Capítulo 10

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Casa do Yoongi - 5:24 PM. Domingo
Min Yoongi

O silêncio no carro era quase simbólico. Não era desconfortável, mas... carregado. Tinha coisa não dita ali. E eu, como bom idiota, fui o primeiro a abrir a boca.

— Você realmente não precisava fazer isso, Taehyung. — Falo olhando pela janela. As ruas de Seul passam rápido, mas minha cabeça... parada no que ele disse, no que ele fez.

— Eu sei. Mas alguém tinha que cuidar de você. — Ele diz firme, sem tirar os olhos da estrada.

— E quem disse que eu precisava de babá? Eu sou adulto, caramba. — Resmungo, mas a voz sai mais fraca do que eu queria. Traíra.

Taehyung ri. Aquele riso leve, quase carinhoso. E isso me irrita. Por quê? Não sei. Talvez porque ele se importa.

— Olha, eu só fiz o que achei certo. — Ele dá de ombros.

— Isso é fácil pra você dizer agora que não tá com um buraco no peito. — Revido, sentindo a dor familiar latejar.

A expressão dele muda. Fica mais tensa. Ele vira numa curva e fala baixo:

— Yoongi, você teve sorte por estar vivo.

Aquilo me faz olhar pra ele. A voz dele... não era só preocupação. Era medo.

Dou uma risadinha nervosa.

— Você tá agindo como se eu fosse uma criança perdida no parque.

— E você tá agindo como se estivesse 100% bem, quando claramente não tá. — Ele rebate sem hesitar. E não consigo negar. Porque ele tá certo. E eu odeio isso.

Silêncio de novo. Mas agora tem algo diferente. Menos raiva. Mais... sei lá, parceria?

— Tá. Talvez eu tenha exagerado. — Murmuro, meio contrariado. — Mas você não precisava me chamar de namorado. Isso foi baixo.

Ele ri. Aquele riso sacana.

— E se eu quisesse? Só pra te irritar?

— Você é insuportável. — Olho pra ele com aquela cara de “vou te matar com o olhar”.

— E você adora isso. — Ele pisca, e eu reviro os olhos com força. Deus me livre... mas quem me dera.

Chegamos na minha casa e ele estaciona como se estivesse entregando uma joia rara.

— Bem-vindo à caverna do morcego: lar doce lar. — Zomba enquanto desce.

— Cuidado pra não tropeçar no sarcasmo. — Abro a porta, já cansado da palhaçada. Mas, por algum motivo, sorrindo por dentro.

Quando entro, sinto aquele cheiro familiar. Minha bagunça, meu refúgio... mas agora com o Taehyung ali, parece diferente. Mais quente. Mais... estranho.

— E agora, vai fazer o quê? — Ele pergunta, analisando o ambiente com um olhar curioso demais pro meu gosto.

— Vou fingir que dois tiros não doem e tentar esquecer que quase morri. — Pego uma água na cozinha, e ele me segue. O atrevimento não tem fim.

— Você sabe que não é assim tão simples, né? — Ele fala baixo, mas firme.

Paro. Olho pra ele. Aquele olhar de novo. Ele tá preocupado. De verdade.

— Eu sei... mas ficar remoendo isso não vai ajudar. — Suspiro. — Eu só... quero paz.

Ele concorda, devagar. Sem falar nada. Só fica ali, com os braços cruzados, me vigiando como se eu fosse cair a qualquer momento.

— Mas se quiser falar... desabafar... eu tô aqui, Yoongi. — Ele diz com calma. Sem piada. Sem ironia.

Aquilo me pega de jeito. Nem sei o que dizer. Só dou um sorrisinho de lado, meio sem graça, e murmuro:

— Obrigado, Taehyung... Agora me ajuda a achar o controle da TV antes que eu tenha um surto.

Ele solta uma gargalhada gostosa e começa a procurar.

E ali, no meio da bagunça e da dor, percebo... talvez, só talvez, essa mentira de “namorado” não esteja tão errada assim.

[...]

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⏰ Última atualização: Jun 21, 2025 ⏰

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