Capítulo 2

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Capítulo 2 – Centro de Seul, a cinco quadras da casa de Min Yoongi – 7:26 AM, Sexta-feira

Kim Taehyung

Depois do café, fui direto pro meu escritório. Tinha umas pendências de ontem pra resolver, coisa básica: cheques, nomes riscados, contratos com sangue.

Nada fora do comum.

Estava concentrado em uma pilha de documentos quando o celular vibrou. Nem precisei olhar o nome.

— Fala, Namjoon. Aconteceu alguma coisa?

Ele só me liga quando algo dá errado. E, como meu braço direito, ele sempre sabe o que fazer… mas às vezes, ele prefere me deixar brincar um pouco.

— Capturamos um dos devedores. Está no galpão. E, conhecendo você como eu conheço, sei que vai querer resolver isso com suas próprias mãos. Só estou te avisando.

Sorri.

— Chego aí em dez minutos.

Desliguei sem cerimônia.

Desci as escadas e fui até a garagem. Olhei em volta, analisando meus brinquedos de quatro rodas. Escolhi a BMW — estava num clima de elegância com um toque de violência. O tipo de humor que combina com tortura.

Eu sempre deixo claro: "Eu te empresto, te dou um prazo. Mas se não pagar, já era."
Quase todos pagam.
Quase.

Mas pros engraçadinhos que tentam fugir… bom, eu tenho olhos por toda a Coreia. Literalmente.

Dirigi até o galpão com o rádio desligado, ouvindo só o ronco do motor e o zumbido da adrenalina subindo devagar.

...

Ao estacionar, avistei Namjoon parado na entrada do galpão, me esperando. Caminhei até ele com um leve sorriso, daqueles que não aquecem nada — só deixam o ambiente mais tenso.

Fomos andando lado a lado até o centro do galpão, onde o sujeito estava amarrado, completamente imóvel, como um animal acuado. Ele misturava raiva e medo no olhar. Patético.

— Quem é ele, idade, onde pegaram? — perguntei sem tirar os olhos do infeliz.

Namjoon deslizou os dedos no tablet com calma.

— Lee Choe. Trinta e seis anos. Tentando fugir pelo aeroporto de Busan. Destino: México.

Soltei um risinho.

— Outro palhaço achando que pode fugir de mim.

Me aproximei de Lee Choe, me agachei um pouco à altura do seu rosto e sussurrei:

— Hoje não é seu dia de sorte.

Me levantei, caminhei até um armário de metal no canto da sala, destranquei e abri. Uma bela coleção de instrumentos de dor. Variedade pra todos os gostos.

Peguei um punhal. Só pra começar devagar.

Voltei até ele e apontei a lâmina pra sua direção. Ele negava com a cabeça, desesperado.

— Sabe quais são os pontos de tortura mais sensíveis, Choe? — perguntei, voz baixa e tranquila. — Dentes podres, genitais, e aqui... — toquei levemente a lâmina abaixo do olho dele — essa área é um inferno.

Vi o corpo dele tremer. Pressionei levemente o punhal contra seu pescoço, sem cortar.

— Mas olha só... hoje eu tô de bom humor. Então vou te dar uma chance.

Afastei a lâmina.

— Doze horas. Esse é o tempo que você tem pra me pagar. Se não... seus órgãos vão virar decoração na minha sala.

Me virei e andei até Namjoon.

— Leve ele daqui. Dois homens atrás dele. Se ele não pagar em doze horas, você sabe o que fazer.

Já estava saindo do galpão quando ouvi meu nome.

— Taehyung!

— Fala — respondi, virando o rosto por cima do ombro.

— Hoje tem um novo carregamento chegando. Quero que cuide disso pessoalmente. Só... fica atento. Aquele sniper pode aparecer de novo.

Sniper.
Meu sniper.

Sorri de canto, um daqueles sorrisos que só eu entendo.

— Ele que venha.

Entrei no carro. Coloquei a chave na ignição, e no segundo em que o motor rugiu, minha mente foi direto pras vezes em que aquele maldito Min Yoongi atrapalhou tudo.

Sempre no momento certo. Sempre com precisão. Sempre me tirando do sério.

Mas, de certa forma...

... sempre me deixando curioso.

[...]

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