Sozinho no laboratório estava FiddleFord Mcgucket, sentado em uma cadeira, com os olhos fixos nos papéis espalhados pelas paredes. Cálculos e anotações cobriam toda a superfície visível à sua frente, com um jeito pensativo, em uma tentativa de desvendar o mistério da reativação do portal. Então uma ideia lhe ocorreu: se ajustasse alguns fusíveis, melhorasse a carga de energia, e por fim, trocasse o motor.
Um vislumbre surgiu em seus olhos, acompanhado de um sorriso esperançoso e enigmático. Eles estavam tão perto do fim, o portal estava ali, pronto para seja lá o que Stanford estava planejando. FiddleFord sentiu o ânimo pulsando em suas veias, almejando pelo momento que todo seu esforço taria frutos.
Com os olhos brilhando de esperança, seu olhar recaiu sobre o boneco de testes ao canto da sala, que ainda não havia sido usado. Seu sorriso se alargou, com seus olhos se enchendo cada vez mais de esperança, e logo tomou uma decisão. A religação do portal seria naquela noite. Ele só precisava de um pouco de tempo e uma pequena ajuda.
— FiddleFord, o que está fazendo? — Stanford apareceu como um espectro, fazendo seu colega se assustar.
Stan tinha uma expressão cansada, com seu olhar vazio, caminhou até o lado de FiddleFord e deu um meio sorriso. Com suas roupas amarrotadas, cabelos bagunçados e mal odor, Ford parecia uma bagunça ambulante.
Mcgucket levantou-se, encarando-o. — Ah, Ford! Eu estava mesmo querendo falar com você. — Deu um sorriso forçado, tentando ignorar a péssima aparência do homem.
— Sobre?
— O portal, eu estava aqui pensando, podemos fazer um novo teste esta noite! — Manteve seu entusiasmo.
Stanford piscou, com uma exaustão estampada em seu rosto, como se estivesse dormindo em meio às palavras de FiddleFord. — O portal?... — Perguntou, com sua voz saindo quase como se fosse um sussurro, tentando entender a dimensão da proposta de seu amigo. Seus olhos se iluminaram por um breve momento, afastando aquele seu tom melancólico. — Oh... É claro.
Mcgucket deu um meio sorriso, agora seu entusiasmo e felicidade dividiam espaço com a preocupação e insegurança. Com Stanford nitidamente mal, ele se perguntava se focar no projeto era a melhor coisa a se fazer. — Você está bem? — Perguntou, com seu sorriso sumindo ao ouvir o suspiro do outro.
O homem andou pelo laboratório, passando os olhos pelos inúmeros papéis por todos os lados. — Não muito. — Respondeu, tentando disfarçar ao máximo a tristeza em sua voz
— Quer conversar?
—...
— Stanford...
— Eu até queria, mas você não vai me entender. — Falou, olhando de canto para seu amigo. Ele ajeitou seus óculos, tentando encontrar forças para conseguir dizer o que sentia.
FiddleFord caminhou até seu lado, colocando a mão sobre seu ombro, com um sorriso meia bomba nos lábios. Os dois se olharam em silêncio, e aquela era a primeira vez em dias que tinham algum tipo de contato físico e emocional. Os olhos de Stanford carregavam uma tristeza incontrolável, com uma energia pesada, ele usava as suas últimas forças para continuar em pé.
— Você pode me contar o que quiser. — Mcgucket disse em um tom reconfortante. — Eu sou seu amigo e sempre vou ser.
Stan sentiu seu corpo gelar, com um nó se formando em sua garganta, sentido as palavras lutarem pra sair. — E-eu... — Respirou fundo, e em um ato involuntário, abraçou FiddleFord. Com um abraço apertado e carregado em emoção, Mcgucket o apertou de volta, o segurando firme em seus braços, demonstrando que tudo ficaria bem. — Obrigado. — Agradeceu com um sussurro.
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Na sua mente - Billford
RomanceJovem, inseguro, ingênuo, porém excepcionalmente destemido e determinado, esse era Stanford. Um jovem adulto apaixonado por mistérios, tão apaixonado que acaba se perdendo entre a paixão e admiração pelo ser que o guia nessa jornada.
