Capítulo 78.1 - A arte da Guerra

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Uma densa fumaça pairava logo após a saraivada de balas. Dentro do carro Dante e Mike observavam a destruição do lado de fora. Estava absurdamente quente, mesmo com o ar-condicionado ligado. O âmago de Dante fervia ao ver o muro da sua mansão destruído pelas balas.

Mais balas atingiram o automóvel blindado, ali eles estavam protegidos, porém, estavam completamente cercados. O Paraíso chegou até a mansão antes que eles pudessem sair na tentativa de começar a luta o mais distante possível da sede do Inferno. Foi uma tentativa de minimizar os danos, porém o inimigo foi mais rápido.

Os ataques cessaram e através da poeira, foi possível ver na estrada de terra a silhueta de um homem imponente se aproximando. A medida em que ela foi baixando o terno branco bem alinhado, foi revelado pelas luzes do farol constatando com sua pele escura. Seu caminhar era elegante e com a mesma graciosidade deu três batidas no vidro da janela, como se convidasse um amigo para reunir-se com ele.

— Não sabia que o Rei do Inferno era um covarde! — O homem de terno branco riu derramando charme.

Dante não conseguia ver nada além da mandíbula forte e bem definida, mas a voz era muito familiar. Não poderia jamais esquecer aquela voz.

— Vamos conversar. — insistiu o velho conhecido. — Por que você não sai para colocarmos o papo em dia?

Agora Dante tinha certeza. Anos se passaram desde que ouviu aquele tom carismático, dominante e magnético. Só poderia ser Miguel.

— A última vez que ouvi falar de você estava na prisão. — provocou Dante ainda sob a armadura protetora de seu carro blindado, mas sentindo-se completamente encurralado pelo pior dos inimigos.

Miguel riu de forma contagiante causando-lhe arrepios.

— É! Você me jogou lá para apodrecer, mas acontece que mesmo seus homens sendo muito leais a você, ainda existem muitas pessoas fora do Inferno que querem te derrubar, e eu passei anos e mais anos reunindo todas elas. — Miguel abriu os braços apontando para o seu exército que os cercava — Você me negou o Submundo, então eu criei o meu Paraíso!

— Então você é líder do Paraíso?

— Isso mesmo!

— E veio até minha casa na calada da noite em busca de vingança? — O tom jocoso de Dante estava carregado de escárnio — Muito corajoso da sua parte.

— Eu vim apenas visitar um velho amigo e cumprimentá-lo pelo casamento. — Miguel encarou o vidro fumê oferecendo um grande sorriso — Quem sabe podemos marcar um encontro duplo, cada um acompanhado com o seu marido.

A pequena menção a Ian desestabilizou Dante, ele sabia que quem quer que fosse seu inimigo, usaria de sua fraqueza para lhe atingir. E achou que estava preparado para isso. Estava errado. Ian lhe enlouquecia e lhe enfurecia em qualquer circunstância e a situação piorava ao imaginar sua coisinha à mercê de Miguel. O homem era tão cruel quanto si mesmo.

— Por que você não para de gracinhas e diz logo o que você quer? — rosnou Dante entre dentes, apertando a mandíbula com tanta força que uma veia em seu pescoço dilatou imediatamente.

— Por que você não sai do carro e conversamos como os velhos amigos que somos?

A provocação de Miguel estava quase funcionando. Dante queria sair, e fazer com que ele sentisse o sabor do sangue encher sua boca após experimentar a força dos seus punhos. Mas estava em guerra e não poderia continuar tão volátil. Apertou os punhos com força e respondeu no tom mais relaxado que conseguiu:

— Podemos até ser velhos, mas amigos não somos já há muito tempo.

— Ah é mesmo! — Miguel encostou-se no carro e encarou o céu que começava a clarear — Como eu poderia esquecer? Você me excluiu da sua vida no momento em que eu abri meu coração pra você! O que você me disse mesmo? Que não suportava nem saber da minha existência? Ou foi que pessoas como eu são abominações? Ou será que foi, sei lá, que eu deveria morrer pois o suicídio seria um pecado menos sujo do que o que eu cometia todos os dias te amando? Poderia refrescar a minha memória?

Jogo Perverso: Submissão [Volume 1]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora