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O cheiro das flores, que antes era um consolo, agora parecia sufocar

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O cheiro das flores, que antes era um consolo, agora parecia sufocar. As pétalas macias escorrem por entre meus dedos enquanto eu tento montar um buquê de lírios e rosas, mas minhas mãos tremem. Cada movimento é pesado, como se o simples ato de amarrar uma fita exigisse um esforço que eu não tenho.

A loja está silenciosa, exceto pelo som repetitivo da tesoura cortando os caules. O barulho ecoa pela pequena floricultura, vazio, frio. As flores, que sempre trouxeram vida ao lugar, agora eram só plantas presas em vasos.

Meus olhos ardiam. Não pelo pólen ou pelo cansaço físico, mas pelo peso de noites sem sono. Sete dias. Sete noites encarando o escuro, sentindo o tempo se arrastar. Às vezes eu sinto que o silêncio grita mais alto do que qualquer dor.

Passo a mão pelo balcão, sentindo a madeira fria e áspera sob meus dedos. Pétalas caídas, caules partidos... tudo espalhado, como eu. Suspiro, mas o ar entra pesado, fica preso no peito.

Vazia, triste, desolada, é assim que me sinto, como se uma parte de mim, estivesse morta, destruída.

Uma semana.

Sete dias sem ouvir a voz dele, sem sentir sua presença sufocante e, ao mesmo tempo, reconfortante.

A cama parece maior, fria e vazia, como se o espaço ao meu lado tivesse se transformado em um buraco negro que suga toda a minha energia. As noites são longas, silenciosas e carregadas de insônia. Viro de um lado para o outro, esticando a mão em busca de um vestígio de calor que já não existe mais ali. Só o lençol gelado, como um lembrete físico da ausência dele.

Sete dias tentando odiá-lo.

Repasso mentalmente cada palavra dura, cada tom de súplica da voz dele, cada silêncio pesado que me deixava perdida sem saber o que ele estava pensando. Deveria me apegar a isso, usar como armadura. Mas, como uma tola, me pego lembrando também dos toques gentis, dos beijos no alto da minha cabeça, das palavras sussurradas no escuro e de como ele me fazia sentir única, mesmo que por breves momentos de ilusão.

Mas meu coração ainda dói.

Trabalho me sentindo sem forças, faço tudo no automático, trabalhando mais do que devo, mas precisando com todas as forças me distrair da dor desoladora que sinto.

As pessoas ao meu redor começam a perceber. O jeito como ficam em silêncio quando passo, as pausas desconfortáveis nas conversas, os convites para um café que antes não existiam, as perguntas que evito responder com um sorriso forçado. Ninguém imagina o peso que carrego no peito, essa mistura sufocante de saudade, mágoa e uma esperança idiota de que ele apareça na porta a qualquer instante, quebrando meu orgulho mais uma vez, mesmo que eu tenha o expulsado da minha vida.

Ele é um maldito Deus. Não qualquer Deus… um deus de mais de 3.000 anos. Loki.

O mesmo Loki das histórias que eu sempre achei que fossem só isso: histórias. O trapaceiro, o enganador, o mestre das mentiras e da confusão. Aquele que, segundo as lendas, enganou até os outros deuses, causou guerras, jogou uns contra os outros só pelo prazer de ver o caos acontecer. E eu… eu aqui. Achando que estava ajudando um homem comum, perdido, quebrado pela vida.

LOKIHistórias para pegar e não largar. Descubra agora