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O caminho inteiro foi um completo silêncio, e Jungkook não sabia se ficava feliz ou preocupado pelo silêncio, a final, não sabia o que passava na mente da mãe, ou o que ela havia descoberto, e foi nesse momento que Jungkook teve uma minuscula ponta de arrependimento de ter escolhido sua vida dupla.

Parecia fácil, no trabalho, faculdade e em casa, ele era Jeon Jungkook, o filho, aluno e empregado excelente, perfeito que não cometia erros. No cassino ou jogos, ele era o olhos de coelho, o jogador mais concentrado e que nunca perdia uma partida sequer.

Não que os dois não fosse a mesma pessoa ou tivesse os mesmos gostos, isso era evidente que eram a mesma pessoa, mas o que mudava um do outro era o jeito de ver as coisas, Jungkook sempre andava com um pé atrás com tudo, ter duas condições que o deixava se sentir vulnerável era extremamente torturante para si.

Ter protanopia o impedia de fazer algumas coisas como dirigir, já que ao fazer os exames de direção fora recusada sua carteira por ser considerado um perigo ao trânsito e de certa forma lhe impedia de cursar algo envolvido com tecnologia, por conta do risco de um erro na troca de cabos, podendo causar acidentes, no curso de biomedicina também não era algo fácil, por conta das várias cores que os elementos estudados tinham.

Já a borderline lhe levava do céu ao inferno em questões de segundos, o fazendo perder totalmente o controle de si, desde que fora diagnosticado com a síndrome de borderline - para ser exato foram a três sessões atrás - o rapaz tem vivido mais no inferno que no céu, crises e mais crises, ele não aceitava o fato desse seu problema existir, e claro com ela veio a ansiedade e depressão.

E por esses motivos, aquele silêncio no carro - por mais que o rádio tocasse um trot antigo em um tom monótono e baixíssimo - ele preferia que a mãe viesse da faculdade até em casa reclamando de suas longas horas de frente para a tela do computador jogando, do que aquele silêncio que parecia não ter fim.

— Eu encontrei umas coisas no seu closet... — Chae-rin quebrou finalmente o silêncio, mas isso não foi aliviador para o filho.

— Já começa errado, o que estava fuçando nas minhas coisas? Onde fica a privacidade?

— Eu sou sua mãe, tenho total direito para olhar suas coisas.

— Não tem não! Eu sou de maior, você não tem esse direito de fuçar minhas coisas.

— Que seja, eu encontrei algo e quero explicações!

— E o que acho? Outra carteira de cigarro? Ainda não caiu sua ficha de que eu fumo?

— Não, e as que encontrei lá joguei no lixo!

— Você o que? Só pode tá de brincadeira, além de invadir minha privacidade, pega minhas coisas e joga no lixo sem meu consentimento.

— Eu que não iria deixar lá para você se matar aos poucos!

— Eu não fico mexendo na suas coisa, omma, e muito menos pego algo que é seu e jogo fora, independente do que seja a coisa! — saiu do carro batendo a porta.

— Já falei para você não agir assim comigo, parece um maluco gritando para todos os vizinhos escutarem! — a mulher saiu do carro acompanhando o filho.

— É bom eles escutarem mesmo, só assim eles vão saber que nessa família não é mil maravilhas como você e o appa sai espalhando por ai afora!

— Jungkook, eu não estou te reconhecendo, você tá agindo como um delinquente, fumando, só vive naquele quarto jogando quase 24 horas por dia, seus estudos estão indo de mal a pior, e ainda me esconde as coisas e mente para mim!

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