Pete Saengtham é um lindo ômega e filho de um dos homens mais ricos de Alphaville, após se meter em uma confusão envolvendo sua dignidade, seu pai o manda para Backover uma cidadezinha fora de vista do mapa. Sua chegada acaba mexendo com todos, como...
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O calor dos corpos ao meu redor tornava o ar sufocante, quase infernal. A multidão dançava no ritmo pulsante da música. Joguei a cabeça para trás, entregando-me ao som que tomava conta de mim. Minha mente sobrecarregada precisava de alívio, e nada melhor do que uma noite de bebida e sexo para me fazer esquecer das responsabilidades lá fora.
Foda-se. Ninguém nasce para ser capacho dos outros. Cresci em um berço de ouro, mas viver preso às expectativas da minha família já ultrapassou minha cota de paciência. Meu pai nunca entendeu que eu só queria viver, aproveitar minha liberdade, e não me tornar uma cópia dele, um robô programado para o trabalho. Desde que minha mãe morreu, ele esqueceu que tinha um filho. Esqueceu que seu "rebelde" o esperava em casa todos os dias.
Quando Will me convidou para a festa na boate, não pensei duas vezes. Vim sentir o prazer de dançar e curtir sem os seguranças ao meu redor. Fugir não era meu hábito, mas despistá-los foi um desafio — e, com certeza, agora estão enlouquecidos me procurando. Argh! Mas eu precisava dessa noite. E nada me impediria.
Saí da pista de dança e voltei para o bar. Minha roupa brilhante destacava-se na minha pele, a maquiagem com glitter me deixava ainda mais sexy. Os olhares famintos dos alfas seguiam cada um dos meus movimentos. Claro que não sou um pedaço de carne, ainda me restava um pouco de dignidade.
— Um Cosmopolitan — pedi ao barman, que me entregou o copo com uma piscadela fofa.
— Sozinho? — A voz grave me fez virar para o lado. Um homem ocupava a cadeira vazia ao meu lado. Bonito. Muito bonito. Seus olhos verdes me observavam com fome enquanto eu passava a língua pela borda do copo. Sorri ao ver seu pomo de Adão descer.
— Que gatinho sapeca — ele provocou.
— Miau. — Levantei as mãos e arranhei seu peito de leve com as unhas. Ele riu, mordendo os lábios.
— Outro Cosmopolitan, por favor — ele pediu ao barman, sem desviar os olhos do meu decote. Minha camisa, um botão aberto, revelava parte da pele do meu peito. — Como você se chama?
— Johnson — menti, claro. Não sairia por aí revelando minha identidade, ainda mais sendo filho de Fin Saengtham, ex-capitão dos SEALs e candidato a um cargo político.
— Prazer, sou Abner.
Lancei um dos meus sorrisos calculados, aquele que fazia muitos se derreterem.
— Então, está sozinho?
— Unf. Sim. Só relaxando.
Conversamos sobre assuntos banais, nada pessoal. Joguei meu charme o tempo todo, e ele não se afastou nem por um segundo.
Quando me dei conta, estava nos braços de Abner, em um quarto escuro, meu corpo quente e entregue. Foi só então que a ficha caiu: eu havia caído direto na toca do lobo.
A noite foi perfeita. O sexo, ainda mais. Meu corpo carregava marcas deliciosas, mas Abner não estava ao meu lado quando acordei.
No elevador do hotel, peguei o celular da bolsa. Várias ligações de Finn. Revirei os olhos, ignorando a preocupação falsa do meu pai.
Olhei uma última vez para o hotel. Uma sensação estranha apertou meu peito. Algo me dizia que aquilo não havia sido certo.
E eu estava certo.
🚜🐖👨🏼🌾🐄
Acordei com os lençóis sendo puxados de cima de mim.
— Pai! Estou nu! — reclamei.
— Não se preocupe, todo mundo já viu o que você tem debaixo dessas roupas.
A voz de Fin era fria e cortante. Meu estômago revirou. Do que ele estava falando?
— Por que me acordou assim?
Ele jogou algo em mim. Uma revista.
— Merda — murmurei, pulando da cama ainda nu. Nem me importei com meu pai parado de costas para mim. — Quem foi o desgraçado que fez isso?!
— Pete, arrume suas coisas antes do almoço. Seu voo sai ao meio-dia.
Arregalei os olhos.
Meu pai saiu do quarto sem dizer mais nada.
Porra, o que eu fiz?
Peguei a revista e encarei a capa. Lá estava eu, nu sobre a cama king size do hotel, rindo, completamente exposto. Meu rosto estampava a manchete, colocando a reputação do meu pai no chão.
Pelo menos minha bunda estava bonita nas fotos. Meu cabelo caía de lado, dando um ar charmoso…
Balancei a cabeça, incrédulo. Não podia acreditar que Abner era um fotógrafo e que tinha armado tudo para conseguir exatamente o que queria.
Depois de um banho gelado, fui ao encontro de Finn. Que se dane. Não ia fazer mala nenhuma.
— Pete, está pronto? Vou pedir para Karen levá-lo ao aeroporto.
Meu pai nem ergueu os olhos para mim. Eu odiava essa pose de homem frio, indiferente ao que acontecia ao seu redor.
— Para onde estou indo desta vez? — Cruzei os braços. Já era rotina meu pai me despachar para algum lugar sempre que eu me metia em confusão. Tudo para proteger sua preciosa imagem.
— Backover. Você vai morar lá por um tempo.
— Morar?! — Minha voz saiu num grito. — O que diabos é Backover? É isso que o senhor quer? Se livrar de mim?! Essa é sua solução?!
Meus olhos ardiam, mas não deixei as lágrimas caírem.
— Pete, já chega. Estou cansado das suas merdas. Todo final de semana é a mesma coisa. Você já é adulto, precisa aprender a se comportar. Olhe para isso! — Ele ergueu a revista. — Milhares de comentários sobre o filho do deputado em fotos de uma revista sexual! Isso é demais. Você não é um adolescente aborrecido, Pete. Cresça.
Não. Eu não era um adolescente aborrecido. Só odiava ser privado da minha liberdade. Meu pai nunca se importou em entender minhas necessidades. Para ele, eu sempre fui o problema. Mas a verdade é que o problema era ele.
— O senhor não pode me mandar para um lugar desconhecido! Eu nunca saí sozinho de Alphaville!
— Aprenda. Você já tem idade para lidar com seus próprios problemas. Aqui está seu passaporte e passagem. Pedi a um amigo para você ficar na casa dele até a poeira baixar. Se comporte, Pete.
Eu não acreditava que ele realmente estava me mandando para uma cidadezinha esquecida, com um PIB insignificante, para viver com um estranho.
Minha cabeça girou. Preciso de um copo d’água.
— Vegas é um antigo amigo meu do exército. Pedi a ele que o escondesse dos holofotes por um tempo.
Engoli em seco.
— Tudo bem.
Meu pai não sorriu. Apenas assentiu e virou as costas.
Me deixou sem chance de dizer que eu preferia ficar trancado no meu quarto pelo resto da vida.
Em que momento da minha vida meu cérebro parou de entender que eu deveria evitar problemas?