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Gattaz

Estava bem tranquila dando minhas primeiras pedaladas na bike após a cirurgia, e era tão estranho o fato de eu estar tão emocionada apenas por estar assim conseguindo fazer o básico. Mesmo que sendo de forma lenta e sem peso nenhum eu já estava bem feliz de conseguir fazer isso, estava quase chorando apenas por isso.
- Oi. - Levantei meu rosto para atender quem estava me chamando e encarei a loira ali na minha frente.
- Oi. - Falei sorrindo e ela se aproximou dando um beijo em meu rosto e fez um carinho.
- Não acredito que você já está andando na bike. - Disse ela e eu apenas concordei já que se eu acabasse olhando para ela ia chorar ali mesmo, e eu não estava querendo fazer isso. - Está feliz? - Perguntou e eu concordei. - Está tudo bem, não está querendo me olhar hoje? - Neguei e ela fez um carinho em meu cabelo.
- Não é isso, apenas não quero chorar agora. - Falei e ela deu uma risadinha. - Eu sei que se eu te olhar agora vou acabar chorando aqui na tua frente. - Me expliquei e ela levou sua mão levantando meu rosto para eu encarar ela, e no momento que nossos olhares se conectaram ela sorriu me fazendo sorrir também.
- Ei tudo bem chorar, estou aqui do seu lado sempre que precisar chorar ainda vou estar aqui para você meu bem. - Disse ela me olhando e eu concordei, já sabia muito bem disso a mulher sempre esteve ali quando eu precisei, desde antes da gente estar nesse relacionamento. Sabia que não teria problema nenhum em chorar na frente dela, a loira ia me consolar e estaria ali pronta para me escutar, mas eu não queria chorar. Estava tentando ser forte, mas é difícil ser forte todos os dias, em alguns deles a gente precisa de um ombro amigo para nos apoiar. Esse era um dos meus momentos, estava precisando chorar um pouco para aliviar todo o estresse dos últimos acontecimentos. O problema era que talvez eu não tenha chorado tudo o que precisava chorar depois da minha lesão, só que uma hora esse sentimento ia aparecer e talvez esse seja o momento que eles resolveram dar as caras. Não era o melhor lugar para a gente chorar e muito menos o que eu teria mais privacidade para chorar em paz, como não tinha ninguém ali onde eu estava me deixei levar pelo sentimento e a loira me abraçou apertado fazendo um carinho em minhas costas. Tinha passado por muita coisa nesses últimos meses, era uma coisa atrás da outra, críticas apenas por fazer o que eu gosto, as pessoas comparando eu é a Júlia, que é uma excelente central e vai ser uma das melhores do mundo em alguns anos . E as pessoas têm essa necessidade de ficar comparando, mas a gente nunca teve esse clima ruim entre a gente, sempre tivemos uma ótima relação. Mas querendo ou não isso mexe muito no nosso emocional e acaba deixando a gente mal. E a pior parte foi a lesão, onde eu achei que minha carreira tinha acabado ali mesmo e que eu não teria mais como voltar a jogar.
- Estava precisando chorar um pouco, desculpa estar chorando tanto assim. - Falei e ela negou levando sua mão a minha nuca fazendo um carinho ali, antes de afastar seu rosto para me olhar com seu sorriso lindo no rosto, não entendia como apenas o sorriso dela me deixava toda boba.
- Você não precisa se desculpar por isso, estou com você lembra, se precisar de mim estarei sempre aqui ao seu lado. Sou uma pessoa de palavra Gattaz, e eu prometi que estaria ao seu lado em todo esse processo, não vou me afastar em momento algum, ainda mais agora que cai nesse seu papinho. - Comentou e eu apenas dei um sorriso entre algumas lágrimas, sequei minhas lágrimas e fiquei ali recebendo o apoio da mulher que parecia feliz, mais do que o normal.
- Você parece estar muito feliz hoje, o que aconteceu? - Perguntei e ela desconversou.
- Apenas estou contente de você estar voltando a conseguir fazer bike, minha duplinha está voltando aos poucos, estou bem ansiosa por esse momento. - Disse ela e eu sorri, também estava bem ansiosa para voltar a jogar. Na verdade não via a hora de poder estar de volta às quadras, não por querer apressar nada, mas sim por querer estar a disposição do time e poder voltar a fazer o que eu amo. - Se bobear estou mais ansiosa do que você. - Falou e eu neguei rindo.
- Estou ansiosa por esse momento também, só quero receber a notícia que posso finalmente voltar a fazer o que eu gosto, minha vida não tem muita graça sem o vôlei. - A loira me olhou sorrindo, como era bonita meu deus do seu céu, da vontade de guardar num potinho e proteger do mundo todo, mesmo sabendo que ela não precisa de ninguém cuidando dela.
- Você é uma pessoa de se admirar sabe, dentro das quadras e fora delas também. Nunca vi uma pessoa tão forte quanto você, sei o quanto desse ser difícil ser impedida de fazer o que você mais gosta. Mas você é muito forte e vai passar por isso da forma mais fácil do mundo, e não precisa ter medo, você vai voltar ainda mais forte e vai voltar voando. - Disse ela me olhando e eu levantei meu rosto sorrindo para ela que estava ali ao meu lado, encarei ela e concordei antes de segurar sua mão e ela fez um carinho ali antes de dar um beijo em meu rosto. Continuei terminando meu exercício e ela ficou ao meu lado o tempo todo, não saiu em momento algum até dar o horário dela ter que ir para o treino. Terminei o que precisava fazer e me sentei para descansar um pouco, antes de pegar minhas coisas e sair para ir para casa. Caminhei pelos corredores do ct do minas, e encontrei algumas pessoas conhecidas que pararam para conversar comigo e saber um pouco mais sobre como estava a minha recuperação. Conversei um pouco com eles e então segui meu caminho para casa, passei na casa da minha irmã e peguei minha sobrinha levando ela para casa.
- Vem Alice, a gente vai almoçar e depois vamos para casa. - Falei olhando para ela que sorriu concordando e se aproximou levantando os braços pedindo colo. Peguei a menina trazendo ela para o meu colo e ela pediu meu celular para olhar seu desenho, entreguei para ela que logo já entrou escolhendo o desenho para assistir.
- Dinda. - Me chamou virando seu rosto para me olhar e eu encarei ela sorrindo.
- Oi. - Falei prestando minha atenção nela que deu um beijo em meu rosto e deitou contra meu corpo.
- Estou com fome dinda. - Disse ela ali no meu colo e eu sorri dando um beijo em sua cabeça, antes de chamar a moça para fazer nosso pedido. Escolhi o que a gente ia comer e ela apenas deixou claro que queria suco, escolheu seu suco e voltou a assistir seu desenho. Quando nosso almoço chegou ela levantou seu rosto e se apressou em pedir para comer, ajeitei ela melhor em meu colo e deixei ela comer no seu tempo. Enquanto cuidava dela, até tentei almoçar, mas quase não consegui, esperei a pequena terminar e então fui almoçar enquanto ela prestava atenção no seu desenho. Quando decidi que estava na hora de ir para casa, a pequena que sabia muito bem como me comprar, me pediu doce e eu como não sei dizer não para ela saí atrás de doces para ela. No fim passei um bom tempo com ela, fazendo muitas vontades dela quase a tarde toda, e no final voltamos juntas para minha casa onde minha irmã buscaria ela mais tarde.















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Sempre estarei aqui.Onde histórias criam vida. Descubra agora