um folheto amassado e uma macha de café

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— Estão todos prontos ?! — exclamei, interrogando o grupo de modelos severa e tranquila.

Os modelos assentiram e começaram a desfilar descoordenadamente colidindo uns nos outros como se fossem meros aspirantes.

— Saiam todos da passarela agora mesmo! — ordenei, bufando de raiva com a falta de profissionalismo.

Eles obedecem caminhando apressadamente para a coxia.

Suspirei, irritada. Se esse ensaio é uma prévia de como será o desfile de minha parceria com a Vogue, já sei que o resultado final vai ser deplorável. Em meio aos acessos de estresse, Jonatan apareceu na sala de ensaio segurando um folheto branco.

— Correspondência para você, Ellen. — Ele me entregou o panfleto e se direcionou para o banheiro da sala de ensaio.

Comecei a ler o panfleto com meu nome impresso logo nas primeiras linhas, mas parei logo na metade do texto, bufando. Era um daqueles típicos folhetos que indicam locais no feriado de Natal que estão arrecadando alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade.

— Que bobagem — sussurrei, amassando e jogando o panfleto diretamente na lixeira ao sair da sala de ensaio.

Pensando racionalmente, se as pessoas não tivessem condições de comprar comida, era melhor que fossem despejadas. Procurei por Carolina, olhando em volta do corredor.

— Carolina?! Carolina?!

Inesperadamente, a porta de madeira do depósito se abriu.

— Carolina! O que estava fazendo no depósito? — interroguei, irritada.

— Guardando o cenário do desfile anterior, Ellen — replicou ela, checando as horas no visor do seu telefone. — Como foi o ensaio para o desfile hoje?

Carolina olhou para mim.

— Foi simplesmente... Deplorável! Parece que os modelos têm dois pés esquerdos! — reclamei, encruzando os braços.

Carolina conteve uma risada, simulando uma tosse enquanto guardava o telefone no bolso da sua da sua calça moletom.

— Certamente eles estão cansados, Ellen. Vieram direto do aeroporto para o estúdio. Como é que você queria que eles estivessem dispostos?

— Pois eu digo que se eles realmente são da equipe do estúdio de moda Ellen Salles, precisam se dedicar ao máximo... — Parei de falar bruscamente ao ouvir som de música natalina ressoar pelo corredor. — De onde está vindo essa cantoria? — perguntei a Carolina, descruzando os braços.

— Deve estar vindo da sala de produção — concluiu ela, apontando com o nariz para uma sala com a porta entreaberta.

Carolina e eu dirigimos até a sala de produções, ouvindo a música e cantoria aumentar gradualmente, até que entramos e deparamos com Christian e Isadora segurando firme uma escada de alumínio, enquanto Isabelle colocava uma estrela enorme num pinheiro.

— O Natal é todo dia...

— Lá-lá-lá-lá-lá...

— Pinheirinho nasce noite dia...

— Lá-lá-lá-lá-lá ...

— Oi, Carolina, oi, Ellen — disseram os três, simultaneamente, ao notarem nossa

presença.

— Como foi o ensaio hoje, Ellen? — perguntou Isabelle, dando um belo salto do segundo degrau da escada de alumínio.

— Oi, amor — disse Matheus, comprimentando com um beijo nas bochechas.

— Foi deplorável — retorqui, revirando os olhos.

Estilista no natalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora