natal presente

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  Pela terceira vez naquela mesma noite, acordei sentindo o rabo de Safira balançando de um lado para o outro fazendo cócegas no meu rosto.

— Safira, por favor, tire seu rabo do meu rosto — balbuciei, tentando tatear para afastar o rabo da gata.

Como se estivesse me escutando, ela se afastou. Mas, em pouco tempo, senti que ela novamente balançava seu rabo.

— Safira, por gentileza, tire o rabo do meu rosto! Está fazendo cócegas! — ordenei, ajustando a máscara de dormir.

— Não era Safira que estava fazendo cócegas no seu rosto — balbuciou uma voz feminina e aveludada.

Levantei a máscara de dormir depressa para ver quem ou o que dissera aquilo.

— Olá, Ellen. Ansiosa para seu Natal presente? — interrogou o espírito que estava

sentado em uma difusa nuvem em forma de cadeira feita doces.

— Q-q-q-quem é você? — perguntei à aparição, gaguejando de medo.

— Quanta indelicadeza a minha — soltou uma risada — Sou Lola Sung Tan. Espírito do natal presente — disse o espírito,sacolejando a pena lentamente que se desfez fumaça verde

— Miauuuu!!!

Safira praticamente voou em cima de Lola como se ela fosse um tronco de árvore e parecia querer alcançar os brincos em forma de biscoito de gengibre que balançavam nas orelhas do espírito. Peguei-a com certa dificuldade de retirar suas unhas afiadas. No canudos de alcaçuz entrelaçados em volta do pescoço de Lola, havia um tipo de colar.

— Creio que essa bola de pêlo pode ir conosco — replicou Lola, dando leve batida com a varinha em forma de pirulito mordiscado na narina de Safira.

— Me desculpe pela Safira, Lola.Geralmente ela não é assim — exclamei, acariciando o lombo de Safira.

— Tudo bem, os animais de estimação são uma ótima companhia — disse Lola, estendendo a varinha para ativar o portal.

— Presente na nossa frente, mostre o que as pessoas sentem — declamou Lola, e fez jorrar faíscas de luzes rosa da ponta de sua varinha em forma de pirulito mordiscado.

O portal nos levou para dentro da sala de produções do estúdio no dia seguinte, repleta de máquinas de costura, rolos de tecido branco, lilás e dourado sobre uma das bancas de corte de acrílico rosa. Colaboradores trabalhavam nos detalhes para o próximo desfile.

Desatei Safira dos meus braços. Isabelle se afastou do manequim com rebites de metal dourado nas alças de um vestido púrpura e, esfregando um dos olhos, se dirigiu ao cabideiro de ferro e retirou o meu casaco que imitava o couro de camurça marrom nas barras da touca e, nos pulsos de tecido, pelúcia branca.

os pulsos de tecido, pelúcia branca.

— Quem sou eu? — perguntou Isabelle ao resto do grupo, passando o batom vermelho nos lábios que estava no bolso do meu casaco.

— Você parece a Ellen — respondeu Christian.

— Estraga prazeres natalinos, você quer dizer — emendou Isabelle.

— Isso mesmo — respondeu Isadora, soltando riso debochado em apoio a irmã.

— Isabelle, coloque este casaco no cabideiro antes que a Ellen...

— Antes que o quê? Isabelle disse antes de Christian finalizar a frase. — Que ela nos demita?

Mesmo contra vontade, Isabelle obedeceu Christian e colocou o casaco de volta no cabideiro.

Estilista no natalHistórias para pegar e não largar. Descubra agora