Capitulo 5

6 4 1
                                    

Olivia estava na aula de História da Magia e não conseguia parar de pensar que Severus tinha razão: não deveria ter ido dormir tão tarde. Para começar, o professor Binns era um fantasma — algo que, no início, despertou sua curiosidade. Ela havia imaginado mil perguntas que gostaria de fazer a ele, intrigada com a ideia de aprender história diretamente de alguém que a vivenciou. No entanto, a empolgação inicial não durou. A voz monótona e arrastada do professor logo se transformou em uma espécie de canção de ninar, e Olivia teve que reunir toda a sua força de vontade para não ceder ao sono.

 Ela olhou para o lado, tentando se manter acordada. Na carteira ao lado, estava uma garota, que estava completamente alheia ao sofrimento de Olivia, rabiscando distraidamente em um pedaço de pergaminho. Olivia se inclinou levemente para sussurrar:

— Como vocês aguentam isso?

A garota ergueu os olhos, parecendo confusa, mas logo abriu um sorriso divertido.

— Ah, ninguém presta atenção no Binns. É mais uma tradição do que uma aula de verdade.

— Que tradição cruel... — murmurou Olivia, massageando as têmporas enquanto o fantasma continuava a divagar sobre rebeliões goblins.

*

Mais tarde naquele dia, Olivia teve uma experiência bem diferente durante a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. A professora Elara Valtor era o oposto de Binns: enérgica, incisiva e imponente. Ela começou a aula com uma introdução impactante sobre as Artes das Trevas, descrevendo-as como “um predador à espreita, que se alimenta da fraqueza e do medo”.

— Vocês, futuros bruxos, têm a responsabilidade de se proteger — declarou Valtor, com os olhos brilhando de intensidade. — E a única forma de fazer isso é conhecendo suas defesas.

Olivia ouviu com atenção enquanto a professora apresentava os princípios básicos da defesa: bloqueio, desvio e neutralização. Em seguida, Valtor ensinou os feitiços Expelliarmus e Protego, pedindo que os alunos formassem duplas para praticar entre si.

Olivia foi colocada com uma garota de pele morena e cabelos escuros, que a encarou de maneira hostil desde o início. Mesmo assim, Olivia tentou manter a cordialidade.

— Sou Olivia. Prazer em te conhecer.

A garota apenas murmurou algo inaudível, seus olhos fixos na varinha. Durante o treinamento, Olivia lançou um Expelliarmus tão eficaz que a colega caiu no chão. Olivia estendeu a mão para ajudá-la a se levantar, mas a garota ignorou o gesto, levantando-se sozinha com um olhar irritado. Por mais que tentasse, os feitiços da menina não surtiram nenhum efeito sobre Olivia, o que parecia alimentar ainda mais sua antipatia.

Ao fim da aula, enquanto recolhiam seus materiais, a mesma garota da aula anterior, comentou baixinho para Olivia:
— Essa é Amara Rosier. Ela não é fácil de lidar, mas você foi bem.

Olivia deu de ombros, ainda refletindo sobre a hostilidade que havia sentido.

*

Mais tarde, as jovens decidiram aproveitar o tempo livre no jardim. O céu estava limpo, e o brilho fraco do sol sobre a neve criava um contraste encantador com o frio cortante. Olivia, suas amigas trouxas e Gina Weasley caminhavam devagar, observando os arredores, quando perceberam um grupo de alunos da casa Slytherin se aproximando.

Entre eles, um garoto pálido, com cabelos loiros quase brancos, destacou-se imediatamente. Ele caminhou com confiança até elas, um sorriso galante brincando nos lábios.

— Olá, sou Draco Malfoy — disse ele, com um tom polido, mas que carregava um toque de arrogância.

As garotas trouxas se apresentaram uma a uma, e quando chegou a vez de Olivia, Draco a olhou com uma expressão de interesse evidente.

Entre Dois MundosOnde histórias criam vida. Descubra agora