Capítulo 6

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Capítulo 6 – Seul, Sábado – 12:00 PM

Kim Taehyung

Ontem à noite, depois de descarregar a carga, fui direto pro quarto. Estava quase pegando no sono quando o celular apitou. Quase ignorei... quase.
Mas uma notificação me chamou atenção:
“Min curtiu sua publicação.”

Min.

Min Yoongi.

Sim, eu já sabia o nome dele. Mandei investigar a vida dele há um tempo. O mínimo que eu precisava era um nome — e agora ele estava ali, no meu Instagram, fuçando meu perfil.

Desbloqueei o celular, entrei no app e fui direto até o perfil que curtiu. Era ele.
Pensei em mandar mensagem. Mas ele já estava offline. Então fiz o que qualquer doente faria: vasculhei.
Vi quem ele seguia. Vi as fotos. Os vídeos.

E... caralho.
Ele parecia feliz em algumas. Normal. Humano.

Quase como se... não fosse meu inimigo.

Uma hora depois, larguei o celular no peito e finalmente dormi.

---

Agora estou no escritório, no prédio da empresa. Algo no meu peito aperta. Pressentimento. Ansiedade. Desconforto. Não sei. Só sei que algo tá errado.

A porta se abre, e Namjoon entra com um sorriso de orelha a orelha.

— Tenho uma ótima notícia, Tae!

— Que notícia é essa que te deixou tão... sorridente? — pergunto sem esconder o tédio.

— Lembra daquele carregamento que o Yoongi interceptou do Jackson? Aquele que acabou com o filho dele morto?

— Claro. Uma das poucas vezes que eu comemorei um prejuízo. — respondi com um sorriso frio.

— Pois então. O Dong acabou de voltar com a bomba: Jackson mandou matar o Yoongi. Dois tiros no peito. Ele tá no hospital, entre a vida e a morte. — sorriu ainda mais. — Finalmente, estamos livres dele.

Minha visão escureceu.

Por um segundo, o mundo parou.

— O... quê?

Levantei num pulo, a cadeira voando pra trás.

— EU QUERO O JACKSON AQUI ATÉ O FINAL DO DIA! NEM QUE TENHA QUE CAÇAR ELE NO INFERNO! — gritei com tanta fúria que Namjoon até empalideceu, saindo sem dizer uma palavra.

Não perdi tempo. Corri até Dong. Exigi o nome do hospital. Entrei no carro e saí feito louco pelas ruas de Seul, furando sinais, ignorando buzinas e gritos, com as mãos tremendo no volante.

Meu Yoongi.

Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça. Repetidamente. Como um mantra. Como uma sentença.

Ao chegar no hospital, estacionei de qualquer jeito e corri até a recepção.

— O quarto de Min Yoongi! AGORA!

A atendente demorou alguns segundos — que pareceram séculos — e disse:

— Quarto 127, senhor.

Saí em disparada, ignorando os chamados dela. Abri a porta do quarto com brutalidade.

E lá estava ele.

Yoongi.
Meu Yoongi.
Desacordado. Cheio de tubos e fios. Pálido.

Me aproximei devagar, como se o ar estivesse pesado demais pra respirar. Segurei sua mão. Beijei seus dedos.

— Quem fez isso vai pagar. — sussurrei, com a voz tremendo. — Eu juro... ninguém toca em você sem sofrer as consequências.

A porta se abriu violentamente atrás de mim. Era a recepcionista.

— Senhor, ele ainda está sob observação. Não pode receber visitas. Por favor, se retire.

Assenti em silêncio. Dei um último olhar pra ele. E saí.

— Quem o trouxe até aqui? — perguntei à atendente, já no balcão.

— Um amigo dele. Disse que se chama Bangchan.

— Entendi... obrigado.

Ela hesitou por um segundo, me observando.

— Você é parente dele?

Pensei por uma fração de segundo. E então disse:

— Namorado.

Ela piscou, surpresa.

— Bem... já que nenhum familiar apareceu, e o amigo teve que sair às pressas, preciso que o senhor se responsabilize por ele. — Disse, entregando um formulário. — Preencha isso, por favor.

Assinei. Sem hesitar.
Nome: Kim Taehyung.
Parente: Namorado.

— Obrigada. Ligaremos assim que ele acordar. — disse com um sorriso gentil.

— Obrigado. — respondi com o coração ainda em chamas.

Voltei pro carro. A tempestade dentro de mim crescendo a cada quilômetro.
Hoje... alguém vai sangrar.

[...]

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