movimento. Primeiro tentou levantá-la, fazer algo parecido com um paredão de água, mas desistiu e decidiu ficar com algo mais fácil, como apenas movimenta-la de um lado para o outro.

Nada aconteceu.

Iris deixou as mãos caírem ao lado do corpo, sentindo os olhos começarem a lacrimejar.

Algo lhe dizia que descobrir seus poderes não seria uma tarefa fácil.

***

Lost Mirror | Livro 1Histórias para pegar e não largar. Descubra agora