Controle

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Todas as noites antes de dormir, eu sentava na cama e observava Stanford. Nós dividiamos a mesma cama. Era uma das únicas vezes que ficávamos em paz, sem falas desnecessárias, sem brigas, sem olhares estranhos, apenas paz e sossego.

Os humanos eram tão estranhos, tão sensíveis e cheios de sentimentos imbecis. Mas o meu Stanford... Ele era mais que isso. Lá no fundo, ele era igual a mim, apenas tinha medo de machucar as outras pessoas.
Era apenas questão de tempo até ele se revelar ao mundo. Até ele se tornar um de nós. Uma das minhas lindas aberrações. Mas enquanto isso não acontecia, eu apenas precisava esperar ele não ser um inútil total e cumprir nosso acordo.

Dei um bocejo longo, pensando em como eu faria pra continuar mantendo esta forma. Era tão cansativo viver como um humano. Ter esse corpo nojento, sentimentos exagerados que extrapolavam os limites. E até comecei a me sentir mal... Como se eu sentisse "culpa" por tratar Stanford mal.

Meu corpo exigia muito, um muito que nem eu ao menos conseguia suprir. Porém, com a ajuda de Stanford, tudo se tornou mais fácil.

- Bill, você não vai dormir? - A pergunta de Stanford cortou meus pensamentos. Fazendo-me olhar. - Já está tarde. - Disse com a voz serena e calma.

Eu apenas o olhei. Sentia raiva do quão adoravelmente estupido ele era. Assustadoramente atraente, mesmo sendo aquilo, ele me completava. Ele era algo pra mim, algo bom, idiota e muito importante. Meu portal para este mundo, era isso que Stanford era pra mim.

- Vou sim - Acariciei seus cabelos. Era algo que eu gostava muito de fazer, sentia como se tivesse ele na ponta dos meus dedos. - Mas vou beber uma água primeiro.

- Ok... Eu fico tão feliz que você esteja aqui comigo - Murmurou sonolento, dando um pequeno sorriso. - Eu gosto muito de você.

Quase ri. Ele era tão patético, e nem ao menos fazia ideia do quão dependente estava de mim. E era assim que eu queria, que eu precisava, ele podia acreditar no que quisesse, pois no final, eu sempre vou estar no controle.

Não vou?

- Eu também - Respondi, porque era o que ele precisava ouvir.

Mas a verdade era que, de certa forma, eu também gostava dele. Não como os humanos se gostam, mas de uma maneira que eu não conseguia explicar, afinal, éramos duas aberrações nesse mundinho pequeno. Duas aberrações que se Complementavam, e eu amava tanto isso.

Uma parte de mim se sentiu culpada. Culpada por não ser o que Stanford esperava. Por outro lado, eu não tinha tempo o suficiente pra gastar com isso, esses pensamentos, mesmo que eles me consumam durante o sono, durante a solidão, e daí? Não tínhamos tempo.
O olhei mais uma vez, seus olhos já estavam fechados, mas existia um pequeno sorriso em seus lábios.

- Por que está tão sorridente? - Perguntei.

- Porque eu gosto de dormir com você... - Ainda com os olhos fechados, respondeu, logo depois deu um bocejo e me olhou. - Fico feliz que... As coisas não tenham ficado estranhas depois daquela discussão.

Lembrei-me da tarde passada, sentindo um calafrio de desconforto subir pela minha espinha. Eu tinha gritado com Stanford, e até me sentia arrependido com isso. Como eu iria tê-lo mais próximo se eu não conseguisse me controlar? Estava tão estressado, que por mais que eu tentasse, sempre acabava explodindo.

Respirei fundo, acariciei o rosto de Stanford, logo dei um beijo na sua testa e me levantei da cama. - Vou pegar um pouco de água.

Ele apenas assentiu, se aconchegando na cama igual um bebê. Eu o cobri, dei um sorriso e saí do quarto.

Na sua mente - BillfordHistórias para pegar e não largar. Descubra agora