Capítulo 5

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Capítulo 5 - Casa de Yoongi, Seul - 10:46 PM, Sábado

Min Yoongi

Depois que Taehyung me liberou, voltei pra casa como se nada tivesse acontecido - mas claro, por dentro, o caos era completo.
Guardei minha M24 cuidadosamente, como quem tranca um segredo dentro de um cofre, e fui direto pro quarto. Agora estou aqui, deitado de barriga pra cima, olhando o teto, com a mente presa no que rolou mais cedo.

Kim Taehyung.

O jeito que ele segurou meu rosto. O olhar. A voz. A firmeza.

Maldito.

Peguei o celular ao lado da cama. Desbloqueei a tela, abri o Instagram, e comecei uma busca quase infantil: "Kim Taehyung".

Meia hora depois, quando já estava prestes a desistir, achei.

- O que temos aqui... - murmurei.

As fotos me desconcertaram. Ele sorria. Ele ria. Ele brincava com um cachorro. Estava com amigos. Tinha um carisma natural. Um olhar sincero.

Não parecia em nada com o homem que me ameaçou naquela noite.

E, por algum motivo, algo acendeu dentro de mim. Um sentimento estranho, como se eu estivesse vendo outra camada do mesmo monstro.

Talvez... ele não seja tão mal quanto todos dizem. Afinal, ele teve todas as chances do mundo pra me matar. Mas não matou.

E eu? Eu também tive minha mira no meio da testa dele várias vezes.
Mas sempre hesitei. Sempre.

Dois anos.
Dois anos nesse jogo idiota de gato e rato.
E por quê?
Porque no fundo... talvez a gente nem queira vencer.

Suspirei fundo. Deixei o celular descansar sobre meu abdômen. Fiquei ali, olhando pro nada. Pensando em tudo. E, sem perceber, adormeci.

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9:09 AM - Sábado

Acordei com os primeiros raios de sol cortando as frestas da janela.
Fiquei deitado por uns minutos, encarando o teto branco e sem graça do quarto.

Nada me obrigava a levantar cedo hoje. Nenhuma missão. Nenhuma ordem.

Me levantei devagar e fui pro banheiro. Higiene, banho, rotina. Ao voltar, só com uma toalha na cintura, fui até o guarda-roupa e vesti uma calça de moletom preta, simples e confortável. Depois desci para preparar meu café.

Comi tranquilo. Sem pressa. Era um daqueles raros dias de paz.

Me joguei no sofá e liguei a TV, sem realmente prestar atenção. Só deixando o som preencher o silêncio.

Quarenta minutos depois, a campainha tocou.

Levantei meio relutante, fui até a porta. Abri.

Nada.

Olhei pros lados. Rua vazia. Nenhum sinal de alguém.

- Tsc...

Quando ia fechar a porta, senti.

DOIS IMPACTOS SEGUIDOS.

Como um soco. Como uma queimação instantânea no peito.

Dor. Queimação. Pressão.

- Mer... - foi tudo que consegui dizer antes de cair.

Tudo escureceu.

[...]

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