– Meus braços estão doendo.
– Use os pés.
– Meus pés também estão doendo.
– Meus ouvidos estão doendo.
– Vocês duas podem parar de brigar? – Perguntou Eliara, por fim, revirando os olhos. – Elizabeth, se concentre no vinho, Catrina, a massa não fica pronta sozinha. E, Julieta, o forno, por favor.
Giulya, cujos olhos estavam presos no livro em seu colo, pulou do lugar e girou nas pontas dos pés para verificar, torcendo o nariz para o leve odor de queimado embrenhado no pão.
– Oh, acho melhor eu tirar logo. – Ela sussurrou, mais para si mesma. Enquanto as outras três terminavam seus afazeres, Eliara voltou a estudar as instruções que já tinha lido um milhão de vezes.
Deviam segui-las a risca, ou a Donzela sabia onde iriam acabar parando. Precisavam confiar que a magia de Karyna seria forte o bastante para abrir a porta entre os mundos, e usar um colar de Wyrd para garantir que poderiam passar. Não deviam soltar suas mãos, ou se separariam, nem interromper ou mudar o feitiço de qualquer forma.
Karyna tinha uma magia poderosa, mas muito ligada às emoções e condicional. Funcionava menos no deserto e saía de controle na Carvalhal, era fraca em alto mar, mas poderosa quando cercada de vento. Eliara não sabia definir se eram lugares onde se sentia segura, ou os elementos que melhor controlava. Talvez os dois.
Elas sairiam ao meio dia, viajariam até as cavernas das Montanhas Ararat, onde suas Serpentes guardavam seus pertences mais preciosos.
Fazia tanto tempo que Eliara não via seu macho, Sun, que não sabia se ele a reconheceria de cara. Quando saíram de Forte da Fenda, viajaram até Meah, e de lá para as montanhas e o templo em seu pé. Faziam agora quatro anos que Eliara não voava. Não gostava de viajar até a cidade, nem de subir as montanhas, então não vira Sun por esse tempo. Agora, precisaria enfrentar sua Serpente para recuperar suas armas?
– E você, Lisandra? – Perguntou Eliza, erguendo a sobrancelha arqueada e enfiando o pé com força no tonel de uvas frescas, as canelas cor de açafrão se tingindo de roxo. – Não está fazendo nada?
– Eu já terminei meus afazeres, Elizabeth. – Respondeu, dobrando a carta e a escorregando para o bolso escondido na manga da túnica verde. – Acordei mais cedo para varrer todo o pátio e preparar os queijos para o café.
– Não minta. – Pediu Giulya, fechando novamente a porta do grande forno a lenha, outra travessa de pães lá dentro. – Você mal ficou uma hora na cama. Não tem dormido nos últimos dias.
– Terei tempo para dormir quando tudo acabar. – Respondeu, agradecendo internamente a preocupação da amiga.
– Precisa dormir antes de tudo começar. – Recomendou Karyna, enrolando a massa contra a bancada e a partindo. – Porque não sobe e tira um cochilo? Te acordamos quando terminarmos nossas tarefas.
– Só não entendo porque temos que fazer essas tarefas se vamos embora, de qualquer forma. – Resmungou Eliza.
– Amor, não podemos ir embora e deixar tudo por fazer. – Disse Giulya, saltitando para perto da bruxa e mergulhando o dedo no suco à seus pés. – Está gostoso.
– Claro que está. – Eliza sorriu, então ergueu os olhos para Eliara, ainda parada à beira da cozinha. – E você ainda está aqui? Vá, vá dormir um pouco. Precisaremos de energia quando chegarmos lá.
– Tudo bem, tudo bem. Vocês ganharam. – Se rendeu, erguendo as mãos e atravessando o espaço até a porta. – Me chamem quando tiverem terminado, tudo bem? Nem um minuto a mais.
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Os Portadores Elementais
FanfictionNascer em um mundo livre, é bom apenas antes que a guerra tente lhe colocar correntes. Gavriel é o filho de uma terra diferente. Uma terra sem gentileza, recoberta de maldade e rancor. Ele treinou a vida para ser o melhor Guardião que poderia, par...
