11. Lost Nights

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R O M E O

Eu passei longos minutos encarando a porta depois que Julie saiu com Asher, como se eu ainda pudesse vê-la. Não havia palavras suficientes para explicar o buraco aberto em meu peito, a maneira como meu interior parecia completamente dilacerado. Mesmo que eu fechasse os olhos, eu ainda conseguia ver a expressão dela, tão conflituosa e angustiada, o rosto pálido e os olhos cheios de lágrimas que ela estava lutando o máximo possível para segurar. Uma expressão que eu absolutamente detestava e que eu não esqueceria.

Eu havia passado semanas desejando, sonhando com uma oportunidade de encontrar Julie novamente, mas certamente não nessas circunstâncias. Agora, eu percebia o quanto não estava preparado para a avalanche emocional que tanto os meus próprios sentimentos quanto as reações dela iriam causar.

— Rome, que porra aconteceu? — Griffin se virou para mim quando teve certeza de que estávamos sozinhos. Eu devia a ele, porque ele havia ajudado Julie sem nem hesitar e havia segurado suas perguntas até agora, um milagre considerando sua tendência mais sem freio na língua. Griffin não era a pessoa mais sensitiva do mundo, mas havia percebido que a última coisa que Julie precisava era de um interrogatório e havia se contido. Entretanto, ele não me deixaria escapar com a mesma facilidade.

— Nós ficamos presos na biblioteca. Julie tropeçou na escada e caiu. — contei sucintamente — Ela não quis ir para o hospital, então eu a trouxe até você. Ela estava com medo de não conseguir usar o pulso por muito tempo.

É claro que a primeira preocupação dela seria com os trabalhos que ela precisava da mão para terminar, porque Julie era exatamente assim, sempre mais workaholic do que devia. Sempre esforçada demais, aquela garota. O pânico dela havia cortado meu coração, porque ela não deveria se preocupar tanto, se cobrar tanto.

— Ela deu sorte. Eu realmente acho que foi só um entorse leve, ela vai ficar bem com alguns dias de descanso e a compressão. — Griffin disse. Depois de um instante me observando, ele adicionou: — Pela expressão de vocês, eu não acho que vocês ficaram em silêncio o tempo todo.

Eu ignorei seu comentário, porque não sabia como chamar nossa interação e não queria discutir isso com ele, já que não era nem capaz de alinhar meus próprios pensamentos. Conversa parecia a palavra errada para descrever o que havia se passado entre nós.

Além disso, eu havia visto o quanto Julie havia lutado para manter uma fachada forte ao entrar na casa, o quanto ela havia reprimido seus sentimentos diante de outros olhos, o que ela havia falhado em fazer comigo. Eu sabia que ela já havia visto Jamie, mas não Griffin e havia o bônus de estar aqui, na nossa casa, provavelmente o último lugar do mundo em que ela queria pisar quando estava se sentindo vulnerável. Julie não gostava que as pessoas a vissem assim, a não ser aqueles de quem ela era extremamente próxima.

— Obrigado, Griff. Eu te devo uma. — disse com sinceridade.

— Não deve nada, mas eu aceito uma cerveja se você oferecer. — Griffin deu de ombros. Ele não precisava saber que, por ter ajudado Julie, eu pagaria até mil cervejas se ele pedisse.

— Esse fim de semana. — prometi, passando a mão pelo cabelo molhado. — Eu preciso de um banho.

Felizmente, Griffin não me interceptou com mais perguntas e eu quase que fugi para o banheiro, ávido por um momento sozinho. Com a porta seguramente fechada e o som do chuveiro ligado abafando todo o resto, eu finalmente me deixei afundar no que estava sentindo. Eu havia passado por muitas emoções em um curto período de tempo, desde o choque e adrenalina ao ver Julie, a preocupação em ela estar machucada e então meu coração sangrando diante da agonia emocional dela e da minha. Nós dois tínhamos demônios para enfrentar e, nesse momento, eles ainda estavam dançando músicas diferentes.

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