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olá, leitores! passando aqui apenas para agradecer vossas leituras, somos 51k!!!! ♡ e também, planejei um capítulo especial para esse marco e o aniversário de um ano dessa obra. mais uma vez, muito obrigada e aproveitem a leitura. ♡

início de 1995. Billy Loomis, Woodsboro.

A sala estava mergulhada em uma tensão sufocante, que parecia penetrar nas paredes e se misturar ao odor rançoso de álcool que pairava no ar. Billy Loomis encarava o pai, que retribuía o olhar com uma expressão severa e impenetrável. O motivo da discussão era banal, como quase sempre-uma nota baixa, uma resposta atravessada durante o jantar, uma pergunta que deveria ter sido engolida. Mas, naquela tarde, o diálogo se transformara em um campo de batalha. Billy não sabia onde aquilo acabaria, mas sentia no peito que, dessa vez, não havia como recuar.

- Você não entende nada do que eu passo! - Sua voz saiu amarga, entrecortada pelo nó que se formava na garganta. - Eu não sou obrigado a ser perfeito o tempo todo.

O pai inclinou-se um pouco para frente, o olhar cortante, como se quisesse esmagá-lo com palavras que pesavam como chumbo.

- Olha, Billy, a última coisa que essa família precisa é de mais problemas. E eu não vou ficar limpando a bagunça que você faz, entendeu? Acha que sua mãe foi embora à toa? Acha que eu não sei o que se passa na sua cabeça? - A frieza de sua voz era quase cirúrgica, cada palavra atingindo com precisão.

A menção à mãe atravessou Billy como uma lâmina. Sabia que era um ponto vulnerável, uma ferida aberta que insistia em latejar, mesmo depois de tanto tempo. A imagem dela, partindo com malas nas mãos e deixando para trás um rastro de perfume barato e uma tristeza indescritível, enchia sua mente. Ele odiava o modo como o pai usava aquilo contra ele, como um veneno que corroía cada fragmento de sua resistência.

Billy cerrou os dentes, os ombros tensos, o peito subindo e descendo em um ritmo descompassado. As palavras afiadas que costumava usar ficaram presas na garganta, e ele se viu incapaz de responder. O pai o fitava, imóvel, com uma satisfação sombria de quem havia desvendado o ponto mais frágil de seu oponente. Era como se já tivesse vencido, por ter conseguido trazer à tona a dor que Billy mantinha tão bem guardada. E, então, Billy compreendeu: por mais que tentasse lutar, gritar ou argumentar, nada mudaria. Seu pai jamais se dobraria.

Ele soltou um riso curto, seco, que soou tão amargo quanto o gosto metálico que tomava sua boca. Um sorriso ferido brotou em seus lábios, uma rendição silenciosa àquilo que já sabia ser inevitável.

- Tá bom. - As palavras escaparam antes que pudesse refreá-las, e ele se virou, subindo as escadas. Deixou o pai para trás, perdido nos próprios pensamentos que Billy jamais conseguiria decifrar.

Chegou ao quarto e trancou a porta atrás de si. O eco da discussão ainda pulsava em seus ouvidos, mas logo o silêncio tomou conta. Sentiu o peito apertado, o coração martelando de maneira frenética. Precisava de um escape, de algo que pudesse dissipar a raiva que queimava dentro dele como uma chama incontrolável.

Dirigiu-se à cômoda e começou a remexer entre papéis amassados, fitas VHS desgastadas e objetos que, de alguma forma, acreditava que o ajudariam a manter o controle. Mas, naquela noite, procurava apenas uma coisa: os cigarros. As mãos tremiam enquanto jogava os itens de um lado para o outro, tentando ignorar a sensação de que cada movimento refletia a própria desordem que reinava em sua mente. A necessidade de algo que pudesse mascarar o gosto amargo de derrota crescia, uma urgência que o fazia se sentir um intruso na própria casa, um reflexo das falhas que seu pai se recusava a esquecer.

Me And The DevilOnde histórias criam vida. Descubra agora