Capítulo 4

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Capítulo 4 – Centro de Seul – 8:07 PM, Sexta-feira

Kim Taehyung

Passei a maior parte do dia no escritório, resolvendo o inferno burocrático que uma máfia bem-sucedida exige. Às sete em ponto, fui escolher quem iria comigo pra “receber” o carregamento. Levei quatro dos meus melhores: Hyunjin, Jungkook, Felix e Dong.

Agora, estamos no carro, a caminho do ponto de encontro. À medida que nos aproximamos, avisto o caminhão estacionado exatamente onde deveria estar.

O carro para. Meus homens descem primeiro, armados e atentos. Eu saio logo depois, com a bolsa de dinheiro em mãos. Meus passos são lentos, calculados. O fornecedor está em pé, ao lado do caminhão, tentando parecer tranquilo.

— Todos os lotes estão aí? — pergunto, direto.

— Claro. Eu não brinco em serviço.

— É bom mesmo. Porque se brincasse... eu estaria brincando com a sua cabeça agora, não conversando com você.

Entrego a bolsa. Me afasto alguns passos, observando enquanto ele confere o conteúdo. Sempre conferem. Sempre acham que vão me passar a perna.

Mas não é isso que acontece.

Um estrondo corta o silêncio.

O corpo dele cai no chão, seco. Tiro limpo, vindo de uma casa velha, a uns 200 metros. Já sei quem foi. Só existe uma pessoa com essa pontaria.

— Felix. Traga ele até mim. — ordeno calmamente, enquanto os outros três formam uma barreira ao meu redor.

Dez minutos depois, Felix retorna. E com ele… Min Yoongi.

O infeliz está sorrindo. Provocativo. Irritante.

— Finalmente cara a cara. — diz, parando à minha frente com aquele ar de deboche.

— Me deixem a sós com ele. — ordeno aos outros.

Eles se afastam. Silêncio. Tensão. Nenhuma testemunha.

— Não tem medo que eu te mate, gracinha? — ele pergunta, a voz carregada de veneno e malícia.

— Você já teve todas as chances do mundo. E não fez. Não vai ser agora.

Ele fica em silêncio.

— O que foi? O gato comeu sua língua? Cadê suas piadinhas agora? — dou um passo à frente.

— Cala a boca, idiota. — revira os olhos. — O que você quer comigo, hein?

— Queria ver seu rosto de perto. Saber quem é o desgraçado que vive me atrapalhando.

Seguro seu rosto com uma das mãos, firme, fazendo-o olhar direto nos meus olhos.

— E precisava de todo esse circo pra isso?

— Precisava. Assim é mais convincente. — dou de ombros. — E pelo visto... o exército caiu direitinho.

Ficamos nos encarando por alguns segundos. O tempo parecia congelado.

Ele desvia o olhar, quebrando o clima.

— Se não tem mais nada pra dizer... posso ir?

Segurei o rosto dele de novo, obrigando-o a me encarar.

— Sempre olhe nos meus olhos quando falar comigo. Entendeu?

Yoongi assentiu rapidamente, o corpo todo enrijecido. Um leve arrepio passou por ele, mas tentou disfarçar.

— Bom garoto. — murmurei, soltando o rosto dele com um sorriso de canto. — Pode ir. Não tenho mais nada pra dizer.

Ele me encara uma última vez.

— Nos veremos de novo em breve, Kim. — diz, antes de se virar e ir embora calmamente, como se nada tivesse acontecido.

Fiquei parado por um segundo, observando-o sumir na escuridão, antes de me virar e voltar aos meus homens.

— Vamos. Já está tudo resolvido. — Olhei para Dong. — Você cuida da carga.

Ele assentiu sem hesitar. Caminhei de volta para o carro, os outros me seguindo logo atrás.

Entrei no veículo e seguimos de volta pra casa.

Missão cumprida.
Mas o jogo... tá só começando.

[...]

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