Visita nada agradável

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Novamente recebeu uma visita nada agradável. Dessa vez levaram os documentos de sua casa dizendo que devolveriam quando fosse até lá paga-los o que devia, ou assinar a "venda" para o nome deles. Claro que quis lutar, mas seus punhos podiam fazer pouca coisa contra armas de fogo. Ainda mais quando estas estavam apontadas para sua égua, na forma de "aviso amigável".

Não tinha mais nenhum pila furado que pudesse lhe comprar mais tempo e se conhecia aquela gente iriam realmente matar seus cavalos e talvez dessa vez lhe dar uma surra de verdade. Exceto pelo fato de não ter para onde ir, não se importava muito com a casa. Foi o brasileiro que tinha arranjado ela para si e por sua culpa que se encontrava nessa situação. Então uma mão lava a outra. Brasil não poderia lhe cobrar por isso. Suspirou para o quarto escuro, pensava em tudo isso numa noite insone.

Talvez realmente não tivesse escolha. Precisaria falar com seu pai.

Riu do próprio pensamento. Saíra de casa brigado com ele depois de uma discussão que já não lembrava o motivo. Tinha levado seus dois cavalos e somente o necessário para sobrevivência mundo afora com a promessa dele retirar seu nome da herança. Não que estivesse de olho nos muitos pertences do pai, mas sem isso, não tinha motivo de ficar, dado o estado de relacionamento que os dois se encontravam.

Talvez fosse o caso de já aparecer logo com os bichos na porteira da estância. Sabia que o pai era como a si e não deixaria o animal desamparado, já que não era a falta de recurso que era o problema. Talvez escrevesse só uma carta e largasse os bichos lá, assim não teria que ver a cara do genitor.

Duvidava muito que ele o recebesse de novo. Ainda mais agora que era gay e sem honras em seu nome. Fora criado por ele para ser Homem com "H" maiúsculo. Homem de verdade. Seu modo de pensar provavelmente era bastante idêntico ao seu, portanto nem suportaria a ideia que um de seus filhos fosse gay. Talvez tivesse um infarto na hora que descobrisse.

Riu irônico. Ha, se fosse antes dele ter tirado seu nome da herança talvez isso lhe fosse útil.

De qualquer forma, precisava resolver sua situação com o Brasil. Iria caçá-lo até o inferno se fosse necessário.


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O dia havia chegado. Sul estava na porteira da estância que um dia chamou de lar. Tinha a carta no bolso e seus três cavalos consigo, montava seu garanhão e puxava a égua com o potro ao seu lado.

Suspirou tomando uma dose de coragem, se fosse rápido seu plano daria certo. Era só esperar o caseiro sair dos estábulos que entraria lá e colocaria seus cavalos numa das baias com a carta pregada na porta. Seu pai só saía de dentro de casa de manhã, agora já era o meio da tarde, não tinha risco de encontrá-lo.

Viu o capataz da estância rumando para a sede. Era agora! Entrou sorrateiro e fez como o planejado, deixando seus animais em duas das baias que outrora eram suas e pareciam vagas. Tirou as encilhas do lombo de seu garanhão e as guardou no lugar de sempre. Olhou em volta saudoso. Antes que pudesse se perder em memórias ouviu um ruído do lado de fora e tratou de sair apressado.

Antes que pulasse a cerca lançou um último olhar para trás. Viu seu pai na varanda da casa e ele havia lhe visto. Não tinha o que ser dito, virou a cara e foi embora, ao menos sabia que agora seus animais não estariam desamparados.

Sentiu algo no rosto e passou a mão na bochecha descobrindo a lágrima solitária e o coração apertado. Amava o pai. Ele agora parecia tão velho e frágil... Seu bigode parecia ter embranquecido mais e sua postura parecia cansada. Mas sabia que não era bem vindo. Não depois de ter ido embora daquele jeito e muito menos por ser gay. 






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Como avisei, esse é um cap curto~

E na real ficaria melhor se os dois pedaços fossem separados tb, mas dai era sacanagem com a cara de vcs  :')  sendo que não tive criatividade pra escrever outra coisa além do Sul, então ficou assim mesmo. Espero que tenham gostado

Origens [Devagar quase parando]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora