04. Eu te amo, é óbvio?

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O sol estava começando a se pôr sobre a Califórnia, pintando o céu com tons dourados e laranja. O calor do dia estava se dissipando, dando lugar a uma brisa suave que balançava as folhas das palmeiras. Eu estava sentada no banco de um café ao ar livre, esperando Jughead chegar. Ele sempre se atrasava, mas eu não me importava. Os nossos encontros eram um alívio bem-vindo, uma chance de falar sobre qualquer coisa que não envolvesse o caos da escola.

Quando Jughead finalmente apareceu, ele estava com uma expressão de desprezo fingido, segurando uma caixa de donuts que claramente não era para ele. Sentou-se ao meu lado, soltando um suspiro de alívio.

— Finalmente! — Eu brinquei, sorrindo. — Você está começando a tornar isso um hábito.

— Ah, desculpe, estou aqui agora. — Ele deu uma mordida no donut antes de colocá-lo na mesa entre nós. — E parece que você está mais ansiosa por mim do que pelos donuts.

Eu ri e peguei um donut, mordendo-o enquanto olhava para ele com um olhar que não escondia a minha ansiedade. Jughead era um dos poucos amigos que conheciam cada nuance dos meus pensamentos e sentimentos, e hoje eu precisava muito da sua ajuda.

— Preciso te contar uma coisa — comecei, hesitando. — Algo que tem me incomodado.

Jughead levantou uma sobrancelha, interessado.

— Ah, e o que é? Um novo mistério ou um problema pessoal?

— Algo pessoal, na verdade — respondi, tentando encontrar as palavras certas. — Eu... estou apaixonada por Cheryl.

Jughead parecia surpreso, mas sua expressão rapidamente se transformou em um sorriso travesso.

— Cheryl, hein? A famosa ruiva com um temperamento forte? Nunca pensei que você tivesse um fraco por ela.

Eu dei uma risada nervosa, balançando a cabeça.

— Eu não sei quando exatamente isso começou, mas, com o tempo, comecei a perceber o quanto sinto por ela. É como se eu estivesse me apaixonando por cada pequena imperfeição dela, pelo jeito que ela se move, como ela fica irritada quando as coisas não saem como o planejado. Até o vermelho do cabelo dela me fascina.

Jughead fez uma careta divertida.

— Então você está sob o feitiço da Cheryl Blossom, hein? Deve ser um caso sério. E, francamente, eu nunca achei que você fosse o tipo de pessoa que se deixaria levar por um sentimento assim.

— Não é que eu me deixe levar — expliquei, dando um gole no café. — É mais como se eu não conseguisse evitar. A forma como ela sorri, como ela fica toda animada quando fala sobre algo que gosta... tudo isso me atrai. E as coisas pequenas que antes eram imperfeições são o que eu mais amo nela.

Jughead inclinou a cabeça, pensativo.

— Parece que você está completamente apaixonada. Mas, e se nada der certo entre vocês? Não tem medo de perder a amizade dela?

A pergunta de Jughead me atingiu com força. Eu havia pensado sobre isso, mas nunca com tanta clareza. A ideia de perder Cheryl era aterrorizante. Nós éramos tão próximas, e a ideia de que tudo pudesse se perder me fazia sentir um frio na barriga.

— Sim, tenho medo — admiti, olhando para o fundo da minha xícara. — E se isso acabar com tudo? E se ela não sentir o mesmo e isso estragar a amizade que temos?

Jughead me observou, sério agora.

— Às vezes, precisamos arriscar para encontrar algo verdadeiro. Mas lembre-se de que a amizade de vocês é algo raro e precioso. Vale a pena considerar o que realmente pode estar em jogo. E, se você acha que isso vale a pena, talvez seja melhor falar com ela sobre isso.

Eu respirei fundo, absorvendo as palavras de Jughead. Ele estava certo, eu sabia. Mas ainda era difícil dar o primeiro passo. Sentir tudo isso sem saber se Cheryl sentia o mesmo por mim era assustador.

— Eu sei que você está certo, Jughead. — Eu disse finalmente, levantando os olhos para ele. — Vou tentar falar com ela. Não posso continuar me escondendo atrás desse medo.

Jughead sorriu, dando-me um tapinha nas costas.

— Isso aí, Toni. Às vezes, só precisamos dar o primeiro passo. Boa sorte.

Dirigi até a casa de Cher com a mente cheia de pensamentos e expectativas. O sol estava quase se pondo quando cheguei. Relutei várias vezes antes de tocar a campainha, vários pensamentos vieram à tona mas lutei contra todos e apertei mesmo assim. Cheryl pediu para esperar, e eu sabia que o momento certo para falar com ela estava se aproximando.

Ela destrancou a porta é o seu sorriso brilhante se desmanchou no momento em que viu o meu rosto um pouco apreensivo. A luz suave da lâmpada ao lado dela fazia seus cabelos vermelhos brilharem ainda mais. Fiquei parada por um momento, observando-a, antes de finalmente reunir coragem para me aproximar.

— Cheryl, podemos conversar? — perguntei, minha voz tremendo um pouco.

Ela inclinou a cabeça para o lado confusa.

— Claro, Toni. O que está acontecendo? — A ruiva perguntou abrindo passagem.

Sentei-me ao seu lado no sofá, tentando organizar meus pensamentos. Era agora ou nunca.

— Cheryl, eu... — comecei, a voz falhando um pouco. — Eu preciso te dizer algo.

Ela me olhou com uma expressão de curiosidade e preocupação.

— O que é? Você parece séria.

Respirei fundo, sentindo o coração bater forte no peito.

— Eu tenho sentido algo por você há algum tempo. Algo que não consigo mais ignorar. Estou apaixonada por você. E, apesar do medo, não posso mais esconder isso.

Cheryl parecia estupefata por um momento, seu olhar fixo em mim enquanto processava minhas palavras. O silêncio entre nós era palpável, e eu sentia cada segundo como uma eternidade.

Então, sem aviso, Cheryl se inclinou para frente e me beijou. Seus lábios eram quentes e macios, e o beijo foi suave, mas cheio de emoção. Eu fiquei paralisada por um segundo, antes de responder ao beijo, envolvendo meus braços ao redor dela. O toque dos seus lábios foi como um choque elétrico, e tudo o que eu sentia era uma mistura de alívio e alegria.

Quando nos separamos, ela ainda estava olhando para mim com uma expressão de surpresa e felicidade.

— Eu também sinto o mesmo por você, Toni — disse ela, a voz um sussurro.

Senti uma onda de alívio e felicidade. Era o início de algo novo e maravilhoso, algo que eu mal podia esperar para explorar. Olhei para Cheryl, vendo a felicidade em seus olhos e sentindo uma conexão profunda que se formava entre nós.

— Eu estava com medo de te perder — confessei, a voz tremendo um pouco. — Mas agora, sinto que finalmente encontramos o caminho certo.

Cheryl sorriu, segurando minha mão com ternura.

— Não precisamos mais nos preocupar com o que pode acontecer. Estamos juntas nisso.

E assim, com um beijo e palavras compartilhadas, começou uma nova história de amor para nós. Um capítulo que, embora cheio de incertezas e desafios, prometia ser tão belo e significativo quanto o início da nossa amizade.

Caleidoscópio (Choni)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora