Hospital no Centro de Seul - 10:26 AM, Domingo
Min Yoongi
- Desembucha logo, Taehyung. - Cruzei os braços e encarei ele com a cara mais fechada que consegui fazer. Minha paciência já tava em coma desde que acordei nesse hospital.
Ele abriu a boca pra falar - juro que abriu! - mas, como um filme de terror mal editado, a porta se abriu.
A enfermeira.
DE NOVO.
- Me perdoe interromper mais uma vez - disse com aquele sorrisinho angelical do inferno - mas preciso levar o seu namorado para os exames.
...
...
NAMORADO?!
Eu pisquei. Olhei pra ela. Olhei pro Taehyung. Olhei de novo pra ela.
Namorado.
NAMORADO.
A alma tentou sair do meu corpo por constrangimento, mas nem ela conseguiu escapar com esse ferimento no peito.
Eu ia rebater, juro que ia. Mas minha boca simplesmente... falhou. Só segui a mulher em silêncio, escutando o som de uma risadinha extremamente insuportável do Taehyung vindo da sala.
Você me paga, Kim.
[...]
Os exames demoraram uma eternidade e meia. Quando voltei, encontrei o desgraçado sentado com o celular na mão, super tranquilo, como se não tivesse causado um colapso na minha existência emocional cinco minutos antes.
- Por que ela disse que eu sou seu namorado? - perguntei, parando na frente dele com os braços cruzados.
Ele deu um pulinho. Bonito. Bem feito.
- Ah, isso... - coçou a nuca. - Quando eu cheguei, ninguém tava responsável por você e...
- Taehyung, eu sou de maior. Não precisava disso.
- Eu sei, Yoongi. Mas você levou dois tiros, tava inconsciente e a recepcionista disse que só parentes ou parceiros podiam assinar responsabilidade. Eu improvisei.
- IMPROVISOU? Você podia ter dito que era meu primo. Um amigo de infância. Um entregador de marmita, sei lá!
- ...preferi namorado. - respondeu, olhando pro chão como quem solta uma bomba e corre.
- Por. Que. Isso? - apertei os olhos, encarando.
Ele abriu a boca. Fechou. Abriu de novo. Nada saiu. Senti que a resposta que viria seria perigosa, então uma parte de mim até agradeceu pelo silêncio.
- Tá. Você teve alta, vamos embora. - se levantou, ignorando minha pergunta como se ela tivesse evaporado do ar.
- E você sabe onde eu moro desde quando? - arqueei a sobrancelha.
- Desde que eu mandei descobrirem.
- VOCÊ O QUÊ?! - me aproximei - Cê tá me stalkeando, seu psicopata?
- Cala a boca, Yoongi. Eu só pedi pra alguém da equipe descobrir. Precisei de você antes, lembra?
- Quem da equipe?
- Não interessa.
- Ah, mas agora vai bancar o misterioso?
Ele bufou e abriu a porta com força.
- Só entra no carro, Yoongi.
- Nossa, ele sabe pedir com educação. Que evolução, Kim! - sorri forçado, só pra cutucar.
- Não me testa. - disse com aquele olhar que mistura "vou te beijar" e "vou te jogar no rio Han".
Saí andando até a frente do hospital, ele me seguiu em silêncio, a aura dele mais quente que o capô de um carro no meio do verão.
- Esse é o meu carro. - avisou, abrindo a porta como se fosse meu motorista particular.
Entrei em silêncio. Ainda irritado. Ainda... curioso.
Ele deu a volta e entrou também. Ligou o carro. Partimos.
Mas nenhuma das minhas perguntas tinham sido realmente respondidas.
E pior...
Uma parte de mim nem queria as respostas ainda.
Queria ver até onde essa mentira de "namorado" ia dar.
[...]
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Meu Sniper
FanfictionKim Taehyung é um dos mafiosos mais temidos de toda a Coreia. Intocável, implacável, e cercado de seguranças e segredos. Ninguém ousa enfrentá-lo... exceto um certo sniper. Min Yoongi é uma lenda silenciosa - o melhor atirador de elite do exército c...
