Capítulo 8- Ameaça

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Lucerys.

Não deveria ter bebido.

Foi a primeira coisa que pensei ao abrir os olhos e realmente não deveria, nem mesmo cogitar a ideia de beber novamente e se isso por si só já me deixasse mal, lembrar do depois era pior ainda.

Não sei em que momento ao decorrer da conversa com o alfa galanteador, regado a muita bebida, que fomos se afastando do centro da festa, até alguma árvore longe para ser mais específico.

E lembro muito bem de não me importar com nada além de querer sentir, sentir alguma coisa. E quando percebi já estava sendo empurrado contra uma árvore, sendo tomado por beijos ávidos e coberto por desejo e cheiro.
Foi fácil retribuir com a mente repleta de álcool e carência, os beijos eram bons afinal, mesmo que mal soubesse como reagir e tivesse beijado muitíssimo mal, batendo os dentes contra o alfa que parecia se excitar mais com isso, me apertando com possessão.

Não foi realmente ruim essa parte, só que quando ele quis avançar e o afastei, não demorou muito para Jace aparecer e cair no soco com o Cregan, como se algo muito errado tivesse acontecido e desmaiei.

Que merda de noite foi essa?

— Minha cabeça — resmunguei bufando e me sentei, vendo que estava no meu quarto e não tinha nada fora do comum.

Tentei com muito custo sair da cama e depois de bons minutos finalmente fui até o banheiro, me permitindo esvaziar a bexiga cheia e fazer minha rotina matinal de sempre, logo tomando uma ducha rápida e tirando o pijama. Talvez tenha sido mamãe ou Aegon que me deixaram ali e me mudaram.

Meu lado lobo estava inquieto e muito irritado, me deixando momentaneamente confuso com isso. Nossa ligação sempre foi unida e agora parecia não ser o caso, como se tivéssemos brigado em algum momento que não me recordo.

Quando saí do quarto e fui em direção a cozinha, senti o cheiro de comida e fui rapidamente, porém assim que cheguei na porta fiquei paralisado e levantei meu olhar encontrando o supremo, bem ali, na minha frente, em carne e osso.

Porra, isso é pesadelo?

— Bom dia — disse o supremo em minha direção, com seu olho afiado e intenso, bonito como sempre, mesmo com o tapa olho. Mamãe e o pessoal me notaram logo.

— Bom dia.... — falei incerto ao terminar de adentrar o cômodo e ir em direção a mesa, vendo minha mãe me encarando severamente. — O que foi?

— O que foi? — repetiu Jace irritado e isso me fez encara-lo atentamente e concordar, sem entender a raiva descabida.

— Deixe ele tomar o café da manhã — disse mamãe suspirando e me sentei, confuso.

— Você se lembra de ontem? — perguntou Aegon ao meu lado e isso me fez refletir, afinal, óbvio que todos estavam atento a nossa conversa baixa e isso não me importava mesmo. Não fiz nada de errado.

— Não? Eu lembro que vocês saíram, fiquei bebendo e chegou um cara e comecei a conversar com ele e depois fica meio confuso — falei dando de ombro, começando a me servir e ignorando os resmungos de Jace e o óbvio olhar do alfa em pé sob mim. — O que é motivo para tanto surtos?

— Ele quis te embebedar — disse Jace em um tom alto, batendo na mesa com certa força e isso me fez encara-lo imediatamente, sério.

— Jace, você não é meu pai. Eu já tenho idade o suficiente para fazer o que bem entender da porra da minha vida. — falei irritado e uma tensão se formou ali, sendo bem óbvia.

— Como você é irresponsável! — resmungou Jace se levantando e saindo da cozinha rapidamente.

O silêncio ficou pesado no ambiente e isso me fez suspirar e perder o apetite que tinha, mesmo que a mesa estivesse repleta de coisas que eu gosto. Não sabia o motivo de tantas confusões, afinal, não era por ser um ômega que deveria me manter isolado, né?
Não lembro muito, mas não acho certo invalidar totalmente o alfa, que fora tão educado e gentil comigo.

Meu Supremo - LucemondOnde histórias criam vida. Descubra agora