II

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Alicia acabava de chegar em casa e encontrava a sua família no quarto, deitados na cama e assistindo ao filme "Carros" quase entregando-se ao sono. Ambos. Porém, ao vê-la adentrando a porta do cômodo, despertaram imediatamente. Em especial o pequeno, que rapidamente engatinhou até a mulher para que o pegasse. E assim ela fez.

—E aí, carinha.–Já segurava-o em seus braços.

—Sentiu a sua falta o dia inteiro.–Disse Raquel bocejando enquanto levantava-se. Pausou a televisão e caminhou até a ruiva, dando-lhe um selinho.—Como foi o seu dia?–Perguntou, seguindo até o banheiro da suíte.

—Normal.–Não deu detalhe algum sobre os casos que havia pegado e nem sobre o estresse que passou com Tamayo em uma briga feia que tiveram. Não achava importante falar, ainda mais naquela noite.

—Ah!–Não insistiu e respondeu simplesmente após sair do banheiro.

—E o seu? Se divertiram muito no shopping?–Perguntava, mas querendo que, ao contrário dela, dissesse cada detalhe. Inclusive, sobre a tal loira ao seu lado, que pôde observar na chamada de vídeo.

—Foi sim. Esqueci de te enviar o vídeo, mas o seu filho tocou o terror lá.–Falava brincando.—Não é, Léo.–Se aproximava do mesmo, roubando a sua atenção.—Conta para a mamãe que você até pilotou um avião.

—VUMMMMMM!–Ele fazia o barulho do que ele achava ser uma aeronave, fazendo-as rir.

—Cara, você é demais!–Disse Alicia, beijando a lateral do rosto do pequeno enquanto ria da sua bela atuação.

—Ele é sim.–Raquel concordava, arrumando o berço ajustado ao lado da cama, pois logo o garotinho estaria dormindo ali.

—E você, se divertiu muito?–Alicia perguntou sugestiva, porém em um tom de voz tranquilo.

—Me arrependo pelo cansaço, mas sim. Me diverti bastante.–Foi sincera e Alicia afirmou com a cabeça, curiosa e ainda desconfiada.—Aliás, encontrei a Macarena. Acredita?–Se lembrava de contar.

—Ah, a Macarena? Ferreiro?–Perguntava, claramente incomodada com a notícia.—Então era ela que estava com vocês.

—Sim. Encontrei-a lá. Foi levar a sobrinha para tirar umas fotos no carrossel, mas deu muito errado, porque nem todos os bebês são tão corajosos quanto o seu filho.–Contava, debochando do quão Alicia lascava elogios no menino, comparando-o a si e fazendo questão de afirmar a todo momento que havia herdado todas as suas qualidades.—Ela preferiu a piscina de bolinhas. Uma gracinha! Eles até brincaram juntos.–Retirava os brinquedos do pequeno de cima da cama.—Mas logo acabou em choro.

—Você bateu nela, garoto?–Perguntava como se o menino fosse lhe responder.

—Quase. Tirei-o de perto antes.

—Ah!–Reagiu sem tanta emoção.—Mas como se encontraram?

—Eu e Macarena ou o Léo e a Lucía?–Raquel começava a notar o incomodo de Sierra.

—Você e Macarena. Afinal, que eu saiba, já colocamos um ponto final em tudo relacionado ao caso.–Era rude sem perceber.—Ou não?

—Alicia, não seja estúpida!–Retrucava a sua fala infeliz. Sentia-se ofendida com as insinuações que a mulher fazia.—Não marcamos de nos encontrar. Eu nem tinha contato algum com ela. Nunca tive. Mas estava lá também com a sua sobrinha, como eu já lhe expliquei.–Começava a ficar impaciente, pois já estava cansada demais para ter uma briguinha besta àquela hora.

—Ok!–Alicia não disse mais nada, porém tudo o que achava estava claro em seu rosto, carregado de expressões nada satisfeitas.

Raquel pegou o pequeno de seus braços, evitando encará-la e logo possibilitou que a ruiva fosse direto ao banheiro tomar banho e vestir-se com uma camisola de seda verde musgo mais leve. Assim, ficava não só livre para amamentar, mas também para para relaxar, após um dia tenso, presa a um monte de roupas.

DNA e família - SPIN-OFFOnde histórias criam vida. Descubra agora