— Então... quer dizer que... Você não ia se casar, ia perder seu estúdio de moda e sua amizade com tia Carolina? Ainda por cima você seria dependente química?
— Isso mesmo — assegurei.
— Aí está você — exclamou Carolina, se materializando usando um vestido prateado três camadas de franjas. — Estávamos te procurando por toda parte.
Matheus surgiu atrás de Carolina vestindo um paletó azul-claro com camisa social de linho branco e sapa-tênis marrom.
— Os convidados já chegaram? — interroguei, olhando para os dois, que me fitavam parados à porta.
— Sim, já estão te esperando há horas — exclamou Matheus, apontando para seu relógio de pulso.
— Vamos? — perguntou Carolina, virando o pescoço para o lado de fora do quarto de Tamara.
— Eu já vou, podem ir na frente — balbuciei.
Os dois agoniados desapareceram quando me esquivei do banco caminhando em direção ao armário cor de lavanda do quarto de Tamara. Retirei de uma das prateleiras brancas o embrulho que estava entre duas pilhas de roupas de inverno.
— Sei que é cedo para trocas de presente, mas... creio eu que essa é a hora perfeita de entregar o seu... — exclamei, entregando a Tamara uma caixa embrulhada em um papel de presente estampado de lavanda.
Tamara desenbrulhou a caixa de madeira, perplexa. Ao abrir, ao invés do meu carrossel de porcelana estava uma máquina de escrever de porcelana.
— Que lindo, mãe! — exclamou Tamara, maravilhada, abrindo um sorriso confuso. — Mas... não era para eu ganhar o seu carrossel de porcelana? Que você ganhou da tia Carolina... — perguntou Tamara, olhando perplexa com o seu presente.
Abri um sorriso e disse:
— Achei essa máquina de escrever de porcelana em uma loja de decoração vintage enquanto eu fazia compras para repor o estoque de tecido do estúdio — continuei falando. — E mandei seu pai e o Jonathan colocarem a placa que faz tocar a música do meu carrossel de porcelana dentro da máquina de escrever. Agora sua máquina de escrever toca música ao apertar as teclas.
Tamara sorriu, incrédula, e apertou uma das teclas da máquina de escrever, que tocou brevemente a mesma música alegre de Natal do meu de porcelana.
— Isso significa que, tecnicamente, você ganhou o meu carrossel de porcelana. Só que... no seu estilo. — Abri um sorriso frouxo. — Soube através da sua professora de literatura que você anda escrevendo um livro. — acrescentei brincalhona, apertando as bochechas de Tamara. — Gostou? — perguntei, me aproximando mais dela.
— Eu amei! Obrigada, mãe! — agradeceu Tamara, me dando um abraço. — Vou colocar em cima da minha escrivaninha! — E se levantou da cama.
— Ok, mas não demore, querida — balbuciei, dando um beijo na testa dela.
Saí do quarto de Tamara e cruzei com Carolina no final do corredor, prestes a descer os degraus da escadaria de mármore. Previamente estava ajustando a correia de sua sandália de salto prata brilhante.
— Chocolate quente? — perguntou tio Válter, estendendo duas xícaras (em forma de orelha de gatinho) de chocolate quente com marshmallow.
— Ah, gente. Vê se a Ellen de sete anos aguentaria tanta fofura... — Carolina e eu nos entreolhamos e sorrimos.
— Pai, pode ligar a câmera? — pediu Carolina, colocando as partituras no compartimento de ferro do piano.
Tio Válter ligou a câmera do telefone de Carolina, fez sinal de positivo com as mãos e sentou no sofá. Ajustei altura do suporte do meu microfone, aguardando a luz branca da câmera do telefone de Carolina piscar.
— Boa noite a todos — eu disse, abrindo um sorriso e olhando diretamente para a câmera do telefone de Carolina.
— Sejam bem-vindos à festa beneficente da família Salles para arrecadação de fundos ao hospital infantil de doenças raras — prosseguiu Carolina.
— Quem quiser contribuir, basta acessar o site www.hospitalinfantilcisnebranco.com'' — informei, olhando para as informações que passavam em forma de vídeo no meu telefone.
— Ou você pode aproximar a câmera do seu telefone para esse código que vai aparecer no lado esquerdo do seu televisor — pronunciou Carolina. — Agora fiquem com a nossa apresentação musical. A todos um ótimo Natal a todos e um próspero Ano Novo! — desejou ela aos espectadores, começando a tocar as primeira notas de "A todos um bom Natal" no piano.
— Mesmo que a música que a gente vai cantar já diga tudo isso... — brinquei, fazendo com que todos em volta do piano soltassem risadas abafadas.
— A todos um bom Natal...
— A todos um bom Natal...
— A todos um bom Natal...
— E um Ano Novo feliz!
— Nós agradecemos por estar aqui...
— A todos um bom Natal ...
— E um Ano Novo feliz!
— La-la-la...
— La-la-la...
— A todos um bom Nataaaal e um Anoooo Feliiiiiiz.
FIM
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Estilista no natal
FanfictionEllen Salles é uma Jovem; bonita, criativa e estilosa. Dona de uma renomada confecção de moda em Paris. Que simplesmente odeia o natal, após os acontecimentos que aconteceram durante a sua infância. Logo após achegada da vida adulta, ela começou agi...
