Twenty four | Miguel and Benjamín

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❝Tem sido um longo dia sem você, meu amigo
E eu te contarei tudo quando eu te ver de novo
Fizemos um longo caminho desde onde começamos❞

See You Again - Wiz Khalifa (feat. Charlie Puth)

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12 de novembro de 2019San Diego, Estados Unidos5 anos atrás

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12 de novembro de 2019
San Diego, Estados Unidos
5 anos atrás

Pingos de chuva caíam pesadamente sobre mim, encharcando minhas roupas e cabelos, mas no momento eu estava pouco me fodendo.

Eu observava a cena à minha frente com uma frieza quase anestésica. A grama ao redor do cemitério se tornava um lamaçal, enquanto as pessoas se amontoavam sob guarda-chuvas pretos e entre elas, Rachel estava de joelhos, seus ombros estavam sacudidos pelo choro desesperado, suas mãos trêmulas agarrando-se à terra que logo cobriria o caixão de Miguel.

Eu deveria sentir alguma coisa, talvez. Dor, tristeza, raiva. Mas eu estava vazio, totalmente vazio. O som abafado da pá cavando a terra me fazia sentir como se estivesse assistindo a tudo de fora, como um espectador distante.

Rachel soluçava, seus gritos ecoavam pelo cemitério silencioso, cortando o ar pesado como uma faca. A cada vez que ela repetia o nome do irmão, parecia que estava esfaqueando a si mesma, uma dor que, para ela, nunca acabaria.

Mas para mim... o que chorar resolveria? De que servia toda aquela tristeza que ela exibia de forma tão aberta? Miguel estava morto. Estava frio, imóvel, enterrado sob uma caixa de madeira, e o choro dela, por mais desesperado e sincero que fosse, não o traria de volta. Nenhuma lágrima mudaria o fato de que meu primo havia partido.

Apertei os punhos, sentindo minhas unhas afundarem nas palmas das mãos, mas o desconforto era mínimo. Ao contrário de Rachel, eu não chorava. Não conseguia. A dor que ela expressava tão claramente não era algo que eu podia me dar ao luxo de sentir. Minha mente estava em um lugar distante, vagando por lembranças e promessas quebradas.

A tempestade ficou mais forte, e as pessoas ao redor começaram a murmurar, inquietas. Mas eu continuei parado, como uma estátua, meus olhos estavam fixos no caixão que descia lentamente à sepultura. O fim de uma vida. O fim dos sonhos de três jovens. Aquela era a linha final para Rachel e para mim também.

Virei o rosto lentamente para minha mãe, que estava ao meu lado. Paulina mantinha a mesma expressão vazia e distante de sempre, como se nada à nossa volta importasse. A chuva escorria pelo rosto dela, mas seus olhos, frios e calculistas, permaneciam fixos em algum ponto distante, além da sepultura onde Miguel estava sendo enterrado. Ela não disse uma única palavra, não fez um único gesto. Não ofereceu nem um olhar de tristeza ou compaixão. Era como se Miguel não fosse nada, como se aquele funeral fosse apenas uma inconveniência para o dia dela.

𝐂𝐎𝐍𝐄𝐂𝐓𝐀𝐃𝐎𝐒Onde histórias criam vida. Descubra agora