— Por que falasse pra eu ir na frente? — Já estavam quase chegando em casa quando o potiguar interrogou o irmão. Ele estava extremamente silencioso o caminho inteiro.
— Tchê, não é da tua conta.
— Marcou de ir amanhã também?
— Como eu disse, não é da tua conta.
— Se isso começar a dominar a tua vida vai ser da minha conta sim, galado. — Esperou que ele olhasse para si afiado. — Eu me preocupo contigo visse. Tu és minha família maninho. Ficamos tempo demais afastados e tu mudasse. — Devolveu o olhar agressivo. — Quando eu vou poder te perguntar sobre isso?
Convenientemente havia chegado na casa do barbudo. Rio Grande do Sul desceu apressado e agressivo sem dar resposta.
De novo aquelas memórias desgraçadas. Entrou na casa batendo a porta com força. Decidiu tomar uma cerveja antes de dormir, para tentar se distrair e esquecer. Imediatamente abriu uma garrafa e bebeu do gargalo mesmo, se atirando no sofá e encarando o teto, não tinha mais energia para fazer outra coisa.
Entendia que estava no desespero naquela época, mas se decepcionava consigo mesmo de ter se permitido fazer aquilo. De ter tocado ele daquela forma. Porque que Uruguai precisava ter sido tão simpático consigo? Ele sabia muito bem que não ganharia mais nada de si. Pra que insistir então?!
Revirou os olhos e tapou a cara com o braço murmurando xingamentos.
Ele não insistiu, fui eu que cedi muito fácil. Um homem porra! Jamais pensou dessa forma! Nunca teve dificuldade para arranjar mulher também! Mesmo em campanha passava por alguns vilarejos, falava um pouco de espanhol, podia ter conquistado alguém para uma noite em sua companhia! Porque aceitou um homem?! E reagiu a ele?! Porra! Conseguiu ficar de pau duro com a porra de um homem!!! Caralho!!!
Aquilo não era serviço para uma mísera cerveja. Se levantou irritado e buscou a cachaça que tinha no fundo do armário. Entornou a bebida tomando um longo gole. Aquilo ardeu em sua garganta. Agora sim a punição que precisava. Virou novamente, não queria lembrar daquele corpo pálido e esguio, daquelas sensações de sexo ao relento somente com a luz da lua e o calor da fogueira extinguida. A sensação de um pênis rijo em sua mão que não fosse o próprio.
Virou novamente a garrafa, não havia bebido o suficiente ainda. Fizera tudo aquilo, mas não fizera questão de ver o rosto do uruguaio naquela situação. Entornou a garrafa. Finalmente se sentia bêbado. Era mais fácil de deixar aqueles pensamentos passarem. Porém nesse estado não conseguia mandar muito no que pensava ou deixava de pensar.
Paraná lhe veio à mente. Sempre irritante querendo mandar na sua vida.
— Baitola.... — Murmurou amargo em voz alta novamente virando outro gole do álcool.
_____ _____
Talvez não tivesse sido uma ideia muito boa beber em dia de semana. Foi a primeira coisa que o gaúcho pensou ao acordar. O sol lhe batia brilhante no rosto. Lembrou que ainda estava na sala, onde bebera e dormira.
Uma dor de cabeça lhe martelava o crânio, não conseguia abrir os olhos e seu corpo doía. Dormira mal. Muito mal. Percebeu em como estava posicionado estranho no móvel. Se mexeu devagar, mantendo os olhos fechados.
Finalmente conseguiu sentar, esfregou as mãos no rosto com força e se apoiou daquele jeito. Tentou várias vezes até que conseguiu abrir os olhos devagar e pesadamente. Por sorte seu celular estava por perto, viu o horário e deu graças aos céus de estar condicionado a acordar cedo, não se atrasaria, mas precisava se mexer.
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Origens [Devagar quase parando]
Fanfiction- Erhm eu sei que tecnicamente a gente já começou a trabalhar e não somos mais novatos, mas de quem é aquela mesa? - Catarina apontou para a escrivaninha vazia em frente à sua. - Eu nunca vi ser ocupada.... - Também não sei.... - Paraná apoiou distr...
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