A favela pulsava com alegria, uma comunidade vibrante que mantinha um clima bastante satisfatório. Crianças corriam pelas vielas estreitas, jogando futebol com uma bola e improvisando um gol feito com chinelos, enquanto risos ecoavam pelas paredes de tijolos nus. O som das conversas animadas entre vizinhos, reunidos nas portas de suas casas para trocar as últimas novidades ou simplesmente compartilhar um café forte, misturava-se com o barulho distante dos rádios tocando samba.
À primeira vista, a favela parecia um lugar onde, apesar das dificuldades, as pessoas encontravam uma maneira de viver em paz. O senso de comunidade era forte, como uma rede invisível que conectavam todos ali, em uma só harmonia. As pessoas se conheciam pelo nome, as crianças eram criadas coletivamente, e a vida seguia seu curso, sustentada por uma união que poucos bairros ricos poderiam compreender.
Mas, "nem só de pão vive o homem", não é mesmo? Para sobreviver dentro de uma favela é preciso ter uma coisa: DISPOSIÇÃO.
Por trás dessa fachada de normalidade, havia uma realidade inescapável que sustentava a favela. O tráfico de drogas era o coração que bombeava sangue pelas veias da comunidade. Era o que movimentava a economia local, proporcionando empregos e, para muitos, a única forma de sustento. Sem ele, muitas famílias não teriam o que comer, e o precário equilíbrio de harmonia seria facilmente quebrado.
As bocas de fumo eram parte do cotidiano, integradas na paisagem como qualquer outro estabelecimento. A mercadoria ilícita era distribuída em meio à normalidade, com precisão e regularidade, como qualquer outro produto. Era o comércio da sobrevivência, sustentado pela demanda e pela necessidade. Para muitos ali, essa era a única realidade que conheciam, uma dança perigosa entre a vida e a morte, onde cada movimento era calculado para garantir a sobrevivência.
Diego, o Dono do Morro, era o maestro dessa sinfonia caótica. Sua presença era sentida em cada esquina, em cada olhar cauteloso. Ele controlava o fluxo do dinheiro, mantinha a paz entre as gangues, e assegurava que a polícia ficasse do lado de fora. Sob seu comando, a favela funcionava como uma máquina bem lubrificada, com cada peça no lugar certo, desempenhando seu papel, com o intuito de permanecer a paz entre o seu povo.
Mas, para essa paz se concretizar na favela, Diego carregava com sigo os "Dez Mandamentos do Dendê":
1. Proibido roubar dentro do morro: Quem for pego roubando ou assaltando dentro do morro será punido severamente.
2. Não matar sem autorização: Assassinatos dentro da comunidade precisam ser autorizados pelo Dono do Morro. Qualquer vingança pessoal ou ajuste de contas deve passar por ele, para decidir quando e como a situação será resolvida.
3. Não tomar decisões isoladas: Decisões importantes, especialmente relacionadas ao tráfico ou a conflitos, devem ser discutidas e autorizadas pelo comando local. Agir por conta própria, sem o aval da família, pode ser considerado uma traição ou um ato de insubordinação.
4. Colaboração com o tráfico: Os moradores são obrigados a colaborar com os traficantes, seja dando informações, escondendo drogas ou armas, ou até mesmo participando de atividades ilícitas.
5. Proibido se envolver com polícia: Colaborar com a polícia é considerado uma traição grave. Denunciar atividades do tráfico ou qualquer forma de "X-9" terá uma punição mortal.
6. Respeitar os líderes: O respeito ao comando é obrigatório. Qualquer forma de desrespeito, questionamento ou desafio à autoridade pode ser punida.
7. Proteção às crianças e idosos: Dentro do dendê, crianças e idosos são protegidos e não podem ser alvo de violência.
8. Venda de drogas apenas em áreas autorizadas: Os pontos de venda de drogas (bocas de fumo, ou lojinhas) serão controlados rigidamente. Apenas as pessoas autorizadas pelo comando podem vender drogas, e a venda fora das áreas permitidas ou sem autorização é severamente punida.
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A Linha Entre Nós
RomanceStella, filha de Alberto, um respeitado policial federal, sempre viveu uma vida de luxo e conforto. Apesar de sua riqueza, ela nunca perdeu a humildade e sempre acreditou que não há porta que o dinheiro não possa abrir. Sua vida muda drasticamente a...