Fofo, o colossal cão de três cabeças, havia sido astuciosamente enfeitiçado para que suas presas tivessem um veneno letal, tão potente que poderia abater até mesmo um trasgo em meros instantes.
Celeste encontrava-se sob os cuidados intensivos da enfermaria há cerca de uma semana e meia. Madame Pomfrey, a dedicada enfermeira da escola, administrava seu tratamento com precisão, purificando o seu sangue do veneno e curando a ferida que estava infeccionada, agora cicatrizando adequadamente.
— Você está se recuperando muito bem, minha querida! Mantenha-se assim e em breve estará livre — disse Madame Pomfrey, com um sorriso, enquanto auxiliava a garota a caminhar com firmeza pelo espaço tranquilo da enfermaria.
Após o breve exercício, Celeste repousou na maca, sua voz baixa e grata ao murmurar um "obrigada". Com um gesto de cabeça repleto de afeto maternal, Madame Pomfrey dirigiu-se a outro paciente necessitado de sua atenção.
Celeste era o centro das atenções na enfermaria, recebendo uma enxurrada de visitas. Professores vinham em peso, alternando entre expressões de preocupação e sorrisos orgulhosos, admirando a coragem e o brilhantismo acadêmico da jovem. Até mesmo Snape, com seu rosto usualmente inexpressivo, ofereceu-lhe um sorriso tímido e raro enquanto entregava a menina o resultado impecável de sua última avaliação.
Durante esses dias, Harry, Rony e até mesmo Hermione também fizeram questão de visitá-la. Rony colocou um jarro branco repleto de flores frescas, colhidas diretamente do jardim de Hagrid, na mesinha ao lado da cama de Celeste. Hermione presenteou-a com um volumoso livro de capa de couro roxa, intitulado "Conjurações para Iniciantes". Harry, por sua vez, trouxe uma vasilha cheia de doces escondidos do jantar, cuidadosamente embrulhados para passarem despercebidos por Madame Pomfrey, que certamente o jogaria da torre se descobrisse.
— Foi uma semana louca... — comentou Ron, com um suspiro de alívio. — Mas conseguimos! E muito disso é graças a você.
Harry aproximou-se da maca.
— Você foi incrível, Celeste. Não teríamos conseguido sem a sua ajuda. Obrigado!
Luna, Cedrico e Susana também eram presenças constantes. Luna, lia para Celeste as últimas notícias
publicadas no jornal de seu pai, capturando a atenção da garota. Susana mantinha Celeste a par das fofocas correntes entre os lufanos.
A ruiva se aproximou da cama com um sorriso malicioso. Olhou ao redor para garantir que ninguém mais estava ouvindo.
— Você nem vai acreditar no burburinho que está correndo pelos corredores da Lufa-Lufa! Cedrico e Cho Chang foram flagrados nas masmorras e definitivamente não estavam estudando poções, se é que me entende. — Ela fez uma pausa dramática, erguendo uma sobrancelha com malícia.
Cedrico, que passava as noites na enfermaria, dormindo com a boca aberta e a cabeça caída na poltrona, ficou visivelmente constrangido, sua boca se apertando em uma linha fina e o rosto corando rapidamente sob o olhar divertido da garota.
— Tá namorando! Tá namorando! — Celeste provocava, batendo palmas e rindo enquanto observava Cedrico alternar entre tons de branco e vermelho.
— Fica quieta! — Cedrico revirou os olhos, puxando a coberta até o rosto numa tentativa de se esconder, o que apenas a fez rir ainda mais alto.
Draco também fazia suas visitas, embora estas fossem marcadas por uma preocupação. Quando sua amiga estava inconsciente, Draco mal conseguia dormir ou comer. As olheiras profundas e o inchaço eram evidentes em seu rosto pálido, agora mais magro e marcado do que nunca. Na primeira vez que ele entrou na enfermaria, segurando um buquê de flores e viu Celeste acordada, ele desabou em lágrimas que duraram toda a visita. Ele se culpava por não ter estado mais presente durante o ano letivo e temia ter perdido a única pessoa que realmente se importava com ele.
Os gêmeos Weasleys passavam as tardes inteiras enfiados na enfermaria, fazendo Celeste se sentir melhor.
— E aí, rainha do caos, como você está se sentindo?
— Bom dia pra você também George— respondeu a garota, revirando os olhos. — Hoje de manhã eu acordei com uma dor na coluna...
Ela se espreguiçou ainda na cama.
— Da próxima vez, acorde de tarde, ué — ele sugeriu com um riso. O ruivo se ajoelhou ao lado da cama com um sorriso maroto.— Nem te contei, menina! — Disse, dando um leve tapa no braço da garota. — Sabe a Angelina? Aquela que vivia grudada no Fred como se fosse um chiclete?
— Eles estavam namorando, né?
— Ah, sei lá o que eles tinham, mas deram um tempo — ele fez aspas no ar com os dedos. — Fred estava se escondendo no armário de vassouras porque, claro, é o melhor lugar para se esconder da Minerva, e ouviu a Angelina falando com uma amiga.
Ele fez uma pausa dramática, olhando em volta para garantir que Fred não estava por perto.
— Ela disse que só estava com ele porque não conseguiu nada comigo! — Sua voz se esganiçou um pouco, ficando mais fina, tentando segurar o riso. — Mas, né, quem pode culpá-la? Entre nós dois, sou claramente o gêmeo mais charmoso.
Celeste soltou uma gargalhada.
— Você está falando sério?
— Juro pela minha vassoura! — respondeu, jogando os cabelos ruivos para trás e fazendo pose. — Não é segredo que as bruxinhas piram no bruxão aqui.
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Let The Light In | Fred Weasley
Romance- Nós vamos ter que trabalhar nisso todos os dias, mas eu quero fazer isso! Porque eu quero você. Eu quero você. Eu quero você e eu para sempre.
