Capítulo 2

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Após uma caminhada silenciosa, Olivia e Severus chegaram ao escritório de Dumbledore. Ele informa que sairá para que eles possam conversar a sós. Ao vê-lo sair, Olivia sente uma onda de ansiedade... ela já havia começado a gostar dele, e sua presença teria sido reconfortante naquele momento.

Assim que ficam sozinhos no escritório, Snape se senta na cadeira de Dumbledore, cruza os braços e permanece em silêncio, observando Olivia enquanto ela se acomoda na cadeira em frente a ele.

— Senhor, já decidiu o que irá escolher? — pergunta Olivia, nervosa, tentando romper o silêncio.

— Primeiro, preciso fazer algumas perguntas, e você deve respondê-las com sinceridade, senhorita — responde ele, com um olhar sério e autoritário.

— Sim, senhor. Não tenho intenção de te enganar — concorda Olivia, um pouco apreensiva.

Snape a observa, como se estivesse a avaliando.

— Bom. Responda-me sem mentir: por que você aceitou casar com alguém que nem conhece, e quais são suas verdadeiras intenções? — ele cruza as mãos de maneira séria, aguardando a resposta.

— O próprio ministro e o governador muggle me citaram e fizeram a proposta para que eu pudesse continuar no país, mesmo com problemas no meu visto, e para que eu pudesse prosseguir meus estudos em química na Imperial College London — Olivia engole em seco enquanto o encara.

Snape franze o cenho, absorvendo os motivos dela para aceitar aquela loucura.

— Por que sua educação é tão importante a ponto de você se casar com um estranho apenas para continuar em Londres e estudar?

— Sou imigrante, senhor. Sempre sonhei em estudar química e surgiu a oportunidade de ingressar em uma das melhores universidades do mundo nessa área. Vim do Brasil, aos 18 anos, para estudar química em Londres. Quando se nasce em um contexto de pobreza, a educação se torna uma forma de resistência e rebelião — explica, com a voz levemente embargada.

Severus parece se tornar mais compreensivo com as palavras da jovem, mas ainda mantém sua expressão neutra.

— E por que continuar no Reino Unido? Por que não pode voltar para o Brasil? — indaga, cruzando os braços novamente.

— Porque a Imperial College London é uma das melhores opções, e eu consegui uma bolsa de estudos totalmente gratuita. Além disso, não tenho nada que me prenda ao Brasil ou que me faça querer voltar — responde, com a última frase em um tom mais baixo, desviando o olhar.

Severus franze o cenho mais uma vez, ponderando sobre o que ela disse.

— Entendo o apelo de uma bolsa de estudos, mas por que não é honesta e diz a verdade?

Ele fala em um tom um pouco duro e direto, como costuma fazer.

— Essa é a verdadeira razão, senhor. Li em sua lista de informações que você é um dos magos mais habilidosos que já passaram por esta escola. Talvez haja algum feitiço que você possa usar para comprovar que estou dizendo a verdade. Sinta-se à vontade para usá-lo; não me importo — diz, encarando-o.

Snape franze o cenho, analisando suas palavras e sua expressão.

— Não preciso de feitiço para perceber que você está mentindo. Seu corpo revela mais do que qualquer forma de mágica...

Severus se levanta da cadeira e se vira de costas para Olivia, caminhando até a janela e passando a mão pelo rosto.

— Seus olhos ficam distantes, seu tom de voz oscila e você baixa a cabeça quando diz que não tem motivos para voltar ao Brasil. Você está escondendo algo — ele conclui, ainda olhando pela janela.

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